De acordo com um novo relatório do Citi, o mercado de stablecoins poderá atingir US$ 4 trilhões em emissões totais até o ano de 2030.
O relatório foi escrito por Ronit Ghose, chefe de futuro das finanças do Citi Institute, e Ryan Rugg, chefe de criptomoedas do Citi Services, que preveem um cenário base de US$ 1,9 trilhão e um cenário otimista de US$ 4 trilhões, ambos acima da projeção anterior de US$ 1,6 trilhão.
Eles disseram que a atualização reflete otroncrescimento esperado para 2025 e a recente onda de projetos de plataformas nativas de criptomoedas e empresas financeiras tradicionais.
Ronit e Ryan descreveram as stablecoins como o "catalisador para o momento ChatGPT da blockchain" no que diz respeito ao uso institucional. Os dois compararam a situação ao boom da bolha da internet no final dos anos 90, afirmando que o que está acontecendo agora com as criptomoedas se assemelha muito à época em que a internet ainda era subestimada.
Nas palavras deles: “Não acreditamos que as criptomoedas vão destruir o sistema atual. Pelo contrário, elas estão nos ajudando a reinventá-lo.” Até agora, em 2025, a capitalização de mercado das stablecoins saltou de US$ 200 bilhões para US$ 280 bilhões.
O relatório afirma que, se esse ritmo continuar, a circulação projetada de US$ 1,9 trilhão poderá suportar até US$ 100 trilhões em transações por ano. Mas mesmo esse número é pequeno quando comparado aos US$ 5 trilhões a US$ 10 trilhões em transações diárias realizadas pelos principais bancos globais.
O Citi questiona as stablecoins, já que as empresas preferem depósitos tokenizados
Apesar do aumento na adoção, o Citi ainda se mostra cauteloso. Ronit e Ryan deixaram claro que as stablecoins não são a solução mágica para tudo. Eles observaram que os pagamentos na maioria dos países já são realizados em tempo real e a baixo custo, especialmente em locais com sistemas fintech avançados.
O verdadeiro problema ainda reside nos pagamentos internacionais, que são lentos e caros. É aí que as stablecoins poderiam ajudar. Mas mesmo nesse setor, aplicativos fintech e bancos já começaram a reduzir custos e agilizar os processos.
“Não prevemos uma guerra de formatos digitais”, disseram os analistas. “Mas sim um progresso contínuo em direção a finanças mais inteligentes e rápidas.” O banco também afirmou que a maioria das empresas ainda está hesitante. Segundo eles, a maioria das empresas permanece “mais curiosa do que entusiasmada” com o uso de stablecoins em operações reais.
Em vez disso, muitos preferem tokens bancários, também conhecidos como depósitos tokenizados, versões digitais do dinheiro bancário tradicional que são regulamentadas. O Citi afirmou que esses tokens podem, inclusive, processar mais transações do que as stablecoins até 2030.
A onda de vendas de criptomoedas afeta empresas de stablecoins e ações ligadas bitcoin
Embora as previsões em torno das stablecoins estejam crescendo, o mercado de criptomoedas como um todo não está tendo uma boa semana. As principais moedas caíram em todos os setores. Bitcoin caiu para menos de US$ 112.000 na quinta-feira, uma queda de 2%. Ethereum caiu 5%, para menos de US$ 4.000, atingindo seu menor preço desde agosto.
Outras criptomoedas, como Solana sofreram quedas ainda mais acentuadas. Tudo isso ocorreu depois que mais de US$ 1,6 bilhão em posições compradas foram liquidadas no início da semana. Dados da CoinGlass mostraram US$ 511 milhões em liquidações somente nas últimas 24 horas.
Mas esse não foi o único fator que assustou os investidores em criptomoedas. Os mercados de ações dos EUA também estão em queda. Muitos investidores estão retirando seus investimentos devido a preocupações de que a euforia em torno da inteligência artificial tenha impulsionado demais os preços e que o Federal Reserve possa não reduzir as taxas de juros tão cedo.
Setembro costuma ser um mês instável para as criptomoedas, e este não é diferente. Outro problema é a Conta Geral do Tesouro. O governo dos EUA tem reabastecido essa conta vendendo títulos do Tesouro e obrigações, o que retira cash do mercado e prejudica a demanda por ativos mais arriscados, como as criptomoedas.
As ações ligadas a criptomoedas também foram afetadas. Robinhood e Coinbase caíram mais de 1% cada na quinta-feira. A MicroStrategy, que detém uma grande quantidade de Bitcoin, também sofreu perdas. O mesmo aconteceu com a Circle, empresa por trás de uma das principais stablecoins.
Órgãos reguladores dos EUA e internacionais estão debatendo novas regras sobre como as stablecoins devem ser emitidas e monitoradas. Grandes empresas como o PayPal já adicionaram mais opções de stablecoins, enquanto varejistas como Walmart e Amazon estão explorando a possibilidade de criar as suas próprias.

