O Cantor Fitzgerald está de olho no que pode vir a ser o maior retorno financeiro em criptomoedas da história de Wall Street. Segundo a Bloomberg, o banco de investimentos nova-iorquino pode ver sua participação na Tether disparar para US$ 25 bilhões se a captação de recursos da gigante das stablecoins atingir uma avaliação de US$ 500 bilhões.
Há mais de um ano, a empresa adquiriu um título conversível no valor de mais de US$ 600 milhões, que lhe confere o direito a 5% de participação acionária, mas somente se a conversão e a venda forem permitidas pelos termos finais do acordo. A avaliação, se concretizada, colocaria a Tether ao lado da OpenAI de Sam Altman, posicionando-a entre as empresas privadas mais valiosas do mundo.
O acordo é o ponto central da estratégia da Cantor para atrair investidores. Conseguir uma rodada de financiamento privado dessa magnitude já é bastante difícil, mas esta está sob extrema atenção.
Esse potencial ganho de US$ 25 bilhões representa uma das movimentações de balanço mais lucrativas da história de uma empresa de Wall Street e marcaria mais uma reviravolta na longa relação entre Howard Lutnick, a Tether e a política americana.
A família Lutnick administra a Cantor enquanto o acordo com a Tether se desenrola
Quando o fundador da Cantor Fitzgerald LP, Howard Lutnick, juntou-se ao gabinete dodent Donald Trump como secretário de Comércio no início deste ano, seus filhos Brandon (27) e Kyle (29) foram nomeados para liderar a empresa como diretor executivo e vice-presidente executivo.
No início deste mês, o lendário corretor de Wall Street, de 64 anos, concluiu a venda de suas ações para cumprir as normas federais de ética relacionadas ao seu novo cargo. Essa venda o autoriza agora a participar de assuntos ligados aos ativos financeiros da Cantor.
Os filhos de Howard não perderam tempo em fortalecer os laços com a Tether. Aliás, durante um painel na semana passada em Singapura, Brandon Lutnick apareceu ao lado de Paolo Ardoino, CEO da Tether, descrevendo meses de colaboração na Suíça e dizendo que a empresa "realmente me ensinou tudo o que sei"
Essa aparição ocorreu após anos de estreita cooperação. A Tether continua sendo o cliente mais importante da Cantor, com o banco gerenciando grande parte de seu financiamento e gestão de saldo.
Mesmo com esse relacionamento, a incerteza paira sobre o negócio. A meta de avaliação e a estrutura final ainda estão em aberto. Ainda não se sabe se a Cantor poderá converter seus títulos em ações ou vender alguma parte deles para novos investidores. Dentro da empresa, porém, o potencial de crescimento é o que mais chama a atenção: se a conversão for aprovada, o lucro potencial da Cantor poderá multiplicar sua receita anual regular muitas vezes.
A valorização do Tether pode mudar para sempre o destino das criptomoedas e o de Cantor
Mesmo com metade da avaliação pretendida, a Cantor ainda embolsaria dezenas de bilhões, um retorno incomparável às suas linhas de negócios habituais.
No ano passado, o braço de banco de investimento da Cantor registrou uma receita líquida de cerca de US$ 2 bilhões, o que deve dar uma ideia do sucesso que isso pode alcançar.
Muitos dos funcionários da Cantor, de executivos a sócios juniores, detêm participação acionária por meio de uma estrutura de sociedade limitada. Uma captação de recursos bem-sucedida na Tether impulsionaria não apenas o valor da empresa, mas também a situação financeira pessoal de seus funcionários.
Do lado da Tether, o presidente da empresa, Giancarlo Devasini, ex-cirurgião plástico, poderá ver sua fortuna disparar para US$ 224 bilhões se a meta de US$ 500 bilhões for atingida, o que o tornaria a quinta pessoa mais rica do mundo.
Enquanto isso, o USDT da Tether continua sendo a stablecoin mais utilizada no mundo, atrelada ao dólar americano e com um valor de circulação de US$ 180,6 bilhões.
Como Secretário de Comércio, Howard Lutnick defendeu a regulamentação e a adoção das criptomoedas. Em uma cúpula na Casa Branca, em março, ele afirmou: "Vamos usar as criptomoedas para avançar, e Donald Trump está liderando o caminho."
Em julho, o governo Trump cumpriu sua promessa ao implementar uma estrutura regulatória para stablecoins, uma das principais demandas de líderes do setor de criptomoedas, como os executivos da Tether.

