A Turquia não desistiu do BRICS. O ministro das Relações Exteriores, Hakan Fidan, afirmou que o país continua buscando ativamente a adesão à aliança econômica liderada por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, após décadas de exclusão da União Europeia.
Em entrevista à Bloomberg na sexta-feira, Fidan confirmou que a Turquia está "explorando a possibilidade de ingressar em grupos como o BRICS" porque precisa de mais opções econômicas. "A UE era nossa primeira escolha", disse ele. "Se não pudermos fazer parte da UE, outras alternativas estarão sempre em aberto."
A Turquia, embora oficialmente membro da OTAN, tem se posicionado cada vez mais como uma potência neutra entre o Oriente e o Ocidente. O país se recusa a aderir às sanções ocidentais contra a Rússia e mantémtronlaços comerciais e energéticos com Moscou, mesmo com as críticas de seus aliados da OTAN às suas decisões.
A Turquia solicitou oficialmente a adesão ao BRICS em novembro de 2024, mas recebeu apenas o status de "país parceiro", uma posição secundária que não confere direito a voto nem os benefícios de um membro pleno. Fidan deixou claro que Ancara não está satisfeita com esse status.
“Estamos interessados, mas ainda não nos foi oferecido um convite para aderir”, disse Fidan na cúpula de ministros das Relações Exteriores do G-20 em Joanesburgo, África do Sul, na sexta-feira.
Como mencionado anteriormente, a busca da Turquia por adesão ao BRICS é resultado direto de sua longa trajetória de fracasso em ingressar na UE. O país solicitou a adesão à UE pela primeira vez em 1987, mas sua candidatura está travada em negociações há mais de três décadas.
Bruxelas tem bloqueado repetidamente a entrada de Ancara, alegando preocupações com os direitos humanos, os padrões democráticos e as diferenças políticas. Durante a entrevista , Fidan rejeitou esses motivos, afirmando que a verdadeira questão é a discriminação cultural.
Ancara acusa há muito tempo a UE de atrasar deliberadamente a sua adesão por ser uma nação de maioria muçulmana.
O empenho da Turquia em promover ações multilaterais se reflete em sua abordagem em relação à África, onde estabeleceu laços com países como a Somália no combate ao terrorismo. "A Turquia está oferecendo uma oportunidade para alguns países africanos", disse Fidan.
A expansão e a desdolarização dos BRICS
O grupo BRICS adicionou cinco novos membros no último ano, incluindo Irã, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Egito e Indonésia. A Arábia Saudita também foi convidada, mas ainda não tomou uma decisão final.
A Turquia, juntamente com a Malásia e a Tailândia, é uma das nações mais recentes a querer aderir ao grupo. Fidan disse à Bloomberg: “No mundo moderno, nenhum país consegue sozinho superar os problemas econômicos e políticos. A autossuficiência é uma opção para todos os Estados-nação.”
A Turquia tem particular interesse na cooperação financeira dos BRICS, que inclui esforços para reduzir a dependência do dólar americano no comércio global. O bloco tem promovido a desdolarização, com muitos membros já liquidando transações de petróleo e comércio em suas moedas locais em vez de dólares.
Isso gerou uma resposta direta de Donald Trump, que retornará à Casa Branca em 2025. Odent dos EUA, Donald Trump, ameaçou com retaliação econômica qualquer país que abandone o dólar.
“A ideia de que os países do BRICS estão tentando se afastar do dólar enquanto ficamos de braços cruzados acabou. Vamos exigir um compromisso desses países aparentemente hostis de que não criarão uma nova moeda do BRICS, nem apoiarão qualquer outra moeda para substituir o poderoso dólar americano, ou enfrentarão tarifas de 100% e deverão se despedir das vendas para a maravilhosa economia americana”, disse Trump em uma publicação no Truth Social, mesmo antes de vencer as eleições de 5 de novembro.
A Rússia e a China, as duas vozes mais proeminentes do BRICS, têm sido as principais impulsionadoras da desdolarização. Moscou, que está isolada dos sistemas financeiros ocidentais devido às sanções dos EUA, está pressionando por um sistema de pagamentos transfronteiriços baseado no BRICS, que operaria fora da influência de Washington.
O Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), instituição financeira liderada pelos BRICS, também intensificou seus empréstimos. Desde seu lançamento em 2015, o banco aprovou quase US$ 33 bilhões em empréstimos, com foco em projetos de infraestrutura e desenvolvimento nos países membros. Mas esse valor ainda é muito inferior aos US$ 117,5 bilhões em compromissos do Banco Mundial para 2024.
O objetivo final do BRICS é criar uma ordem mundial multipolar, transferindo o poder dos Estados Unidos e da Europa para outros países. A China, em particular, tem atraído ativamente as nações do Sul Global para sua órbita econômica, a fim de desafiar a hegemonia financeira ocidental.
Mas a expansão gerou tensões dentro do próprio BRICS, já que a Índia se opõe a ela, temendo que se transforme em uma aliança pró-China. O Brasil também se mostrou hesitante, preocupado em prejudicar seus laços cuidadosamente cultivados com os EUA e a Europa.
Quando Biden eradent, a Rússia era a principal voz a favor de prejudicar os Estados Unidos, mas a vitória de Trump pode ter atrapalhado esse plano, já que osdentPutin e Trump reacenderam sua amizade, e Putin disse que não estava mais interessado em destronar o dólar.

