O S&P 500 não é mais a bola de cristal econômica que costumava ser. O índice parecetronna superfície porque aquele pequeno grupo de gigantes da tecnologia (você sabe, Nvidia, Microsoft e Meta Platforms) está carregando todo o peso com mais força do que nunca.
Mas o problema é que essas megacaps cresceram tanto que agora representam cerca de um terço do valor total do S&P 500. São sete empresas distorcendo o sinal do índice.
Durante anos, o índice foi considerado um indicador econômico antecedente, sendo inclusive utilizado pelo Conference Board em seu Índice Antecedente Econômico de 10 componentes. Mas agora, essa função preditiva parece comprometida. O restante do mercado, o chamado “S&P 495”, tornou-se o verdadeiro indicador do que está de fato acontecendo.
Sete ações de tecnologia impulsionam todo o índice para cima
Até agora, em 2025, o S&P 500 valorizou mais de 8%. Mas esse número é enganoso se você se importa com o mercado em geral. As sete maiores ações do índice subiram mais de 14% em média, e a alta mediana entre elas é superior a 20%.
As outras 493 empresas? Elas conseguiram um aumento médio e mediano de pouco mais de 5%. Essa diferença mostra o quanto o índice se tornou concentrado nas maiores empresas.
O ETF Invesco S&P 500 Equal Weight (RSP), que atribui a mesma importância a todas as ações, caiu 0,1 % esta semana. No mesmo período, o índice padrão ponderado por capitalização de mercado perdeu mais de 1%. Sem as ações de tecnologia puxando o mercado para baixo, o cenário muda.
Setores como energia, imobiliário e saúde, que apresentaram desempenho inferior durante todo o ano, finalmente estão em alta nesta semana. Enquanto isso, as mesmas empresas de tecnologia que lideraram a recuperação estão com desempenho abaixo do esperado.
E não é apenas o S&P 500 que está sendo distorcido. O índice Russell 2000, de pequenas empresas, que vinha apresentando um pequeno ganho de 1,6% durante todo o ano, subiu 2,5% em agosto. Isso supera o S&P 500, que teve um ganho inferior a 1% no mesmo período.
Se as condições macroeconômicas melhorarem ou se o Fed começar a cortar as taxas de juros, empresas menores e mais endividadas poderão se recuperar mais rapidamente. Mas, como o S&P 500 é tão concentrado em grandes empresas de tecnologia, essas mudanças podem não ser refletidas no índice, e qualquer recuperação econômica mais ampla pode passar despercebida pelo índice de referência.
E, neste momento, Wall Street não está imune. Na quinta-feira, os futuros das ações americanas praticamente não se moveram. Os futuros do Dow Jones subiram apenas 50 pontos. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq 100 subiram cerca de 0,1% cada.
Essa estabilização ocorreu após cinco dias consecutivos de perdas. O S&P 500 caiu 0,4%, o Nasdaq recuou 0,34% e o Dow Jones perdeu 152,81 pontos, ou 0,34%. A tendência é clara. O ciclo de alta está perdendo força, e o rali das megacaps pode estar chegando ao fim. O sinal está piscando, mas é difícil dizer se é um aviso ou apenas ruído.
Até mesmo histórias individuais de ações estão mostrando essa instabilidade. As ações da Mastercard recuaram até sua média móvel de 200 dias em junho. Depois, voltaram a subir. Nas últimas semanas, encontraram resistência e agora estão testando sua máxima histórica em torno de US$ 595. Já haviam recuperado todas as perdas do primeiro trimestre no início de maio. Após atingir um novo recorde no início de junho, caíram novamente para o nível da média móvel de 200 dias. É onde estão agora, testando o limite.

