Investidores estão contornando a proibição de criptomoedas da China, obtendo exposição através de ações

- Investidores baseados na China estão usando ações de Hong Kong para obter exposição indireta às criptomoedas, apesar da proibição no continente.
- As ações da Guotai Junan International quase triplicaram após receber uma licença de negociação de criptomoedas em Hong Kong.
- China Renaissance e TF Securities também dispararam após anunciar movimentos relacionados a criptomoedas.
Investidores da China continental estão inundando os mercados de ações de Hong Kong para contornar a proibição de criptomoedas de Pequim, usando ações como uma porta dos fundos para o espaço digital.
Esta demanda, trancada desde a proibição de negociação de 2021, acabou de explodir na semana passada depois que Guotai Junan International, uma corretora listada em Hong Kong apoiada pela China continental, recebeu uma licença para operar um negócio de negociação de ativos virtuais.
A licença desencadeou uma febre de compras. Na quarta-feira, as ações da Guotai quase triplicaram de preço, colocando-a no topo da Bolsa de Valores de Hong Kong pelo valor total de negociação. No dia seguinte, ela permaneceu em primeiro lugar, ultrapassando até mesmo a Alibaba.
Na sexta-feira, ela caiu para o segundo lugar atrás da Xiaomi, que lançou seu carro elétrico na noite anterior. Os dados, publicados pela Wind Information, mostram uma tendência clara: compradores da China continental estão despejando dinheiro em ações de Hong Kong ligadas à atividade de criptomoedas para experimentar o que não podem legalmente manter em casa.
A licença de criptomoedas de Hong Kong empurra a Guotai para a frente
A abertura para esses investidores veio depois que Hong Kong aprovou uma lei de stablecoins em maio, permitindo que empresas financeiras emitissem e gerenciassem ativos cripto vinculados a moedas fiduciárias. Como a China continental considera o comércio de criptomoedas ilegal, este movimento deu às empresas listadas em Hong Kong com licenças uma vantagem significativa.
Robin Xing, Economista-Chefe da China do Morgan Stanley, em uma nota de 19 de junho, explicou por que isso importa. "Acreditamos que o novo interesse da China em stablecoins é impulsionado por preocupações de que a legislação de stablecoins dos EUA possa estender a dominância do dólar", disse Robin. A nota acrescentou que o Banco Popular da China (PBOC) agora está olhando para Hong Kong como um sandbox para testar ferramentas de pagamento alternativas.
Apesar da proibição de criptomoedas, o governador do PBOC, Pan Gongsheng, falou em meados de junho sobre a importância dos stablecoins e apontou para fraquezas nos sistemas de pagamento mais antigos que a tecnologia digital pode potencialmente corrigir. É aí que a mudança se torna clara. Robin e sua equipe interpretaram os comentários de Pan como uma dica de que mudanças podem estar chegando, embora nada oficial tenha sido lançado ainda.
China Renaissance, TF Securities perseguem a mesma jogada
Outras empresas seguiram rápido. Na quinta-feira, a China Renaissance disse que investiria US$ 100 milhões ao longo de dois anos no desenvolvimento de criptomoedas e Web3. No mesmo dia, ela também trouxe Frank Fu, ex-CEO da Huobi Americas, como diretor independente não executivo. A empresa, também conhecida como CR Holdings, viu suas ações saltar 20% na semana passada.
De volta à China continental, onde as ações enfrentam restrições de negociação mais rígidas, a TF Securities listada em Xangai confirmou que sua subsidiária, TF International, também havia obtido uma licença de negociação de criptomoedas em Hong Kong. Essa notícia fez as ações da TF subirem 29% na semana passada.
Mesmo empresas sem conexões claras com criptomoedas estão sendo varridas pela onda. A Eastmoney, uma empresa de dados financeiros e corretora, viu a maior rotação de negociação nas bolsas da China continental na semana passada, tanto em volume de ações quanto em preço. Ela não disse nada sobre ativos virtuais, mas suas ações ainda subiram 11%.
Li Dongfang, um blogueiro financeiro baseado em Pequim, disse que o rally da Guotai está sendo impulsionado pela emoção de primeiro movimento, não por fundamentos sólidos. "O aumento do preço das ações deve-se mais aos investidores perseguindo temas emergentes e seguindo a vantagem de primeiro movimento", escreveu Li em chinês, conforme traduzido por CNBC. Ele acrescentou que outras corretoras provavelmente obterão aprovações semelhantes, mas suas ações podem não oscilar tão selvagemente.
A repressão às criptomoedas sempre foi sobre gerenciar o risco financeiro. Uma população de 1,4 bilhão não deixa muito espaço para especulação descontrolada. Mas mesmo sem aprovação formal, o interesse não diminuiu. Apenas encontrou um novo caminho.
Este ano, o Consensus, a enorme conferência de criptomoedas baseada em Nova York, realizou seu primeiro evento em Hong Kong em fevereiro. Planeja outro para 2025. O número crescente de conferências relacionadas a criptomoedas na região mostra o quanto Hong Kong está atraindo atenção como uma porta de entrada para criptomoedas.
A expansão de stablecoins no comércio transfronteiriço é outra tendência sendo observada. Relatórios recentes de negócios chineses notaram que uma unidade da JD.com, junto com o Standard Chartered, agora faz parte oficialmente do piloto de stablecoins de Hong Kong. O objetivo é ver como esses tokens poderiam apoiar as exportações e as vendas online — sem tocar nos bancos tradicionais.
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Jai Hamid
Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há 6 anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Formada na London School of Journalism, ela compartilhou insights sobre o mercado de criptomoedas três vezes em uma das principais redes de TV da África.
















