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O Banco da Inglaterra (BOE) deve cortar as taxas de juros novamente, à medida que aumentam os temores sobre o crescimento

PorNélio IreneNélio Irene
Tempo de leitura: 3 minutos
  • Espera-se que o Banco da Inglaterra reduza as taxas de juros em 25 pontos-base, para 4%, na quinta-feira.
  • A economia do Reino Unido está sendo prejudicada pelos aumentos de impostos promovidos pelo Partido Trabalhista, pela desaceleração da demanda do consumidor e pela perda de empregos.
  • Investidores acompanham atentamente as orientações do Banco da Inglaterra sobre o balanço patrimonial e as perspectivas de inflação.

O Banco da Inglaterra (BoE) deverá reduzir sua taxa básica de juros em 25 pontos-base, para 4%, na quinta-feira, dando continuidade ao seu ciclo de afrouxamento monetário trimestral, em um momento em que a frágil economia britânica enfrenta demanda fraca, aumento do desemprego e políticas monetárias onerosas.

Segundo dados da Bloomberg, os investidores estão praticamente unânimes em prever o corte, mesmo com a inflação registrando recentemente seu ritmo mais acelerado em 17 meses. O Comitê de Política Monetária (MPC) parece estar priorizando os riscos de recessão em detrimento das pressões inflacionárias — diferentemente do Federal Reserve dos EUA, que manteve as taxas inalteradas mais uma vez nesta semana.

O Banco da Inglaterra avalia os riscos de crescimento em relação à inflação 

A postura mais flexível do Banco da Inglaterra surge na sequência de dois trimestres consecutivos de PIBtraccontração e de um declínio acentuado na atividade de contratação. Em reação ao primeiro orçamento do governo trabalhista, os empregadores reduziram a expansão da força de trabalho após serem atingidos por um aumento de 26 bilhões de libras (34,5 bilhões de dólares) no imposto sobre a folha de pagamento e por um forte aumento do salário mínimo.

O governador do Banco da Inglaterra, Andrew Bailey, tem reiteradamente sinalizado uma preferência por uma flexibilização gradual, mantendo que o aumento da inflação provavelmente é temporário. Ainda assim, a reunião de quinta-feira coincidirá com a divulgação de um novo conjunto de projeções trimestrais — atualizadas em relação a maio, quando as autoridades subestimaram o ritmo de crescimento dos preços.

“Acreditamos que o banco central será cauteloso ao sinalizar novos cortes nas taxas de juros – a inflação surpreendeu positivamente e as expectativas de preços estão elevadas”, disse Dan Hanson, economista-chefe para o Reino Unido da Bloomberg Economics.

Os mercados estarão atentos a quaisquer indícios sobre os planos do Banco da Inglaterra para a carteira de títulos. Com a próxima decisão sobre o aperto quantitativo (QT) prevista para setembro, crescem as especulações de que o banco central poderá reduzir as vendas ativas de títulos do governo britânico em meio à recente volatilidade dos rendimentos dos títulos de longo prazo do Reino Unido.

Bancos centrais globais divergem em relação às taxas de juros à medida que aumentam as pressões comerciais

O Banco da Inglaterra não é o único banco central em ação esta semana. O Banxico, do México, deve anunciar seu nono corte consecutivo na taxa básica de juros, levando-a para 7,75%, apesar da prorrogação das tarifas americanas. Por outro lado, o banco central do Lesoto deve reduzir sua taxa para 6,75%, em resposta às severas perdas nas exportações decorrentes da política comercial do governo Trump.

Em contrapartida, a República Checa, a Sérvia e a Roménia mantêm taxas de juro estáveis, tendo em conta os sinais mistos relativos à inflação e às finanças públicas.

Nos EUA, novos dados comerciais divulgados na terça-feira devem mostrar uma redução defide bens e serviços em junho, após meses de queda nas importações. O PMI de serviços do ISM também fornecerá informações sobre a força do maior segmento da economia americana.

O relatório de empregos de julho decepcionou os mercados, e o presidente do Fed, Jerome Powell, manteve as taxas de juros inalteradas, citando a persistente incerteza econômica. Com a governadora do Fed, Adriana Kugler, anunciando sua renúncia antecipada, as atenções agora se voltam para quem a Casa Branca poderá escolher para substituí-la — e potencialmente suceder Powell em maio.

Os mercados globais reagem às tensões comerciais e aos dados de inflação que influenciam as decisões sobre as taxas de juros

Em toda a Ásia, uma série de relatórios econômicos esclarecerá como a região está lidando com o aumento das tarifas anunciado por Trump em 1º de agosto. Espera-se que as atualizações da inflação da Coreia do Sul, Filipinas, Taiwan e Tailândia mostrem pressões em sua maioria controladas, abrindo espaço para novos cortes nas taxas de juros.

O PIB do segundo trimestre da Indonésia e das Filipinas será acompanhado de perto, enquanto os dados de exportação do Vietnã, Austrália e China podem refletir uma aceleração anterior à implementação de tarifas. Taiwan, um importante exportador de semicondutores, encerrará a semana com novos números do comércio.

Na Europa, os relatórios industriais e comerciais da Alemanha, França, Itália e Espanha podem levar a revisões do PIB. O Eurostat confirmou um crescimento trimestral de 0,1% para a zona do euro no segundo trimestre. Enquanto isso, a Suíça enfrenta as consequências da tarifa de 39% imposta por Trump, e a inflação deverá permanecer em 0,1%.

Na Suécia, a inflação deverá ultrapassar os 3% segundo o índice CPIF, o que provavelmente atrasará novas medidas de flexibilização monetária. Na Turquia, a inflação poderá cair para 34% ao ano, apesar dos novos aumentos de preços, enquanto o banco central mantém a tracde corte nas taxas de juros em setembro.

O Banco Central do México está prestes a anunciar um corte de 25 pontos-base na América Latina, o nono consecutivo, em meio à desaceleração da inflação. O Brasil, por outro lado, deve manter a taxa inalterada em 15%, sem previsão de afrouxamento monetário antes de 2026.

A Colômbia, enfrentando dificuldades fiscais e inflação persistente, divulgará seu relatório trimestral de inflação e a ata da reunião do banco central. Simultaneamente, os dados do IPC do Chile e do México ajudarão a moldar as perspectivas da política monetária na região.

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Nélio Irene

Nélio Irene

Nellius é formada em Administração de Empresas e TI, com cinco anos de experiência no setor de criptomoedas. Ela também é graduada pela Bitcoin Dada. Nellius já contribuiu para importantes publicações de mídia, incluindo BanklessTimes, Cryptobasic e Riseup Media.

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