Desde que começou a pagar os benefícios mensais há mais de 80 anos, a Administração da Previdência Social nunca deixou de efetuar um pagamento. Esse recorde pode estar prestes a ser quebrado.
Segundo Martin O'Malley, ex-comissário da Previdência Social, o Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês) de Elon Musk está implementando mudanças que podem suspender os benefícios de 72,5 milhões de americanos nos próximos 30 a 90 dias.
“No fim das contas, vocês verão o sistema entrar em colapso e os benefícios serem interrompidos”, disse CNBC. Ele alertou que as pessoas devem começar a economizar agora, porque a interrupção está chegando rapidamente. Ele culpa o Departamento de Emprego e Treinamento (DOGE) pelos cortes de pessoal e pelas mudanças implementadas na tecnologia da agência, que, segundo ele, causarão falhas no sistema de TI. Até o momento, nem a Administração da Previdência Social nem a Casa Branca se pronunciaram sobre o que está acontecendo.
A DOGE está reduzindo drasticamente sua liderança e equipe
DOGE não é um departamento governamental de verdade. Foi criado por Donald Trump e entregue a Elon Musk para cortar gastos do governo. Desde então, vem desmantelando agências federais, e a Previdência Social é um de seus principais alvos.
Primeiro, a liderança desmoronou. Michelle King, a comissária interina, renunciou após entrar em conflito com o chefe do Executivo de Massachusetts (DOGE) sobre o acesso a dados sensíveis da Previdência Social. Antes dela, O'Malley renunciou em novembro para concorrer à presidência do Comitê Nacional Democrata — cargo que perdeu para Ken Martin. Agora, Frank Bisignano, CEO da Fiserv, deveria assumir a Previdência Social, mas ainda nem sequer passou por uma audiência de confirmação no Senado.
Enquanto aguardava, a agência nomeou Lee Dudek como comissário interino. Dudek durou pouco mais de um mês antes de ser afastado administrativamente por trabalhar em estreita colaboração com a DOGE. Ele havia escrito uma publicação no LinkedIn dizendo que sua prioridade era garantir que os pagamentos fossem feitos em dia, mas agora está fora do cargo.
Enquanto isso, a agência está demitindo funcionários em massa. Em 19 de fevereiro, a Administração da Previdência Social informou aos trabalhadores que eles têm até 14 de março para aceitar um pacote de demissão voluntária. Desta vez, não se trata apenas da alta administração — até mesmo os funcionários da linha de frente, aqueles que processam solicitações e atendem ligações de clientes, estão recebendo ofertas cash para se demitirem.
Quem perderá os benefícios primeiro?
Nem todos os beneficiários da Previdência Social sentirão o impacto ao mesmo tempo. Jill Hornick, líder sindical da Federação Americana de Funcionários Públicos (American Federation of Government Employees), afirma que as pessoas que já recebem benefícios podem não sofrer cortes imediatos, já que seus pagamentos são em sua maioria automatizados. Mas e os novos solicitantes? Esses sim estão em apuros.
Hornick afirma que, se alguém solicitar aposentadoria ou auxílio-doença, o processo pode levar meses, pois não haverá funcionários suficientes para atendê-los. Pessoas que solicitarem pensão por morte também podem ser obrigadas a esperar, mesmo que apresentem a documentação correta.
“Nem todo mundo consegue fazer as coisastron”, diz Maria Freese, representante legislativa sênior do Comitê Nacional para Preservar a Seguridade Social e o Medicare. Muitos idosos ainda dependem de atendimento presencial, mas os cortes do DOGE podem significar esperas mais longas ou benefícios negados simplesmente porque não há mais ninguém para processar as solicitações.
Enquanto a Previdência Social entra em colapso, o DOGE também está afetando outras agências. O Escritório de Proteção Financeira do Consumidor (CFPB) também está sendo drasticamente reduzido, com planos de demitir quase todos os seus 1.700 funcionários.
O CFPB está sendo dizimado pelo DOGE.
O Departamento de Proteção Financeira do Consumidor, criado após a crise financeira de 2008, está sendo desmantelado. Funcionários afirmam ter sido informados de que a agência deixará de existir em 90 dias.
“Minha equipe recebeu ordens para ajudar a demitir a grande maioria dos funcionários do CFPB o mais rápido possível”, disse um funcionário usando o pseudônimo Alex Doe em depoimento divulgado na quinta-feira.
As demissões estão ocorrendo em três fases:
- Em primeiro lugar, os funcionários em período probatório e os funcionários com contrato por prazo determinado serão demitidos.
- Em seguida, mais 1.200 funcionários serão demitidos.
- Por fim, a agência será reduzida a quase nada — restará apenas um punhado de pessoas antes do fechamento definitivo.
Enquanto isso, os grandes bancos estão saindo impunes. O CFPB tinha processos em andamento contra grandes instituições financeiras como o Capital One, mas o DOGE arquivou pelo menos quatro deles na quinta-feira, apesar dos bilhões de dólares em prejuízos para os consumidores.
Por ora, um juiz federal suspendeu o fechamento até 3 de março, graças a uma ação movida pelo sindicato dos funcionários do CFPB (Escritório de Proteção Financeira do Consumidor). Mas esse adiamento pode não durar muito. Se a decisão da DOGE (Diretoria Geral de Emergência do Governo) for bem-sucedida, o CFPB deixará de existir, e a Previdência Social o seguirá logo em seguida.

