Na sexta-feira, Trump ordenou novas sanções contra o Irã, visando empresas, embarcações e indivíduos acusados de fornecer financiamento para os programas militares de Teerã.
O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a repressão vinda de Washington, atingindo oito entidades, uma pessoa e um navio envolvidos na movimentação de ferramentas sensíveis usadas na construção de mísseis, drones e outras armas.
O governo afirmou que a decisão visa limitar o acesso do Irã a tecnologias de dupla utilização — equipamentos que podem ser usados tanto para fins civis quanto militares. O comunicado citou a Unico Shipping Co Ltd e a Athena Shipping Co Ltd, duas empresas sediadas em Hong Kong, como participantes no transporte de máquinas e componentes para o setor de defesa iraniano.
Essas inclusões na lista de sanções dos EUA seguem crescentes preocupações de que Teerã esteja intensificando o desenvolvimento de armas usadas em conflitos no Oriente Médio.
“Os Estados Unidos permanecem determinados a interromper qualquer esforço do Irã para adquirir a tecnologia, os componentes e o maquinário sensíveis e de dupla utilização que sustentam os programas de mísseis balísticos, veículos aéreos não tripulados e armas assimétricas do regime”, disse Scott Bessent, Secretário do Tesouro dos EUA. “O Tesouro continuará a prejudicar a capacidade do Irã de produzir e proliferar essas armas mortais, que ameaçam a estabilidade regional e a segurança global.”
Trump amplia repressão a negócios petrolíferos ligados aos houthis
No mesmo dia, o Departamento do Tesouro de Trump anunciou um novo pacote de sanções antiterroristas, desta vez atingindo uma rede de suprimentos que apoia os houthis, o grupo militante apoiado pelo Irã que opera no Iêmen.
Essa ação visa quatro indivíduos, 12 empresas e duas embarcações envolvidas no transporte de petróleo e mercadorias ilícitas para financiar os rebeldes. Autoridades americanas afirmaram que o objetivo é cortar o fluxo de receita que alimenta a guerra por procuração do Irã na região.
A notícia surgiu apenas 24 horas depois de Israel ter bombardeado instalações nucleares iranianas, um ataque que provocou uma resposta imediata do Irã, que lançou mísseis e drones em direção ao território israelense. Ambos os lados se recusam a recuar no conflito, que já dura uma semana. Apesar de não haver sinais de desescalada, a Casa Branca afirmou que Trump aguardará até duas semanas para decidir se envolverá as forças americanas no impasse entre Israel e Irã. O mercado não esperou.
Os preços do petróleo despencaram na sexta-feira, com os investidores reagindo ao tommatic da Casa Branca. O petróleo Brent encerrou o dia em queda de US$ 1,84, ou 2,33%, fechando a US$ 77,01 por barril. O West Texas Intermediate (WTI) para julho — que não foi negociado na quinta-feira devido a um feriado — caiu 21 centavos, fechando a US$ 74,93. Otracde agosto, mais negociado, encerrou a US$ 73,84. Apesar da queda, o Brent registrou alta de 3,6% na semana, e os contratos futuros de petróleo bruto dos EUA para o mês seguinte subiram 2,7% no mesmo período.
Analistas monitoram o Estreito de Ormuz e a contagem de plataformas de perfuração em busca de pistas
Os investidores estão de olho no Estreito de Ormuz, uma rota estreita, porém crucial para as exportações de petróleo do Oriente Médio. O Irã ameaçou repetidamente fechá-lo em momentos de crise. Até o momento, o fluxo de petróleo permanece intacto, mas a tensão está aumentando. "A direção dos preços do petróleo daqui para frente dependerá da ocorrência ou não de interrupções no fornecimento", afirmou Giovanni Staunovo, analista do UBS.
Se o Irã bloquear o estreito ou se Israel atacar a infraestrutura de exportação iraniana, o preço do petróleo bruto poderá disparar. Ashley Kelty, analista de energia da Panmure Liberum, alertou que a possibilidade de o petróleo atingir US$ 100 por barril não está descartada. Esse cenário aumentaria ainda mais a pressão sobre os mercados globais, que já estão instáveis.
Enquanto isso, nos EUA, a pressão também recai sobre a oferta. A empresa de serviços energéticos Baker Hughes informou que as empresas americanas de petróleo e gás reduziram o número de plataformas de perfuração por oito semanas consecutivas, a maior queda desde setembro de 2023. Na semana que terminou em 20 de junho, o número de plataformas caiu em uma, para 554, o menor valor desde novembro de 2021. O número de plataformas é frequentemente usado como um indicador prospectivo da produção futura de petróleo.
Em outra frente, a União Europeia recuou discretamente de sua proposta anterior de reduzir o teto do preço do petróleo russo para US$ 45, conforme noticiado pela Bloomberg. Isso serve como mais um lembrete de que, mesmo com os EUA, sob a presidência de Trump, intensificando a repressão ao Irã e seus aliados, os governos europeus estão trilhando um caminho diferente em relação às estratégias de controle energético.

