O BCE afirma que as decisões da Reserva Federal não irão prejudicar seus planos de política monetária

- O BCE está reduzindo as taxas de juros agressivamente,dent das ações do Federal Reserve, com três cortes desde junho e mais planejados, apesar da inflação crescente.
- Em novembro, a inflação na zona do euro atingiu 2,3%, mas os responsáveis do BCE consideram-na um facto temporário e não permitem que isso comprometa os seus planos de flexibilização monetária.
- O retorno de Trump à Casa Branca e as tarifas comerciais planejadas podem prejudicar o crescimento europeu, arriscando recessão e deflação.
O Banco Central Europeu (BCE) não se importa com o que o Federal Reserve está fazendo. Essa é a mensagem que François Villeroy de Galhau, membro do Conselho de Governadores do BCE, transmitiu em entrevista ao jornal Ouest-France.
Ele enfatizou a independência do BCE sob a liderança de Christine Lagarde. "As decisões que tomamos no BCE com Christine Lagarde sãodent das do Fed", afirmou. Ele ressaltou que o BCE começou a reduzir as taxas de juros em junho, meses antes de o Fed tomar sua primeira medida.
Com a inflação arrefecendo na Europa, o BCE está pronto para continuar a cortar as taxas de juro. Mas há um porém. O regresso de Donald Trump à Casa Branca em janeiro deverá gerar turbulências económicas globais. Villeroy acredita que as políticas protecionistas sob Trump irão impulsionar a inflação nos EUA, ao mesmo tempo que desacelerarão o crescimento a nível mundial.
Esse caos já está levando os economistas a questionar a capacidade do Federal Reserve de continuar reduzindo as taxas de juros. O Fed, que reduziu os custos de empréstimo em 75 pontos-base em duas reuniões, pode optar por mais um corte em dezembro, mas a expectativa geral é de que faça uma pausa em janeiro.
Entretanto, o BCE não tem tais hesitações. Já efetuou três cortes nas taxas de juro desde junho e planeia mais, possivelmente ao longo das próximas quatro reuniões.
Villeroy explicou por que o BCE pode se dar ao luxo de manter uma postura agressiva. Os preços em toda a Europa estão subindo mais lentamente do que os salários, o que dá ao banco espaço para afrouxar a política monetária sem alimentar a inflação. "Os preços estão aumentando mais lentamente do que os salários, em média — isso também nos permite reduzir as taxas de juros", disse ele.
A inflação na zona do euro sobe, mas não preocupa o BCE
A inflação na zona do euro está aumentando gradativamente, mas o BCE parece não se importar. As previsões indicam que os preços ao consumidor subiram 2,3% em novembro, o maior aumento em quatro meses. A inflação subjacente, que exclui itens voláteis como energia, provavelmente subiu para 2,8%.
Isso parece ser um problema, mas as autoridades estão minimizando a situação, dizendo que é temporária. Há um ano, esses números teriam soado o alarme, mas agora? Nem tanto.
O presidente do Banco Central da Grécia, Yannis Stournaras, não está nada preocupado. Ele acredita que a inflação está basicamente sob controle e que pode até cair abaixo da meta de 2% do BCE até 2025. "Devemos ter um corte em todas as reuniões daqui para frente até chegarmos ao que chamamos de taxa neutra", disse ele em entrevista à Bloomberg.
Para o BCE, a “taxa neutra” ronda os 2%, e Stournaras quer atingir esse patamar rapidamente. Ele prevê um novo corte de 25 pontos base em dezembro, mas não descartou uma redução mais acentuada de 50 pontos base.
Nem todos no Conselho de Governadores estão tão tranquilos. O austríaco Robert Holzmann alertou que a inflação ainda não está controlada. Mas mesmo céticos como ele não podem negar que a política de afrouxamento monetário do BCE está ganhando força. Os investidores apostam em outro corte agressivo de juros no próximo mês, já que a fraca atividade do setor privado na Europa aumenta a urgência da situação.
As iminentes tarifas de Trump representam mais uma dor de cabeça para o BCE. Seus planos de impor taxas comerciais à Europa podem sufocar o crescimento já frágil, empurrando a zona do euro para mais perto da recessão ou mesmo da deflação.
Os economistas estão particularmente preocupados com a Espanha, onde a inflação deverá subir 0,7 ponto percentual, para 2,5%, impulsionada principalmente pelos preços da energia. Todas as quatro maiores economias da zona do euro estão apresentando tendências semelhantes, com os custos da energia alimentando a alta.
Apesar desses riscos, o BCE parece determinado a ignorar os picos de inflação de curto prazo e a se concentrar no panorama geral. Stournaras classificou o recente aumento da inflação como um "pequeno deslize" e afirmou que isso não impedirá o banco de continuar sua campanha de redução das taxas de juros.
Os cortes nas taxas de juros devem continuar, mas a incerteza persiste
A última reunião de política monetária do BCE no ano promete ser importante. Os investidores já estão precificando outro corte de 0,25 ponto percentual, e alguns especulam que o banco poderá ir ainda mais longe. O vice-dent Luis de Guindos deixou claro que mais cortes nas taxas de juros estão por vir, mas também pediu cautela.
“É cristalino” que as taxas de juros serão reduzidas ainda mais, disse ele, mas o BCE não pode ignorar a incerteza nos mercados globais. Uma grande incógnita é o crescimento salarial. Os salários negociados na zona do euro registraram um aumento recorde no terceiro trimestre, marcando o maior crescimento desde a introdução do euro em 1999.
Os analistas esperam que essa tendência se arrefeça no próximo ano, mas, por agora, está a complicar os esforços do BCE. Salários mais elevados podem manter a inflação elevada, dificultando a justificação de cortes agressivos por parte do banco.
Ainda assim, a maioria dos especialistas concorda que o BCE não terminou os cortes. Stournaras prevê que a taxa de depósito cairá para 3% até o final de dezembro. Ele considerou essa a “resposta certa” por enquanto, mas admitiu que tudo depende de como os mercados e o Fed reagirão.
“Ainda não temos nada concreto do outro lado”, disse ele, deixando a porta aberta para cortes maiores ou mais frequentes.
Os próximos dados sobre a inflação serão cruciais. Os relatórios das principais economias da zona do euro começam a ser divulgados na quinta-feira, com os números para toda a região previstos para sexta-feira. Esses dados darão ao BCE uma visão mais clara da direção dos preços e de quanto os custos da energia estão impulsionando os aumentos.
Se a inflação se mantiver sob controle, o banco provavelmente manterá seu plano de flexibilização monetária. Mas se os preços começarem a disparar, tudo pode acontecer. As políticas protecionistas de Trump são outra incógnita. As tarifas prometidas sobre produtos europeus podem causar estragos na economia da região, afetando as exportações e enfraquecendo a demanda.
Stournaras alertou que tais medidas poderiam levar à deflação, um cenário catastrófico para o BCE. Por ora, o banco está focado em estabilizar a inflação e impulsionar o crescimento, mas choques externos como esse poderiam forçar uma reconsideração.
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