A economia mundial está sendo duramente atingida por todos os lados, e a Austrália acaba de deixar isso bem claro. Na segunda-feira, o Ministro da Fazenda, Jim Chalmers, declarou à emissora ABC que a combinação dos ataques aéreos de Israel contra o Irã e o contra-ataque iraniano agravou ainda mais a situação em um cenário global já instável.
“A economia global está numa situação bastante perigosa neste momento”, disse Jim, descrevendo a situação como “perigosa”. Ele apontou o aumento dos preços do petróleo desde as greves de sexta-feira como um sinal importante de que os problemas estão chegando rapidamente.
Os investidores na Austrália começaram a apostar mais fortemente em cortes nas taxas de juros — não porque a inflação tenha acabado, mas porque o risco para o crescimento agora parece pior.
O conflito militar entre Israel e Irã chegou ao seu quarto dia na segunda-feira, e crescem os temores de uma guerra mais ampla no Oriente Médio, especialmente considerando que o Irã é um dos maiores produtores de petróleo.
Choque do petróleo impulsiona apostas em cortes nas taxas de juros
O preço do petróleo disparou logo após os ataques israelenses contra instalações nucleares iranianas. Sendo o Irã o nono maior produtor de petróleo em 2023, qualquer interrupção no fornecimento foi suficiente para abalar os mercados de energia. O fornecimento global de petróleo está agora em risco, o que impacta diretamente os preços de tudo que depende de energia — do transporte marítimo à alimentação.
Os investidores reagiram imediatamente. As casas de apostas agora atribuem uma probabilidade de 90% de que o Banco Central da Austrália (RBA) realize um terceiro corte de 0,25% na taxa básica cash este ano, o que a levaria para 3,6%. Depois disso, são esperados mais dois cortes, que a reduziriam para 3,1%.
Jim também disse que bancos centrais como o RBA estão tentando olhar além dos picos de preços de curto prazo. "Normalmente, o que os Bancos de Reserva fazem, os bancos centrais, não apenas o nosso, é tentar olhar além dos picos temporários de preços e considerar as implicações mais amplas", disse ele. Mas essas implicações estão começando a se acumular rapidamente.
O Departamento do Tesouro agora está tracnão apenas o conflito Irã-Israel, mas também outros fatores desencadeantes. Jim citou as tensões tarifárias com os EUA, a guerra entre Ucrânia e Rússia e a desaceleração da China — o que é muito importante, já que a China ainda é o maior parceiro comercial da Austrália. "A Austrália está bem posicionada e bem preparada para lidar com toda essa incerteza e volatilidade", disse Jim. "Mas não estaremos imunes a isso."
A maioria dos economistas da região não está tão otimista quanto os mercados. Eles esperam mais dois cortes — provavelmente em agosto e novembro — com uma cash de 3,35% no final do ano. Isso ainda coloca a Austrália em um ciclo de cortes de juros, impulsionado por preocupações de que a economia possa estagnar sob pressão externa.
Os mercados globais reagem à rápida disseminação do medo
O conflito não afetou apenas o petróleo. Ele derrubou os mercados financeiros globais. As ações caíram em todos os principais índices, à medida que os investidores se desfaziam de ativos de risco. Os preços do ouro subiram, como esperado. Sempre que os temores geopolíticos tomam conta, os investidores recorrem ao ouro em busca de segurança. É uma proteção em que confiam durante períodos de inflação, guerras ou colapsos de mercado.
O dólar americano também disparou. Os investidores correram para a moeda americana, como sempre fazem durante uma crise. O chamado efeito "sorriso do dólar" se manifestou mais uma vez — seja quando as coisas estão ótimas, seja quando estão muito ruins, o dólar sempre se valoriza.
Desta vez, o dólar também se valorizou em relação a moedas geralmente consideradas seguras, como o franco suíço e o iene japonês, o que apenas reforça atronque o dólar ainda possui, mesmo com a continuidade das discussões sobre a desdolarização.
Jim fará um discurso completo no National Press Club na quarta-feira, apresentando os planos do governo para o segundo mandato em uma palestra intitulada "Nossa Agenda Econômica para o Segundo Mandato"
O Partido Trabalhista, que venceu com folga nas eleições de 3 de maio, agora tem total controle para implementar sua estratégia econômica. Mas todas as atenções estão voltadas para como o partido lidará com os choques externos que estão se acumulando mais rápido do que o esperado.

