As ações da AMD dispararam novamente na sexta-feira, subindo 7% durante o pregão e ultrapassando os US$ 245 antes de se estabilizarem em uma nova máxima histórica de US$ 252.
Essa alta fez com que a fabricante de chips subisse incríveis 60% apenas em outubro, tornando-a oficialmente a 25ª empresa mais valiosa do planeta.
O gatilho foi um anúncio surpresa da IBM, que afirmou estar executando algoritmos de correção de erros quânticos em silício da AMD, especificamente no chip FPGA (Field Programmable Gate Array).
Isso coloca a AMD bem no meio da corrida armamentista quântica global, já que a IBM está disputando com a Microsoft e o Google, que anunciaram sua própria inovação quântica no início desta semana.
A IBM testa chips da AMD para correção de erros em tempo real
Os computadores quânticos usam qubits, que podem fazer coisas que os chips normais não conseguem, como simular o comportamento de trilhões de átomos ao longo do tempo. Mas os qubits cometem muitos erros. Um único erro minúsculo pode comprometer todo o cálculo. É por isso que a correção de erros é tão importante.
E a IBM afirma ter encontrado a solução. Melhor ainda? A solução deles roda em chips da AMD e é "10 vezes mais rápida do que o necessário", segundo Jay Gambetta, diretor de pesquisa da IBM.
“Não é absurdamente caro.”
O algoritmo de correção de erros foi anunciado originalmente em junho, mas a IBM está publicando novos resultados nesta segunda-feira, mostrando que ele funciona em hardware da AMD. Esse desenvolvimento também ocorre um ano antes do cronograma da própria IBM, que planeja lançar seu sistema quântico Starling até 2029.
Mas essa não é a única ligação entre a IBM e a AMD no momento. Em 1º de outubro, as duas empresas lançaram uma iniciativa conjunta para impulsionar a Zyphra, empresa de pesquisa em IA sediada em São Francisco.
A Zyphra acaba de levantar US$ 1 bilhão em uma rodada de financiamento Série A para construir o que chama de laboratório de superinteligência, com foco em áreas como novas redes neurais, sistemas de memória e aprendizado contínuo.
Nos termos do acordo, a IBM implantará uma enorme frota de GPUs AMD Instinct MI300X na IBM Cloud, dando à Zyphra acesso a alguns dos recursos de computação de IA mais poderosos do planeta.
A Zyphra implementa a plataforma completa da AMD na IBM Cloud
O objetivo da Zyphra é treinar modelos fundamentais multimodais de ponta, basicamente IA capaz de lidar com linguagem, imagens e áudio simultaneamente. Eles usarão essa tecnologia para impulsionar a Maia, uma "superagente de IA" destinada a aumentar a produtividade de usuários corporativos.
A infraestrutura por trás disso não é improvisada. O cluster em nuvem da IBM é a primeira implementação em larga escala a usar um conjunto completo de soluções AMD, incluindo placas de rede AI Pensando Pollara 400 e DPUs Ortano. O cluster inicial foi entregue em setembro, com planos de expansão em 2026.
“Esta colaboração marca a primeira vez que a plataforma de treinamento completa da AMD — abrangendo computação e redes — foi integrada e escalada com sucesso na IBM Cloud”, disse Krithik Puthalath, CEO da Zyphra. Ele afirmou que a Zyphra se sente “honrada” em liderar o desenvolvimento de modelos de ponta usando a tecnologia da AMD.
A história por trás disso é mais complexa. A IBM e a AMD anunciaram um serviço acelerador em nuvem semelhante no ano passado. Essa plataforma, que utiliza GPUs MI300X na IBM Cloud, foi desenvolvida para lidar com modelos de IA de última geração e computação de alto desempenho com maior velocidade e menor consumo de energia.
Alan Peacock, CEO da IBM Cloud, afirmou que o acordo com a Zyphra faz parte de uma estratégia para construir uma infraestrutura de IA escalável que mantenha os custos sob controle. Enquanto isso, Philip Guido, vice-presidente executivo da AMD, disse que a colaboração visa possibilitar "resultados reais" para empresas que desenvolvem IA mais inteligente.

