Em 2009, o BRICS surgiu como uma aliança coesa de cinco nações. Avançando para 2023, vemos um bloco que agora acolhe novos membros. No ano passado, o BRICS enviou convites a seis países: Arábia Saudita, Argentina , Emirados Árabes Unidos, Egito, Irã e Etiópia.
Enquanto a Argentina recusou e a Arábia Saudita adiou a decisão, outros quatro países aderiram em 2024.
Rostos novos causam novos atritos.
Com a nova composição de países, o BRICS não se resume mais apenas aos cinco membros originais. Cada membro traz sua própria perspectiva, agitando o cenário geopolítico.
No cerne da discórdia está a pressão da Índia por um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (CSNU) — uma medida que não foi bem recebida por alguns dos membros mais novos.
Brasil e África do Sul apoiam a candidatura da Índia, mas os novos membros, especialmente Egito e Etiópia, não estão apenas torcendo à margem — eles também querem uma chance de conquistar essa vaga.
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Uma fonte revelou detalhes importantes, afirmando que os membros mais antigos do BRICS esperavam que os novatos apoiassem as aspirações da Índia ao Conselho de Segurança da ONU. Mas parece que os recém-chegados estão de olho em seus próprios objetivos. Um informante anônimo disse :
“Quando novos membros foram admitidos no grupo BRICS no ano passado, foi introduzida uma fórmula que sugeria que todos os novos membros concordassem com as aspirações da Índia, do Brasil e da África do Sul de se tornarem membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.“
Mas alguns dos novos membros, como o Egito e a Etiópia, estão agora protestando contra isso, pois eles próprios aspiram a uma vaga no Conselho de Segurança da ONU, acrescentou a fonte.
Surgem problemas em relação às ambições da ONU
A situação se complicou em agosto de 2023, quando o BRICS se expandiu para incluir Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Etiópia. Eles foram formalmente acolhidos em janeiro de 2024.
No ano passado, os membros do BRICS definiram que o apoio à candidatura da Índia, do Brasil e da África do Sul para membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU seria uma condição fundamental para a adesão. Mas parece que alguns novos membros não receberam esse memorando.
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“Agora descobriu-se que a carta que lhes foi oficialmente enviada com os termos, condições e diretrizes para a sua adesão ao BRICS não pedia explicitamente apoio à Índia, ao Brasil e à África do Sul. Novos membros como o Egito e a Etiópia afirmam que também são candidatos legítimos a membros do Conselho de Segurança da ONU e que não poderiam concordar em apoiar apenas três países.”
Autoridade do BRICS
A Declaração de Joanesburgo, de 2023, corroborou essa posição, defendendo uma “reforma abrangente da ONU, incluindo seu Conselho de Segurança, para torná-la mais democrática e representativa”, enfatizando a necessidade de maior representação dos países em desenvolvimento.
BRICS convoca a união em meio a objetivos diversos
Com a proximidade da cúpula do BRICS em Kazan, na Rússia, em outubro de 2024, o desafio é real. A cúpula visa definir uma posição comum sobre as reformas do Conselho de Segurança da ONU e a expansão do número de membros, com a Índia ansiosa para consolidar seu lugar como membro permanente.
Enquanto isso, no 15º Fórum Econômico Internacional em Kazan, Ali Baqeri Kani, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, destacou o papel crucial do BRICS nos assuntos globais.
A aliança fortalecerá sua unidade ou a nova dinâmica levará à sua ruptura?
Reportagem Cryptopolitan por Jai Hamid.

