As ações da Tesla subiram 7,7% no pregão estendido, mas os investidores continuam se desfazendo de seus papéis como se o navio estivesse afundando. Elon Musk diz que está se afastando da política para se concentrar na empresa, mas isso não está impedindo que seus apoiadores de longa data o abandonem.
Na quarta-feira, o consultor de investimentos e grande investidor da Tesla, Gary Black, afirmou ter finalmente vendido toda a sua posição na empresa. Essa é a primeira vez desde 2021 que ele não possui nenhuma ação da Tesla. De acordo com um comunicado que ele compartilhou no X, a avaliação da empresa se desvinculou completamente dos fundamentos.
Gary disse que vendeu o restante de sua posição a US$ 358 por ação. "Acreditamos que a avaliação da TSLA se desvinculou dos fundamentos subjacentes", afirmou. Sua maior preocupação é que o índice P/L (preço/lucro) da Tesla para 2025 tenha atingido 188 vezes, enquanto as estimativas de lucros continuam caindo — 5% apenas na semana passada e já 40% neste ano.
As entregas da empresa estão fracas, especialmente os números de abril. Ele disse que espera uma queda de 12% nas entregas do segundo trimestre em comparação com o ano anterior, e uma queda de 10% no ano todo. Isso é pior do que as próprias reduções de Wall Street, de 7% e 5%, respectivamente.
Gary também alertou sobre o próximo teste de robotáxi em Austin, considerando o risco unilateral e desproporcional. E mesmo o suposto carro "acessível" previsto para julho não o entusiasma — ele acredita que seja apenas um Model Y de baixo custo, e não um novo modelo que realmente expandiria o alcance da Tesla.
“Isso aumenta as chances de que as estimativas para o ano fiscal de 2025 caiam ainda mais”, disse Gary, prevendo uma repetição da queda de 2023-2024, quando a Tesla reduziu os preços, mas não impulsionou as vendas. Ele mantém uma meta de preço de US$ 310 para os próximos 6 a 12 meses.
Isso se baseia em uma estimativa de 5,4 milhões de veículos em 2030, lucros ajustados de US$ 12 e um índice PEG de duas vezes para o crescimento futuro dos lucros. Descontando tudo isso com um custo de capital próprio de 14,2%, o valor cai para US$ 310, e não para os US$ 358 atuais.
Os acionistas exigem que Elon Musk compareça ao trabalho e cumpra 40 horas semanais
Ao mesmo tempo, um grupo de acionistas ativistas enviou uma carta à presidente do conselho da Tesla, Robyn Denholm, pedindo que Elon Musk passasse a trabalhar pelo menos 40 horas por semana na Tesla. A carta, assinada pelo SOC Investment Group e outros investidores menores, foi uma resposta ao que eles chamam de crise crescente dentro da empresa.
Juntos, esses acionistas controlam cerca de 7,9 milhões de ações — uma pequena fatia do total de 3,22 bilhões da Tesla — mas estão fazendo muito barulho. Os acionistas criticaram o foco de Elon Musk na política ao longo do último ano, especialmente seu papel à frente do Serviço de Transporte Aéreo dos EUA (DOGE) sob odent presidente Trump, o que eles culpam pela imagem desgastada da empresa e pela queda nas vendas.
A última teleconferência de resultados da Tesla revelou uma queda de 71% no lucro e de 13% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano passado. A carta classificou a situação como "uma crise", afirmando que o conselho administrativo não agiu no melhor interesse dos acionistas.
“A volatilidade do preço das ações da Tesla, a queda nas vendas, bem como os relatos preocupantes sobre as práticas da empresa em matéria de direitos humanos e a queda vertiginosa de sua reputação global são motivos de séria preocupação”, afirmou.
Eles não se contentaram apenas em querer que Elon aparecesse mais. A carta também exigia um plano de sucessão real, uma regra que limitasse os compromissos externos do conselho e a obrigatoriedade de nomear um novo membro do conselho que não tivesse vínculos pessoais com nenhum dos membros já existentes.
O conselho administrativo enfrenta críticas há tempos por sua proximidade excessiva com Elon Musk. Isso também gerou controvérsia judicial. Um juiz de Delaware anulou um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões para Elon em dezembro de 2024, citando seu relacionamento próximo com membros do conselho — incluindo seu irmão. Essa batalha judicial começou em 2018, quando um acionista que possuía apenas nove ações entrou com o processo.
Alguns dos mesmos acionistas que assinaram a carta de quarta-feira também estiveram envolvidos, no ano passado, em uma campanha contra o pacote de remuneração de Elon Musk em 2018. Naquela época, eles alertaram que Elon estava sobrecarregado. E continuam dizendo isso agora: “O Conselho continua permitindo que Elon se sobrecarregue, sem exigir que ele dedique sua atenção ao seu papel como CEO e 'líder tecnológico' da Tesla.”

