Donald Trump diz que está novamente ao telefone — desta vez para forçar Israel e Irã a se sentarem e descobrirem como não destruir o planeta.
Em uma longa publicação no Truth Social, o presidente dent acreditar que ambos os países “deveriam chegar a um acordo, e chegarão a um acordo”, e que pretende usar o comércio americano para que isso aconteça. Ele comparou a situação à forma como alega ter apaziguado as tensões entre a Índia e o Paquistão no mês passado.
O método, segundo Trump, era simplesmente a alavancagem comercial. "O COMÉRCIO com os Estados Unidos trouxe razão, coesão e bom senso", publicou ele, chamando os líderes com quem negociou de "excelentes" e "capazes de tomar decisões rápidas e PARAR!"
Entretanto, segundo uma reportagem da Reuters, Trump já bloqueou um plano israelense para assassinar o Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Dois altos funcionários americanos disseram à agência que Trump rejeitou a ideia sob a alegação de que nenhum americano havia sido morto até então.
Um deles teria dito: “Os iranianos já mataram algum americano? Não. Até que isso aconteça, nem sequer vamos falar em atacar a liderança política”. Esse veto, aliado à repentina pressão de Trump pela paz, sugere que ele quer um acordo, não uma nova guerra.
Trump afirma que Irã e Israel estão prontos para dialogar
Trump também afirmou que as negociações já estavam em andamento, embora não tenha dito quem estava na sala nem o que estava sendo dito. "Muitas ligações e reuniões estão acontecendo agora", escreveu ele.
Ele afirmou que seu trabalho na Sérvia e no Kosovo, e posteriormente no Egito e na Etiópia, demonstra sua capacidade de impedir que conflitos de décadas se transformem em guerras declaradas. "Há paz, pelo menos por enquanto, graças à minha intervenção", escreveu ele sobre a disputa do Rio Nilo.
Ele prometeu que a mesma abordagem seria usada para apaziguar os ânimos entre Teerã e Tel Aviv, concluindo com: "FAÇA O ORIENTE MÉDIO SER GRANDE NOVAMENTE!"
Mas há um problema. Essa história não coincide com o que o primeiro-ministro israelense,enjNetanyahu, está dizendo. No fim de semana,enjdeclarou à imprensa que a campanha de Israel contra o Irã se intensificaria. Essa mensagem contradiz diretamente a afirmação de Trump de que as negociações estão em andamento.
Mas Trump reiterou sua posição em uma entrevista à ABC News, dizendo: "Algo assim tinha que acontecer... Eles querem conversar e vão conversar. Isso pode até ter acelerado o acordo."
O conflito leva o petróleo, a inflação e as taxas de juros ao caos
As consequências do crescente conflito já estão se espalhando pela economia global. Se a situação não se acalmar em breve, o JP Morgan prevê que os preços do petróleo podem chegar a US$ 130 por barril. Esse valor é suficiente para elevar a inflação nos EUA dos níveis atuais para 5%, o dobro do patamar atual.
Isso também atrasaria qualquer possível corte nas taxas de juros este ano, algo que os investidores já estão considerando. Todos os principais mercados que lidam com petróleo estão se preparando para o pior.
O Irã está atualmente produzindo 3,3 milhões de barris por dia, ou cerca de 3,5% da oferta global, mas não é apenas a produção que está sendo observada. O verdadeiro perigo reside no Estreito de Ormuz, uma estreita faixa de água com 34 quilômetros de largura que recebe 20 milhões de barris por dia — quase a mesma quantidade que os EUA consomem diariamente.
Se o Irã bloquear a rota, 88% das exportações de petróleo do Golfo Pérsico ficarão retidas. Não há como contornar a situação. Tudo o que o Irã precisa fazer é assustar a Lloyd's de Londres, e os navios começarão a recuar.
É por isso que os analistas acreditam que a questão não se resume mais apenas ao preço. O problema maior é se as cadeias de suprimentos globais, baseadas em entregas just-in-time, conseguirão sobreviver a esse tipo de choque energético. Tudo depende de o estreito permanecer aberto. O mundo apostou que ele nunca fechará. Essa aposta pode falhar.
Entretanto, a taxa de inflação de Israel caiu mais do que o esperado em maio, atingindo 3,1%, abaixo dos 3,4% previstos por analistas em uma pesquisa da Reuters. Ainda assim, permanece acima da meta do governo de 1% a 3%, e as autoridades alertam que a guerra pode desfazer qualquer progresso alcançado. O Banco Central de Israel atribui a queda a problemas contínuos de abastecimento relacionados ao conflito, embora admita que a demanda interna esteja contribuindo para manter os preços elevados.

