A empresa de IA Anthropic fecha acordo de direitos autorais de US$ 1,5 bilhão com autores

- A Anthropic pagará US$ 1,5 bilhão para encerrar as acusações de uso de livros pirateados.
- Os autores receberão cerca de US$ 3.000 por cada um dos 500.000 livros envolvidos.
- O acordo é o maior acordo de direitos autorais da história dos EUA.
A Anthropic concordou em pagar US$ 1,5 bilhão para encerrar um importante processo de direitos autorais, após autores alegarem que a empresa usou livros pirateados para treinar seu chatbot de IA, Claude, sem permissão.
O acordo coletivo proposto é o maior pagamento de direitos autorais já registrado e o primeiro grande acordo relacionado à inteligência artificial. Se o juiz William Alsup, em São Francisco, o aprovar, o acordo pagará centenas de milhares de autores e estabelecerá um novo padrão para a forma como as empresas de IA utilizam material protegido por direitos autorais.
Isso ocorre depois que um juiz dos EUA permitiu que um grupo de autores prosseguisse com um processo contra a empresa de IA Anthropic, alegando que seus livros foram usados sem consentimento para treinar seu modelo de inteligência artificial. Os autores, todos profissionais renomados, afirmam que a Anthropic usou suas obras protegidas por direitos autorais para treinar seu chatbot Claude sem permissão ou compensação.
Eles argumentam que a empresa foi longe demais ao usar suas histórias para fazer a IA soar mais humana, chegando a imitar seus estilos de escrita e ideias.
Autores garantem indenização recorde em caso de direitos autorais
O acordo de US$ 1,5 bilhão abrange cerca de 500 mil livros pirateados que a empresa baixou de bibliotecas online não autorizadas, como Library Genesis, Pirate Library Mirror e o conjunto de dados Books3. Essas bibliotecas online são fontes populares de cópias digitais não autorizadas de livros que pesquisadores e desenvolvedores de IA usam para seus conjuntos de dados. Há muito tempo, escritores, editores e grupos de defesa dos direitos autorais criticam esses repositórios por minarem a proteção dos direitos autorais.
O acordo prevê que cada escritor cujo livro a Anthropic tenha usado ilegalmente como dados de treinamento para sua IA receberá cerca de US$ 3.000 em compensação. Caso investigações adicionais descubram qualquer outro trabalho que a empresa tenha utilizado em seu conjunto de dados, o valor total poderá ultrapassar os US$ 1,5 bilhão iniciais.
O caso da Anthropic começou em 2024, quando os autores Andrea Bartz, Charles Graeber e Kirk Wallace Johnson processaram a empresa por copiar seus livros sem permissão. Posteriormente, centenas de milhares de outros escritores entraram com ações judiciais, alegando que a empresa usou suas obras para treinar seu principal chatbot, Claude.
Os autores destacaram a ignorância da Anthropic em relação ao licenciamento legítimo do material, apesar de sua situação financeira, como evidenciado por seus poderosos investidores, como a Amazon e a Alphabet, empresa controladora do Google.
Em junho, o juiz William Alsup decidiu que o uso de material protegido por direitos autorais para treinar modelos de IA poderia ser considerado uso justo se as obras fossem transformativas. No entanto, ele também afirmou que a Anthropic violou a lei de direitos autorais ao baixar e armazenar mais de 7 milhões de livros pirateados em uma biblioteca central.
A decisão expôs a empresa a possíveis indenizações caso o processo fosse a julgamento conforme previsto em dezembro, pois especialistas jurídicos alertaram que a Anthropic poderia ter que pagar centenas de bilhões de dólares.
A Anthropic evita o julgamento, mas ainda enfrenta riscos legais
Os termos do acordo de US$ 1,5 bilhão exigem que a Anthropic destrua todas as cópias dos livros pirateados para impedir que continue lucrando com material não autorizado. No entanto, especialistas afirmam que o acordo não protege a empresa de novos processos judiciais. Os autores ainda podem processá-la se o sistema Claude gerar resultados que reproduzam trechos protegidos por direitos autorais ou infrinjam suas obras.
A Anthropic afirmou que o acordo não inclui uma admissão de culpa, mas sim que a empresa deseja seguir em frente sem a incerteza de um longo julgamento. A vice-conselheira jurídica da empresa, Aparna Sridhar, explicou que a Anthropic continua comprometida em produzir soluções seguras, confiáveis e que apoiem o progresso humano. Ela disse que a empresa quer se concentrar no desenvolvimento de ferramentas que aprimorem a ciência e sirvam ao público, em vez de passar anos envolvida em batalhas judiciais.
Outras empresas de IA, como OpenAI, Microsoft e Meta, ainda enfrentam processos judiciais que levantamdentpreocupações quase idênticas sobre direitos autorais. Um juiz em São Francisco permitiu recentemente que um contra a Meta prosseguisse, afirmando que o uso de material protegido por direitos autorais sem permissão é ilegal "em muitas circunstâncias".
O acordo evitou que a Anthropic levasse a disputa à Suprema Corte dos EUA, pois isso poderia ter provocado mudanças drásticas nas leis nacionais sobre como o uso justo se aplica à inteligência artificial.
As mentes mais brilhantes do mundo das criptomoedas já leem nossa newsletter. Quer participar? Junte-se a elas.

Nélio Irene
Nellius é formada em Administração de Empresas e TI, com cinco anos de experiência no setor de criptomoedas. Ela também é graduada pela Bitcoin Dada. Nellius já contribuiu para importantes publicações de mídia, incluindo BanklessTimes, Cryptobasic e Riseup Media.
- Quais criptomoedas podem te fazer ganhar dinheiro?
- Como aumentar a segurança da sua carteira digital (e quais realmente valem a pena usar)
- Estratégias de investimento pouco conhecidas que os profissionais utilizam
- Como começar a investir em criptomoedas (quais corretoras usar, as melhores criptomoedas para comprar etc.)















