Michael Barr discursou no Conselho de Relações Exteriores em Nova York sobre as preocupações relativas à desbancarização e à regulamentação das criptomoedas, ao deixar o cargo de vice-presidente de Supervisão do Banco da Reserva Federal.
Ao ser questionado sobre as pressões sobre os bancos durante a discussão, Barr enfatizou que o Fed se esforça para manter uma postura imparcial nessas questões, ao mesmo tempo em que garante que as instituições financeiras cumpram as normas regulatórias.
Barr insta os bancos a se envolverem com criptomoedas de forma responsável ou a ficarem de fora
Barr enfatizou que o Federal Reserve não desencoraja os bancos de se envolverem com empresas relacionadas a criptomoedas, desde que cumpram as regulamentações relativas à prevenção à lavagem de dinheiro (PLD), proteção do consumidor e gestão de liquidez. Barr afirmou.
Sabe, nós, do Fed, nos esforçamos muito para manter uma postura imparcial nessas questões. Por isso, temos instituições e bancos de todos os portes supervisionados pelo Fed que atuam em atividades relacionadas a criptomoedas, seja diretamente ou dando suporte a clientes que trabalham com criptomoedas. Nossa expectativa é que façam isso de forma segura e responsável.
Michael Barr
O vice-presidente também destacou que o Federal Reserve possui um programa de supervisão para instituições que lidam com ativos digitais. Alguns bancos administraram bem esse setor, enquanto outros enfrentaram problemas de liquidez ou de conformidade que levaram à sua falência.
Segundo as observações de Barr sobre gestão de riscos no setor bancário, vale a pena investir nela se for feita de forma correta e eficaz; caso contrário, é melhor evitá-la.
A saída inesperada de Barr abre caminho para Trump reformular a liderança do Fed
Barr anunciou no mês passado que deixará o cargo em 28 de fevereiro, numa decisão surpreendente que evitará uma possível batalha legal complicada com odenteleito Donald Trump, que agora está livre para substituí-lo por um funcionário de sua escolha.
Barr afirmou que deixaria o cargo de vice-presidente de supervisão do banco central mais de um ano antes do término de seu mandato, previsto para julho de 2026, mas planejava manter sua cadeira no Conselho de Governadores do Fed. Seu mandato no conselho está previsto para durar até 2032.
Inicialmente, em novembro, Barr disse ao Congresso que pretendia cumprir seu mandato até o fim, mas, desde então, concluiu que fazê-lo poderia acarretar um conflito potencialmente prejudicial com o governo Trump, que, segundo o Washington Post, em outubro, considerou rebaixá-lo de seu cargo regulatório.
A saída de Barr aumenta a incerteza sobre o futuro da proposta dos reguladores americanos que exige que os principais bancos mantenham mais capital para se protegerem contra perdas e crises financeiras.
O índice bancário KBW subiu até 2,4%, atingindo o maior nível intradiário desde 16 de dezembro, após o Fed anunciar que Barr deixaria o cargo.
Barr desempenhou um papel crucial nas negociações da proposta, que visa prevenir futuras falências bancárias e uma crise financeira. O setor financeiro tem feito forte lobby contra as novas exigências, que, até o momento, preveem um aumento de capital de 19% para os maiores bancos dos EUA, como Citigroup Inc., JPMorgan Chase & Co. e Goldman Sachs Group Inc.
Em setembro, ele apresentou uma prévia das mudanças propostas que reduziriam esse aumento para 9%. Essas revisões encontraram oposição de pelo menos três dos cinco diretores da Federal Deposit Insurance Corp
As recentes declarações de Barr refletem as tensões contínuas entre os reguladores e o setor bancário em relação aos ativos digitais e à inclusão financeira.

