O mercado de criptomoedas ainda se recupera da enorme queda deste fim de semana. Na manhã de terça-feira em Londres, Bitcoin caiu 2,9%, chegando perto de US$ 112.500, enquanto o Ether sofreu um baque ainda maior, com queda de mais de 5%, ficando pouco acima de US$ 4.000, segundo dados da Bloomberg.
Essa queda acentuada ocorreu após um fim de semana já caótico, no qual impressionantes US$ 19 bilhões em posições alavancadas desapareceram do sistema. O colapso começou em 10 de outubro, depois que Donald Trump ameaçou a China com novas tarifas em resposta aos seus controles de exportação.
Pequim não ficou parada. Em retaliação, a China impôs restrições às unidades americanas da Hanwha Ocean Co., uma importante construtora naval sul-coreana. Essa medida aumentou a pressão que já estava derrubando os preços das criptomoedas.
Houve uma breve recuperação na segunda-feira, mas não durou. Quase todas as principais criptomoedas retomaram sua espiral descendente desde então, com o mercado apresentando instabilidade.
Além das perdas, os ETFs Bitcoin e Ether dos EUA sofreram fortes quedas; os investidores retiraram US$ 756 milhões somente na segunda-feira. Isso é um forte indício de que os traders estão se desfazendo de suas posições.
A empresa de análise Glassnode descreveu o que vem a seguir como uma “fase de consolidação” marcada por “cautela renovada, tomada de risco seletiva e uma reconstrução mais ponderada da confiança nos mercados à vista e de derivativos”
O mercado de altcoins despenca diante dos olhos dos investidores
Não foram apenas Bitcoin e o Ether que sofreram um baque. O mundo das altcoins explodiu. O chamado "cassino" de tokens meme, moedas hypadas e projetos com liquidez precária foi pelos ares. Aquelas que prometiam ganhos absurdos sem qualquer fundamento foram as mais atingidas.
Pesquisadores da Arca disseram: "Se você é um trader degenerado de criptomoedas totalmente on-chain, você testemunhou o apocalipse." Isso não é exagero.
Muitas dessas altcoins não tinham liquidez real, mas haviam conquistado uma grande fatia do mercado. Em julho, Bitcoin dominava com quase 65% da capitalização total do mercado de criptomoedas. Agora, esse número caiu para 58,5%, segundo o CoinMarketCap. A história mostra que esse tipo de queda na Bitcoin geralmente acontece pouco antes de uma grande desvalorização. Aconteceu em 2019. E novamente em 2022. Parece que estamos diante de mais uma.
Os investidores esperam um longo período de estagnação para os tokens menores. O problema? A maioria deles já não estava indo bem antes desse colapso. "O problema com as altcoins é que, sim, elas podem subir mais", disse Morten Christensen, fundador da AirdropAlert. "Mas elas podem cair 50% em um dia ou 90% em uma semana. Não vou arriscar com meu portfólio no final do ciclo, quando as chances de o fim estar próximo continuam aumentando."
A moeda comemorativa de Trump despenca enquanto o mercado busca direções
Algumas das maiores perdas deste ano foram daquelas empresas que ganharam destaque graças à repercussão e ao fortalecimento de suas marcas.
A criptomoeda criada em homenagem a Trump, lançada em janeiro, perdeu quase 78% do seu valor. A maior parte dessa perda ocorreu antes do colapso do fim de semana. Outra criptomoeda (XRP, ainda classificada como a quinta maior) voltou ao ponto de partida de janeiro. Sem ganhos. Só prejuízo.
Algumas criptomoedas conseguiram se manter em alta durante o ano. BNB, que está atrelada à Binance, subiu 81% até agora em 2025. Mas isso não significa que sejam só boas notícias.
“Esses ativos em particular estiveram sujeitos a um nível considerável de risco, como vimos neste fim de semana”, disse John Todaro, analista da Needham & Co. “No entanto, seu desempenho tem sido inferior ao de criptoativos de grande capitalização, ações e ouro. Em resumo, assumiram um risco significativamente maior para um retorno menor.”

