Os líderes europeus estão encarando seu pior pesadelo: a Rússia está se tornando mais agressiva e eles podem ter que lidar com isso sozinhos.
Os EUA deixaram dolorosamente claro qual é a sua posição. Quando se juntaram à Rússia e à Coreia do Norte para bloquear uma resolução da ONU que condenava a invasão da Ucrânia por Putin, soaram os alarmes por toda a Europa. Mas o verdadeiro golpe veio quando Trump humilhou Zelensky no próprio Salão Oval, diante do mundo inteiro. Aquele momento destruiu qualquer resquício de confiança que ainda existisse entre os EUA e seus aliados europeus.
Mais de meia dúzia de altos funcionários europeus, que mantiveram a compostura em meio a guerras e colapsos financeiros, reagiram com pura fúria. Para eles, isso não era apenas uma má demonstração de diplomacia — era a prova de que os EUA e a Europa não compartilham mais os mesmos valores. A aliança de segurança que existia desde a Segunda Guerra Mundial acabara de ser posta em xeque.
Putin oferece acordos de terras raras enquanto a Europa se mobiliza
Putin, percebendo a oportunidade, não perdeu tempo. Em um vídeo que viralizou, ele afirmou estar aberto à cooperação com os EUA na exploração de minerais de terras raras. "Estaremos abertos à cooperação com nossos parceiros americanos", disse ele. Esclareceu que isso inclui empresas privadas, não apenas o governo.
Ele também destacou que a Rússia possui reservas muito maiores desses minerais do que a Ucrânia. "A Rússia possui recursos significativamente maiores desse tipo (minerais de terras raras) do que a Ucrânia", afirmou. Ele listou Murmansk, o Cáucaso, Irkutsk, Yakutia e Tuva como áreas-chave para a mineração. Mas atracdesses recursos não é barata. A Rússia precisa de investimento estrangeiro, e Putin está disposto a trabalhar com quem estiver disposto — até mesmo com os Estados Unidos.

“O mesmo vale para os novos territórios”, acrescentou Putin, referindo-se às áreas que a Rússia conquistou desde a invasão da Ucrânia em 2022. “Estamos prontos para trabalhar com nossos parceiros, incluindo os americanos.”
Com Trump recuando e a Rússia avançando, a Europa precisa agir rápido. Macron, Starmer e von der Leyen estão se reunindo com Zelensky em Londres para definir os próximos passos. A UE já está trabalhando em um pacote emergencial de ajuda militar no valor de € 20 bilhões (US$ 21 bilhões) para a Ucrânia. Mas isso é apenas uma gota no oceano. Eles precisam de centenas de bilhões a mais para reconstruir sua defesa.
Pela primeira vez em 80 anos, a Europa se prepara para assumir total responsabilidade por sua própria segurança. Isso exigirá investimentos maciços, algo que foi evitado por décadas. "Embora eu queira imaginar que a Europa se mobilizará para preencher essa lacuna, e o fará a tempo, apostaria 3 para 1 contra isso", disse Allison. Ele espera que a Ucrânia aceite um acordo de paz amargo até o final do verão.
A relação comercial entre a UE e os EUA é a maior do mundo, movimentando € 1,6 trilhão em 2023, com € 5,3 trilhões investidos entre os dois mercados. Mas, com Trump ameaçando impor tarifas sobre as exportações da UE, a Comissão Europeia está se preparando para retaliar. Eles estão elaborando listas de produtos americanos que serão alvo de sanções caso Trump concretize a ameaça.
Além disso, a Europa está olhando para outros lugares. Está fortalecendo os laços com o Canadá, a Ásia e a América Latina. A mensagem é clara: se Trump não colaborar, eles encontrarão novos parceiros comerciais.
O Reino Unido se aproxima cada vez mais da Europa à medida que a crise se agrava
A crise com os EUA também aproximou o Reino Unido da UE, após anos de desavenças em relação ao Brexit. Na terça-feira, o primeiro-ministro britânico afirmou que a mudança no cenário geopolítico exige uma “nova aliança” entre o Reino Unido e a Europa.
Um alto funcionário da UE disse à Bloomberg que os orçamentos de defesa precisam saltar para 3% do PIB no próximo ano. Em casos extremos, esse percentual poderia chegar a 7%. Atualmente, a Europa depende muito dos EUA para inteligência, operações espaciais e comunicações em campo de batalha. Se Trump cortar esse apoio, substituí-lo será praticamente impossível.
É por isso que alguns líderes, como Giorgia Meloni, querem uma cúpula com os EUA para salvar o que resta da relação. Mas para muitos na Europa, é hora de seguir em frente. O foco está mudando para a construção de um sistema de defesa sem os EUA.
Durante décadas, a aliança EUA-UE funcionou porque se baseava na confiança. As nações optaram por fazer parte dela. Mas Trump quebrou essa confiança, e a Europa está respondendo buscando alternativas.

