A recente valorização Bitcoin pegou de surpresa os consultores de finanças pessoais que relutavam em adotar Bitcoin e outros ativos digitais.
Segundo diversos especialistas e analistas financeiros, alguns consultores ainda resistem à entrada de seus clientes no setor de criptomoedas. Uma pesquisa realizada pela Cerulli Associates em julho mostrou que, de 1.500 planejadores financeiros, apenas 2,6% mencionaram criptomoedas aos seus clientes, enquanto somente 13,7% já haviam utilizado criptomoedas com seus clientes.
Segundo registros, esses consultores são veementemente contra tudo relacionado ao universo das criptomoedas e se recusam a oferecê-lo aos clientes que o solicitam. Essa relutância, porém, pode causar problemas no setor. Isso se deve à alta demanda por Bitcoin e outros ativos em função de seu desempenho, e os consultores que se recusam a recomendá-los correm o risco de perder clientes.
Consultores financeiros discutem o potencial do Bitcoin
Segundo consultores financeiros, a adoção do Bitcoin aumentou no setor. Isso ocorre porque há tantos consultores dispostos a apresentar o Bitcoinaos seus clientes quanto aqueles que hesitam em fazê-lo. "Se você é um consultor que não consegue oferecer o Bitcoin e não consegue falar sobre ele, então seus clientes podem procurar alguém que esteja disposto a fazê-lo", disse Matt Apkarian, diretor associado de produtos da Cerulli Associates.
Uma das razões pelas quais os consultores podem hesitar em apresentar criptomoedas aos seus clientes reside nas preocupações com a sua utilidade prática. Segundo Apkarian, ainda existem consultores que consideram as criptomoedas um esquema Ponzi e acreditam que os ativos podem voltar a zero a longo prazo. Ele tem essa opinião devido à resposta mais comum a uma pergunta de uma pesquisa realizada pela Cerulli Associates em 2023. Quando questionados sobre o motivo de não recomendarem criptomoedas aos seus clientes, a resposta mais frequente foi que não precisam adicioná-las às suas carteiras.
O interesse do varejo deve impulsionar a adoção
O consenso é que a negociação desses ativos por investidores individuais contribuiu para a sua valorização atual, mas também há um aumento no número de consultores interessados em apresentá-los aos seus clientes. Além disso, houve um aumento no interesse por parte dos clientes, impulsionado pela recente valorização generalizada do mercado. Com os ativos digitais deixando de ser vistos apenas como ferramentas de investimento alternativas, a ideia por trás da descentralização atrai mais clientes do que antes.
Também houve um aumento na adoção por investidores individuais desde o dia da eleição. Embora essas métricas não possam ser medidas diretamente, indicadores como buscas no Google e uso de aplicativos aumentaram nesse período. De acordo com a planejadora financeira Theresa Morrison, o recente aumento não pode ser atribuído apenas aos investidores individuais, pois é aí que o interesse nesses ativos começa.
No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer para que o interesse do varejo impulsione a adoção em larga escala. A maioria dos planejadores financeiros faz parte de grandes organizações com políticas que proíbem discutir ou apresentar criptomoedas aos clientes. Em agosto, o Morgan Stanley permitiu que seus consultores indicassem Bitcoin para clientes com patrimônio líquido superior a US$ 1,5 milhão.
Com a recente demanda por Bitcoin por parte dos clientes, a maioria dos consultores financeiros está de olho nesse ativo. Segundo Charles Zhang, da Zhang Financials, Bitcoin tem potencial. Zhang foi classificado pela Barron's como o melhor consultor de investimentos dos Estados Unidos nos últimos dois anos. No entanto, ele ressaltou que essa é apenas sua opinião, e não uma recomendação financeira. Zhang afirmou que clientes com mais de US$ 1 milhão podem assumir o risco e investir 1% em Bitcoin, enfatizando a necessidade de evitar outros ativos digitais.

