O presidente da Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul, Lee Eog-weon, defendeu na quarta-feira a imposição de um limite à participação acionária dos principais acionistas nas corretoras de ativos digitais. O órgão regulador financeiro do país busca limitar essa participação a 15-20%.
As declarações de Lee sugerem que o órgão regulador financeiro do país está prosseguindo com a iniciativa, apesar da resistência da Aliança de Exchanges de Ativos Digitais (DAXA) da Coreia do Sul e do Partido Democrático da Coreia, que está no poder. Ele argumentou que a iniciativa visa alinhar os padrões de governança com o crescente papel público das exchanges no setor de criptomoedas.
A FSC incorpora o limite de participação acionária na Lei Básica de Ativos Digitais
A era das gigantes lideradas por seus fundadores está passando por uma grande transformação.
Os reguladores sul-coreanos estão pressionando por um limite de participação acionária de 15% a 20% para os principais acionistas das corretoras de criptomoedas.
A FSC argumenta que corretoras como Upbit e Bithumb se tornaram "infraestrutura pública essencial" e devem adotar… pic.twitter.com/p9y1Ub48BQ
— Conor Kenny (@conorfkenny) 28 de janeiro de 2026
A proposta do regulador financeiro sobre o controle acionário deverá ser incorporada à segunda fase da legislação sobre ativos virtuais, a Lei Básica de Ativos Digitais. Lee afirmou que a Lei sobre a Divulgação e Utilização de Informações Específicas sobre Transações Financeiras e a Lei sobre a Proteção dos Usuários de Ativos Virtuais têm como foco o combate à lavagem de dinheiro e a proteção do investidor.
O presidente da FSC revelou que a nova legislação visa servir como uma estrutura legal abrangente que regule todo o setor de criptomoedas. Ele também mencionou o sistema atual, que permite que as corretoras de ativos digitais operem sob um sistema de notificação com um requisito de renovação a cada 3 anos.
Lee acredita que a transição para um sistema de autorização concederia, na prática, status operacional permanente às corretoras locais na Coreia do Sul. Ele argumentou que um status superior exige que as corretoras de criptomoedas adotem regras de governança que estejam alinhadas com seus papéis e responsabilidades mais amplos.
“A concentração excessiva de propriedade pode aumentar o risco de conflitos de interesse e prejudicar a integridade do mercado. As bolsas de valores e os sistemas alternativos de negociação já estão sujeitos a limites de propriedade, o que torna razoável aplicar padrões semelhantes às plataformas de ativos virtuais.”
–Lee Eog-weon, Presidente da Comissão de Serviços Financeiros da Coreia do Sul.
Lee também reconheceu que a iniciativa faz parte de um esforço mais amplo da Coreia do Sul para integrar as corretoras de criptomoedas ao sistema financeiro tradicional. A FSC acredita que a iniciativa reforçará a responsabilidade, a transparência e o interesse público.
A DAXA e o Partido Democrático da Coreia, no poder, opõem-se à iniciativa da FSC de limitar a participação acionária
A DAXA já havia se oposto à iniciativa da FSC de limitar a participação dos principais acionistas em corretoras de ativos virtuais a cerca de 20%. Cryptopolitan noticiou que o conselho conjunto representando as principais corretoras de criptomoedas locais, incluindo Coinone e Upbit, alertou que a proposta poderia prejudicar o desenvolvimento do setor de ativos virtuais na Coreia.
Os acionistas da Dunamu, operadora da Upbit, incluindo o presidente Song Chi-hyung e outras partes relacionadas, detêm mais de 28% das ações da empresa. O fundador da Coinone, Cha Myung-hoon, detém aproximadamente 53% das ações da empresa. A nova lei da FSC obrigaria os acionistas das corretoras de criptomoedas a se desfazerem de uma parcela significativa de suas participações.
O Partido Democrático, no poder na Coreia do Sul, também argumentou que limites semelhantes à participação acionária em corretoras de criptomoedas são incomuns internacionalmente. O partido acredita que esses limites podem colocar a Coreia do Sul em desacordo com as tendências regulatórias globais.
Lee respondeu às preocupações levantadas, revelando que continua em contato próximo com o partido. Ele argumentou que, embora haja um amplo consenso sobre a necessidade da iniciativa, discussões em andamento definem seu escopo e cronograma.
Lee afirmou que a Lei Básica de Ativos Digitais é um importante empreendimento legislativo. Ele revelou que haverá consultas contínuas com a Assembleia Nacional e os ministérios relevantes para garantir que a legislação avance sem atrasos desnecessários.
Cryptopolitan anteriormente noticiou que a FSC planeja permitir que mais de 3.500 empresas listadas e investidores profissionais invistam diretamente em criptomoedas. O órgão regulador financeiro permitirá que as empresas invistam até 5% de seu capital próprio em ativos digitais.
As autoridades também revelaram que a FSC está em negociações com legisladores para elaborar uma proposta legislativa para a Lei-Quadro sobre ativos digitais. A lei é esperada para o primeiro trimestre, com um limite anual de depósito ou investimento para empresas, limitado a 5% do seu capital inicial.

