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Os problemas com a Polymarket 2025 continuam: Tailândia pretende proibir o principal mercado de previsões de criptomoedas

PorJai HamidJai Hamid
Tempo de leitura: 3 minutos
  • A Tailândia planeja proibir o Polymarket, alegando que se trata de um jogo de azar online ilegal devido ao uso de criptomoedas para apostas.
  • Singapura já havia bloqueado a plataforma em dezembro, com usuários relatando problemas de acesso já no mesmo fim de semana.
  • O volume de negociações da Polymarket atingiu US$ 5 bilhões durante as eleições americanas de 2024, mas desde então despencou para US$ 515 milhões em janeiro.

A Tailândia se juntou à crescente lista de países que estão reprimindo o Polymarket, a plataforma de previsão que utiliza criptomoedas.

As autoridades anunciaram planos para banir a plataforma, acusando-a de "facilitar jogos de azar online ilegais". A medida coloca a Tailândia em traccom nações como Singapura, França e Taiwan, que já tomaram medidas contra a Polymarket, intensificando os problemas regulatórios da plataforma.

A repressão na Tailândia ocorre depois que as autoridades locais declararam a Polymarket ilegal devido ao uso de criptomoedas para apostas. "Esta plataforma viola nossas leis de jogos de azar", afirmou a polícia em uma coletiva de imprensa na terça-feira.

Eles enfatizaram que, embora as criptomoedas não sejam proibidas, usá-las para apostas não regulamentadas ultrapassa os limites da lei. Autoridades tailandesas estão se preparando para bloquear formalmente a plataforma, uma medida que deverá interromper suas operações na região.

Singapura lidera a ofensiva contra o Polymarket

A decisão da Tailândia segue o exemplo de Singapura. Em dezembro, a Autoridade Reguladora de Jogos de Azar de Singapura (GRA) bloqueou a Polymarket, alegando atividades de jogos de azar ilegais. Um porta-voz da GRA afirmou que as operações da plataforma eram incompatíveis com as leis de Singapura, o que motivou a proibição.

No mesmo fim de semana, usuários em Singapura relataram ter perdido o acesso ao site, alimentando especulações sobre um esforço regulatório coordenado.

A Polymarket permite que os investidores façam apostas usando criptomoedas, comprando ações com a opção "sim" ou "não" sobre os resultados de eventos. A eleiçãodentdos EUA de 2024 transformou a plataforma em uma sensação, com um volume de negociações de US$ 5 bilhões registrado apenas em outubro e novembro.

Mas tão rápido quanto a empolgação surgiu, ela se dissipou. Em dezembro, o volume de negociações despencou para US$ 1,9 bilhão, e os números de janeiro giram em torno de US$ 515 milhões. Para piorar a situação da Polymarket, ela enfrenta uma batalha constante com os órgãos reguladores dos EUA.

A Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) está investigando a plataforma por possíveis violações das normas financeiras dos EUA. Em 2022, a Polymarket proibiu que usuários dos EUA fizessem acordos com a CFTC, mas a fiscalização continua rigorosa. Em novembro, o FBI cumpriu um mandado de busca e apreensão contra o CEO da Polymarket, Shayne Coplan, como parte de uma investigação criminal.

Da frenética atividade eleitoral ao caos regulatório

A ascensão da Polymarket foi impulsionada pela inovação que trouxe aos mercados de previsão. Ela permitiu que os usuários especulassem sobre tudo, desde resultados eleitorais até as extravagâncias de celebridades. Durante a eleiçãodentdos EUA, a plataforma movimentou volumes recordes.

Dados da Dune Analytics sobre blockchain mostram que o volume máximo de transações em novembro foi 37.700% maior do que no mesmo mês do ano anterior. No entanto, o sucesso da plataforma chamou a atenção dos órgãos reguladores, tornando-a um alvo global.

França e Taiwan também impuseram restrições à Polymarket em 2024. Críticos nesses países destacaram preocupações éticas sobre algumas de suas opções de apostas. Por exemplo, a plataforma enfrentou reações negativas por oferecer apostas em incêndios florestais na Califórnia, o que muitos consideraram como exploração da tragédia. A Polymarket ainda não respondeu a essas críticas nem aos pedidos de comentários.

Apesar do escrutínio regulatório, a Polymarket afirma que seu objetivo é atuar como uma “fonte de verdade”, prevendo eventos antes que a mídia tradicional os cubra. No entanto, essa ambição não a protegeu da controvérsia. Na Tailândia e em Singapura, as autoridades a classificaram como uma operação de jogos de azar, em vez de uma fonte de informação, o que representou mais um golpe em sua credibilidade.

Enquanto a Polymarket enfrenta dificuldades, sua concorrente Kalshi ganha força. Diferentemente da Polymarket, a Kalshi é legal nos EUA, graças a uma decisão judicial de setembro que lhe permitiu operar sob a supervisão da CFTC (Comissão de Negociação de Futuros de Commodities). Isso dá à Kalshi uma vantagem, especialmente por garantir o apoio de figuras de destaque. Donald Trump Jr. anunciou recentemente que se juntará à Kalshi como consultor, aumentando o burburinho em torno de sua futura expansão.

Vale ressaltar que a Polymarket não é a única plataforma sob investigação. A CFTC está apurando outras plataformas de criptomoedas.

A Crypto.com, por exemplo, está sob investigação por oferecertracfuturos vinculados a grandes eventos esportivos, como o Super Bowl. Kalshi também enfrentou críticas, principalmente por mercados ligados a tragédias de grande repercussão, como o assassinato de um executivo da UnitedHealth. 

O excelente desempenho da Polymarket em 2024 parece uma lembrança distante, diante dos crescentes desafios legais e éticos que a empresa enfrenta. Seu volume de contratos em aberto — ou seja, o valor dos mercados não resolvidos — caiu 77% entre novembro e janeiro, sinalizando um declínio acentuado na atividade.

Embora já tenha dominado os mercados de previsão de criptomoedas, seu futuro agora parece incerto, com reguladores em todo o mundo apertando o cerco. Resta saber se conseguirá se recuperar, mas as perspectivas não são nada animadoras.

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Jai Hamid

Jai Hamid

Jai Hamid cobre criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados há seis anos. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, em análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e compartilhou três vezes suas análises sobre o mercado de criptomoedas em uma das principais redes de TV da África.

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