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Wall Street vê as stablecoins como um atalho de trilhões de dólares para acabar com os bancos e dominar os pagamentos

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
A sequência de vitórias de Wall Street chega ao fim, enquanto os títulos do Tesouro dos EUA caminham para a pior década de sua história
  • As ações da Circle subiram mais de 600% desde sua estreia na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE), com Wall Street apostando em stablecoins para substituir os métodos de pagamento tradicionais.

  • A Fiserv lançou uma stablecoin e a Mastercard a integrou à sua rede, demonstrando que o sistema financeiro tradicional está evoluindo rapidamente.

  • A Bridge, agora propriedade da Stripe, viabiliza pagamentos em stablecoins para a ScaleAI e a SpaceX usando infraestruturas criptográficas globais.

Wall Street está discretamente apostando alto em stablecoins, não como um negócio paralelo no mundo das criptomoedas, mas como uma substituição completa para transferências bancárias e redes de cartões.

Hoje, a Circle, que abriu seu capital na Bolsa de Valores de Nova York no início deste mês, viu suas ações subirem quase 8%, recuperando-se de uma breve queda. As ações já acumulam alta de mais de 600% desde seu IPO. Essa valorização ocorre em um momento em que grandes instituições financeiras estão trilhando novos tracpara realizar pagamentos globais por meio de stablecoins em vez de bancos tradicionais.

A empolgação em torno da Circle não surgiu do nada. Tanto Bitcoin quanto o Ether têm subido esta semana, impulsionados pela esperança de taxas de juros mais baixas, uma postura mais calma da Casa Branca dodent Trump em relação às tarifas e uma trégua temporária nos conflitos do Oriente Médio.

Mas para os investidores que acompanham a Circle e o mercado de stablecoins, não se trata apenas de surfar na onda das criptomoedas. Trata-se de romper com os antigos sistemas monetários e implementar um sistema completamente novo.

Fiserv e Mastercard começam a conectar stablecoins às plataformas de pagamento

Segundo a CNBC, a Fiserv, empresa de pagamentos com fortes laços com o setor bancário, lançou uma stablecoin no início desta semana. Quase imediatamente depois, a Mastercard integrou essa moeda à sua rede de pagamentos existente. Este é um dos sinais mais claros até agora de que o sistema financeiro tradicional está investindo pesado em infraestrutura para o que considera uma oportunidade de trilhões de dólares.

Zach Abrams, cofundador e CEO da Bridge, disse a MacKenzie Sigalos, da CNBC, no programa "Crypto World" de quinta-feira, que as stablecoins podem atingir a casa dos trilhões, chamando-as de "uma plataforma de movimentação de dinheiro totalmente nova, como os cartões de crédito foram décadas atrás". Ele acrescentou: "Os cartões de crédito criaram trilhões em valor, e acho que o mesmo acontecerá com as stablecoins". Abrams afirma que essa transformação se desenrolará ao longo de anos, não meses, mas já está acontecendo nos bastidores.

Sua empresa, a Bridge, que acaba de ser adquirida pela Stripe por US$ 1,1 bilhão, já está viabilizando transações reais. A ScaleAI, que recentemente recebeu um investimento de US$ 14 bilhões da Meta, usa a Bridge para pagar sua rede global de rotuladores de dados. A SpaceX também usa a Bridge para receber pagamentos de clientes da Starlink em moedas locais e convertê-los de volta para dólares americanos. Esses são casos de uso reais, não projetos-piloto.

Os bancos tradicionais querem entrar no jogo antes que os trilhões apareçam

Hoje, o mercado de stablecoins, avaliado em US$ 400 bilhões, é controlado principalmente pela Tether e pela Circle, mas esse não é o limite. Abrams afirmou que a maioria dos grandes bancos espera que o mercado atinja alguns trilhões de dólares.

É por isso que ele acredita que instituições tradicionais como JPMorgan Chase, Bank of America e Fiserv precisarão absorver uma parcela desse volume de transações. "Não chegará a alguns trilhões sem que uma grande porcentagem seja gerenciada por instituições financeiras tradicionais", disse Abrams.

O que isso significa é claro: os bancos que ajudaram a construir o sistema antigo estão agora correndo para reformulá-lo antes que ele esteja completamente fora de seu controle. E as ferramentas que estão usando são stablecoins, não transferências bancárias, nem ACH, nem SWIFT.

Enquanto isso, a investida de Wall Street na tokenização continua a se expandir. A Republic, uma startup de investimentos com sede em Nova York, anunciou esta semana que permitirá aos usuários comprar tokens digitais que representam ações de empresas privadas como SpaceX, OpenAI e Anthropic. O preço de entrada? Apenas US$ 50.

Isso representa uma queda enorme em relação ao mínimo usual de US$ 10.000 exigido para investir nesse tipo de negócio. É o tipo de investimento voltado para o varejo que demonstra o quão longe a tokenização já chegou e o quanto mais Wall Street acredita que podetracda transformação de ativos do mundo real em tokens negociáveis.

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Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

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