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Fotos virais geradas por inteligência artificial de um "morador de rua" são usadas em uma pegadinha que gera ligações para o 911 e envolve a polícia

PorFlorença MuchaiFlorença Muchai
Tempo de leitura: 3 minutos
Fotos virais geradas por inteligência artificial de um "homem sem-teto" são usadas em uma pegadinha, resultando em ligações para o 911 e envolvimento da polícia.
  • A polícia em vários estados dos EUA alerta para uma pegadinha viral de inteligência artificial que mostra um falso "morador de rua" invadindo casas.
  • A farsa gerada por inteligência artificial provocou chamadas para o 911, desperdiçou recursos e levou a pelo menos uma prisão em Maryland.
  • As autoridades alertam que essa tendência, juntamente com outras brincadeiras semelhantes de "encanador sem camisa", representa riscos reais à segurança e implicações legais.

Departamentos de polícia em vários estados dos EUA estão alertando os cidadãos contra o uso de fotos e vídeos gerados por inteligência artificial de um falso "morador de rua" entrando em residências. As autoridades afirmam que a brincadeira viral provocou chamadas de emergência que desperdiçam recursos policiais por ser "estúpida e potencialmente perigosa"

A tendência do homem sem-teto começou a circular em plataformas como TikTok e Instagram no início de outubro. Trata-se de uma imagem ou vídeo realista, gerado por inteligência artificial, de um homem desconhecido entrando em uma casa e mexendo na geladeira, deitando na cama ou relaxando em um sofá. 

Pessoas mal-intencionadas têm enviado conteúdo gerado por inteligência artificial para amigos e familiares, convencendo-os de que um morador de rua invadiu suas casas. O realismo exagerado das imagens causou pânico entre os destinatários desavisados, levando várias pessoas a ligarem para o serviço de emergência em desespero. 

As fraudes relacionadas à IA causam desperdício de recursos policiais

Segundo o The New York Times, departamentos de polícia em Massachusetts, Michigan, Nova York e Wisconsin receberam chamadas de emergência relatando invasões domiciliares que, posteriormente, se revelaram trotes de inteligência artificial.

Os policiais que atenderam à ocorrência chegaram às residências com as luzes piscando e as sirenes tocando, apenas para descobrir que nenhum crime havia ocorrido. Os departamentos afirmam que esses alarmes falsos desperdiçam recursos públicos e colocam policiais e civis em risco.

O Departamento de Polícia de Salem, em Massachusetts, emitiu um dos primeiros alertas no início deste mês, após receber vários telefonemas para o 911 relacionados à pegadinha com inteligência artificial.

“Além de ser de mau gosto, há muitos motivos pelos quais essa brincadeira é, para dizer o mínimo, estúpida e potencialmente perigosa”, disse o departamento em um comunicado. As autoridades de Salem também alertaram os autores da brincadeira de que registrar um falso chamado de emergência é crime no estado, sujeito a penas de até dois anos e meio de prisão ou multas de até US$ 1.000.

O departamento condenou a tendência por "desumanizar os sem-teto", afirmando que ela ridiculariza um grupo vulnerável e coloca o público em risco.

Em Nova Iorque, o Departamento de Polícia de Yonkers recorreu ao Facebook para publicar uma gerada por inteligência artificial demonstrando a brincadeira, afirmando que já havia atendido a vários chamados.

“Os policiais estão respondendo RAPIDAMENTE ao que parece ser um chamado de um invasor real, e só são dispensados ​​quando todos percebem que era uma brincadeira”, escreveu o departamento. “Isso não só é um desperdício de recursos para os policiais que atendem à ocorrência, como também é arriscado para os familiares em casa, caso nossos policiais entrem correndo na residência para deter esse 'invasor' que não existe.”

Fraude com IA leva à prisão em Maryland

As autoridades de Maryland já prenderam uma pessoa relacionada à pegadinha que viralizou. A polícia do Condado de Montgomery informou que Moesha Gardner, de 27 anos, moradora de North Bethesda, foi detida após supostamente simular uma invasão domiciliar usando fotos geradas por inteligência artificial.

Segundo o departamento, Gardner alegou em uma mensagem de texto para o marido que um intruso havia entrado à força em sua casa depois que ela abriu a porta em 8 de outubro. O marido ligou para o 911 enquanto Gardner lhe enviava uma foto que parecia mostrar um homem deitado no sofá sob um cobertor. Os investigadores determinaram que a imagem havia sido criada usando inteligência artificial.

Gardner foi presa em 10 de outubro e acusada de prestar falso testemunho em uma emergência ou crime, além de fornecer informações falsas a um funcionário público. Ela foi posteriormente liberada mediante fiança pessoal sem garantia de US$ 10.000, informou a polícia.

“Essas ações acarretam sérias consequências legais. Denunciar crimes falsamente ou criar emergências falsas desperdiça recursos valiosos e pode colocar em risco a vida tanto de policiais quanto de civis”, afirmou.

Departamentos de polícia estão alertando de redes sociais para que pensem duas vezes antes de compartilhar ou criar conteúdo com inteligência artificial e usá-lo para pegadinhas. Em diversos comunicados, autoridades observaram que o "swatting", ato de fazer trotes para o serviço de emergência com o objetivo de provocar uma resposta policial armada, já causou diversas mortes nos EUA. 

"Eu vejo isso como uma nova versão de trotes policiais. É uma ideia realmente terrível", opinou o Capitão Burke, do Departamento de Polícia de Salem.

O NY Times também mencionou que a inteligência artificial foi usada em uma pegadinha que circula nas redes sociais, com imagens falsas de encanadores musculosos e sem camisa em banheiros e cozinhas. Segundo relatos, mulheres têm usado as fotos para provocar ciúmes em seus parceiros.

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Florença Muchai

Florença Muchai

Florence tem se dedicado à cobertura de notícias sobre criptomoedas, jogos, tecnologia e inteligência artificial nos últimos 6 anos. Seus estudos em Ciência da Computação pela Universidade de Ciência e Tecnologia de Meru e em Gestão de Desastres e Diplomacia Internacional pela MMUST (Universidade de Ciência e Tecnologia de Meru) lhe proporcionaram ampla experiência em idiomas, observação e habilidades técnicas. Florence trabalhou no VAP Group e como editora para diversos veículos de mídia especializados em criptomoedas.

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