Os órgãos reguladores da Ásia estão agindo rapidamente porque Donald Trump, agora na Casa Branca, acaba de tornar as stablecoins lastreadas em dólar americano um foco nacional.
A Lei GENIUS, sancionada há apenas duas semanas, deixou claro que Washington apoia integralmente as stablecoins que mantêm uma paridade de 1:1 com o dólar.
Os governos asiáticos estão acompanhando de perto o investimento de bilhões de dólares de seus cidadãos em stablecoins atreladas ao dólar. Grandes empresas como JD.com e Ant Group estão agora solicitando autorização para emitir suas próprias stablecoins. As ações da Kakaopay dispararam com a especulação de que a empresa também poderia entrar nesse mercado.
Reguladores coreanos disputam o controle da emissão de stablecoins
Na Coreia do Sul, a tensão já não é menor.dent partido governista do presidente Lee Jae Myung propôs a Lei Básica de Ativos Digitais em 10 de junho, abrindo caminho legal para que empresas locais emitam stablecoins lastreadas em won. Essa proposta imediatamente soou o alarme no Banco da Coreia.
Ryoo Sangdai, vice-governador sênior do banco, alertou que as stablecoins poderiam interferir nas políticas de capital e desacelerar o processo de internacionalização do won. Duas semanas depois, o governador Rhee Chang Yong foi ainda mais longe, afirmando que as stablecoins não bancárias trariam de volta a mesma instabilidade vista quando empresas privadas emitiram sua própria moeda no século XIX.
John Park, chefe da filial coreana da Arbitrum Foundation, afirmou que a preocupação não é apenas local. As stablecoins criadas na Ásia poderiam se conectar facilmente aos mercados globais usando plataformas descentralizadas.
“As stablecoins locais, embora ofereçam visibilidade regulatória no momento da emissão, correm o risco de se tornarem pontes eficientes para os mercados globais por meio de trocas perfeitas entre criptomoedas em exchanges descentralizadas”, disse Bloomberg. Em vez de bloquear isso, Park afirmou que os bancos centrais da Ásia deveriam orientar o processo. Criem as regras, não lutem contra a corrente.
Os números mostram por que isso importa. Atualmente, as stablecoins lastreadas em dólar representam US$ 256 bilhões do mercado global. Compare isso com os apenas US$ 403 milhões em stablecoins atreladas ao euro. E isso considerando que a Europa já possui um conjunto completo de regras. Portanto, não é surpreendente que os sul-coreanos tenham negociado mais de US$ 41 bilhões em USDT, USDC e USDS apenas no primeiro trimestre deste ano, segundo dados do Banco da Coreia.
Hong Kong avança enquanto a China observa de longe
Hong Kong está a todo vapor. A Autoridade Monetária de Hong Kong quer que as stablecoins demonstrem valor no mundo real, e não apenas salvaguardas teóricas. Clara Chiu, fundadora da QReg Advisory, afirmou que muitas das empresas que solicitaram autorização para criar stablecoins lastreadas em yuan já utilizam o yuan em pagamentos globais.
A cidade está se tornando o campo de testes para o que pode ser uma jogada muito maior: instrumentos criptográficos diretamente atrelados à moeda chinesa.
A China ainda mantém uma proibição pública à negociação de criptomoedas. Mas, nos bastidores, há movimentação. Em junho, o governador do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, afirmou que as stablecoins podem ter um papel importante nas finanças globais, especialmente em um momento em que os pagamentos internacionais sofrem a pressão das crescentes tensões políticas.
Esse simples comentário já mudou o clima. Uma grande corretora estatal chinesa acaba de obter uma licença em Hong Kong para trabalhar com criptomoedas. Chiu disse que isso deu ao setor “esperança de que existe um caminho”
Mas não espere que Pequim entre de braços abertos. Lily King, diretora de operações da Cobo, custodiante de criptomoedas, afirmou que Hong Kong continuará sendo um ambiente de testes. Empresas chinesas o usarão para experimentar, mas a China continental manterá suas portas fechadas. "A China pode não sentir necessidade de se abrir", disse King.
Os investidores em criptomoedas querem mais opções. Yoann Turpin, cofundador da plataforma de criação de mercado Wintermute, afirmou: “O controle de capitais é um desafio. Mas as stablecoins podem oferecer um sistema on-chain mais eficiente e validado.”
A base de usuários já existe. Na Coreia do Sul, cerca de 18 milhões de pessoas, mais de um terço da população total, já estão envolvidas com criptomoedas. Sam Seo, presidente da Fundação Kaia DLT, afirmou que uma stablecoin lastreada em won atenderia a necessidades diferentes das lastreadas em dólar americano.
“No curto prazo, as trocas entre won e USDT dominarão. Mas, a longo prazo, precisaremos de stablecoins de outros países para dar suporte a pares diretos e liquidação mais rápida”, disse Seo.

