A má conduta publicitária está se tornando mais comum no mercado de criptomoedas, explorando investidores ingênuos. Em um comunicado divulgado pela Bloomberg, a FTC confirmou sua posição de combater essa prática no setor.
A Comissão Federal de Comércio (FTC, na sigla em inglês) é uma agênciadent do governo dos Estados Unidos cuja função é fazer cumprir a legislação antitruste civil e promover a proteção do consumidor.
O papel da FTC na proteção da comunidade cripto
A FTC confirmou que empresas de criptomoedas estavam usando anúncios falsos e enganosos.
Estamos investigando diversas empresas por possível conduta imprópria relacionada a ativos digitais.
Juliana Gruenwald Henderson, porta-voz da FTC.
A agência também promove a educação pública. Quando a FTX entrou em colapso, a FTC alertou os usuários para que não pagassem para obter assistência na recuperação de fundos de corretoras falidas. Na época, havia relatos de que funcionários da FTX estavam aceitando subornos para facilitar os saques.
A agência é rigorosa com relação aos anúncios e garante que os indivíduos divulguem avaliações e endossos patrocinados para evitar enganar o público.
A agência assumiu um papel secundário em relação à Comissão de Valores Mobiliários (SEC) na regulamentação do setor de criptomoedas.
Má conduta publicitária na indústria de criptomoedas
No início de outubro, a SEC anunciou acusações contra a celebridade Kim Kardashian por promover a infame criptomoeda Ethereum
Outras celebridades que promoveram o projeto incluíam Floyd Mayweather e Paul Pierce. O organizador do evento concordou posteriormente em pagar US$ 1,26 milhão para que o caso fosse encerrado. O projeto era uma fraude e resultou na perda de fundos dos investidores.
Mais recentemente, um investidor (Edwin Garrison) apresentou uma queixa contra Sam Bankman-Fried por propaganda enganosa da FTX. O reclamante citou celebridades como Shaquille O'Neal, Tom Brady e Stephen Curry, que participaram da promoção.
Afinal, Larry David estava certo sobre a FTX 🤯 pic.twitter.com/2IxMjyD7V6
— NFTNick.eth (@allnick) 10 de novembro de 2022
A bolsa, então a terceira maior em volume de negociações, entrou em colapso, resultando na perda de milhões de dólares de fundos de investidores.
As corretoras de criptomoedas têm sido proativas na construção do reconhecimento da marca, financiando anúncios de grande visibilidade para restaurar a confiança do público. A Crypto.com, sem dúvida, teve alta visibilidade nos jogos da Copa do Mundo da FIFA. No entanto, pouco se fala sobre seu token nativo, CRO, que caiu 88% em relação ao preço de abertura do ano, de US$ 0,59.
Um lembrete amigável para verificar suas criptomoedas 👌
— Crypto.com (@cryptocom) 6 de dezembro de 2022
Um lembrete amigável para abrir seu aplicativo https://t.co/vCNztATkNg #FIFAWorldCup pic.twitter.com/Crpm8eMTie
A Autoridade de Padrões de Publicidade (ASA) do Reino Unido também manifestou preocupação com a má conduta publicitária no setor. A agência já havia repreendido diversas empresas de criptomoedas por anúncios enganosos.
A ASA (Advertising Standards Authority, Autoridade de Padrões de Publicidade) destaca que os anunciantes devem ser claros sobre seus produtos. Devem fornecer o status regulatório da criptomoeda anunciada, esclarecer sua futura movimentação de preço com dados concretos e ser transparentes para evitar induzir os investidores ao erro.
A repressão não poupou os clientes corporativos.
Em abril, o clube de futebol Arsenal se envolveu em problemas com a ASA (Advertising Standards Authority, Autoridade de Padrões de Publicidade) por anúncios de criptomoedas que induziram o público ao erro em seu site e página do Facebook. A ASA comentou que os produtos apresentados não eram regulamentados no Reino Unido e acarretavam sérias implicações fiscais. Posteriormente, os tribunais determinaram que o clube retirasse os anúncios do ar.
Em agosto, a organização Truth In Advertising (TINA) enviou cartas a celebridades que endossam NFTs, questionando a motivação por trás de seus atos. Entre as celebridades estavam Gwyneth Paltrow, Eva Longoria, Floyd Mayweather, Tom Brady, DJ Khaled e Paris Hilton.
“Trata-se de uma área repleta de enganos, incluindo, mas não se limitando a, a falha em divulgar de forma clara e visível a ligação material do promotor com a empresa NFT
O número de anúncios falsos de criptomoedas que se disfarçam em plataformas de mídia social está aumentando. Os anúncios são sedutores e visam investidores ingênuos. A responsabilidade de evitar cair nessas propagandas recai, em última instância, sobre o público-alvo, o público em geral.
O público deve sempre realizar uma pesquisa prévia antes de interagir com esses anúncios.
A FTC investiga má conduta publicitária em diversas empresas de criptomoedas