Uma página classificada no Manual de Implementação Interna do Federal Reserve, apresentada hoje pela senadora pró-criptomoedas Cynthia Lummis, expôs o envolvimento do Federal Reserve na desbancarização do setor de criptomoedas sob odent do ex-presidente Joe Biden.
A página confidencial revela que o banco central possui diretrizes internas que instruem os funcionários a lidar com clientes "controversos" — incluindo empresas de criptomoedas — com extrema cautela. Cynthia apresentou a página durante a acalorada audiência do Comitê Bancário do Senado sobre a desbancarização realizada hoje cedo.
O documento também comprova a existência das chamadas "contas mestras" que, supostamente, dão aos bancos acesso direto aos sistemas de pagamento do Fed, permitindo-lhes movimentar dinheiro, compensar cheques e liquidar transações sem a necessidade de um intermediário.
Alguém pode me dar uma definição objetiva defi que constitui um "comentário controverso"? pic.twitter.com/IiuiAIBHXf
- Senadora Cynthia Lummis (@SenLummis) 5 de fevereiro de 2025
Para os bancos que atendem o setor de criptomoedas, essas contas são essenciais para operar em escala nacional. Mas muitos, incluindo o Custodia Bank, que é favorável às criptomoedas, tiveram o acesso negado sem qualquer explicação. O Fed, no entanto, continua insistindo que não há parcialidade.
FDIC criticada por pressionar bancos a bloquear o acesso a criptomoedas
A Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) também tem seu papel nessa confusão de desbancarização. Registros recentemente divulgados mostram que a FDIC emitiu 24 "cartas de suspensão" para bancos, ordenando que interrompessem ou limitassem os serviços para empresas de criptomoedas.
Conforme noticiado hoje pelo Cryptopolitan , essas cartas citavam vagas “preocupações com segurança e solidez”, mas forneciam poucas orientações concretas. Caitlin Long, CEO do Custodia Bank, confirmou que os bancos estavam sob intensa pressão. “O FDIC pressionou alguns bancos para que não aceitassem depósitos em dólares americanos de empresas de criptomoedas”, disse ela durante a audiência.
Em um caso absurdo, um banco foi obrigado a reembolsar seus clientes por perdas relacionadas à queda no preço do Bitcoin. O programa do banco sequer previa tais riscos, mas o FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation) o pressionou a cobrir as perdas mesmo assim. Isso deixou muitos na comunidade cripto perplexos. Por que um banco estava sendo responsabilizado pelas flutuações de preço das criptomoedas se isso não fazia parte do acordo?
Scott Bessent, o secretário do Tesouro pró-criptomoedas recentemente nomeado para o conselho da FDIC, agora está no meio das consequências. Embora não esteja claro qual foi seu papel na divulgação do documento, o momento é suspeito.
Este comunicado surge na sequência das recomendações do Gabinete do Inspetor-Geral da FDIC, que sugeriu uma supervisão mais rigorosa dos bancos que trabalham com criptomoedas. Odent Donald Trump fez campanha com a promessa de desmantelar o que está a ser chamado de “Operação Ponto de Estrangulamento 2.0”
Empresas de criptomoedas exigem respostas após a Operação Choke Point 2.0 começar a surtir efeito
Durante a audiência do Comitê Bancário do Senado, o presidente do comitê, Tim Scott, da Carolina do Sul, perguntou o quão disseminado se tornou o desbancarismo digital em relação às criptomoedas. Nathan McCauley, CEO do Anchorage Digital Bank — o único banco de criptomoedas com autorização nacional — respondeu:
“Eu estava falando para uma sala com cerca de 100 fundadores de criptomoedas em São Francisco. Pedi que levantassem a mão se tivessem tido problemas para abrir ou manter uma conta bancária. Todas as mãos se levantaram.”
McCauley acrescentou que seu próprio banco estava em negociações com diversas instituições financeiras para expandir os serviços relacionados a criptomoedas. Mas esses planos fracassaram logo de início devido à Operação Choke Point 2.0. Ele afirmou que o setor de criptomoedas não estava pedindo tratamento especial, apenas regras claras.
A Coinbase, a maior corretora de criptomoedas dos EUA, classificou a situação atual como “insustentável” e acusou os órgãos reguladores de deixarem bancos e empresas de criptomoedas em um limbo, em uma carta enviada ao FDIC. “Em vez de emitir regras claras e duradouras, os reguladores bancários optaram por emitir orientações obscuras e inconsistentes”, dizia a carta.
Nas redes sociais, a indignação aumentou em outubro de 2024, depois que Marc Andreessen, cofundador da empresa de capital de risco a16z, se manifestou durante uma participação no podcast The Joe Rogan Experience e classificou a desbancarização das criptomoedas como uma questão política, culpando os órgãos reguladores por agirem como juiz, júri e executor.
Marc criticou diretamente o Escritório de Proteção Financeira do Consumidor (CFPB, na sigla em inglês), descrevendo-o como uma ferramenta pessoal da senadora Elizabeth Warren. "Existe essa coisa chamada CFPB", disse ele. "É a arma de Elizabeth Warren, e ela a controla."
Durante a audiência, Warren rebateu, afirmando que o CFPB era a única agência trabalhando para proteger os consumidores e impedir práticas bancárias desleais, mas sejamos realistas, ninguém confia nessa mulher com anos de histórico de aversão às criptomoedas.

