A Tesla acaba de fazer algo que nenhuma das outras ações do Magnificent 7 conseguiu em 2025. Ela fechou acima de sua média móvel de 200 dias, tornando-se a única do grupo a recuperar esse patamar técnico.
No entanto, a recuperação ocorreu depois que as ações já haviam perdido cerca de 30% no acumulado do ano, e ninguém que está comprando nessa alta está olhando para os números da empresa. Os dados parecem piores do que nunca.
Segundo a Redburn Atlantic, os investidores da Tesla deveriam se preparar para vender suas ações. Na terça-feira, a empresa recomendou aos clientes que vendessem, alertando para um ano difícil pela frente, com queda nas vendas e fluxo cash mais apertado.
Adrian Yanoshik, analista da Redburn, escreveu em um relatório que "nossa perspectiva desafiadora de lucros incorpora os obstáculos impostos pelos preços dos veículos elétricos (VE), pelas tarifas entre México e EUA e entre China e Europa". Ele afirmou que a empresa espera que os lucros e o fluxo cash livre fiquem 10% abaixo das estimativas de Wall Street.

Redburn prevê mais quedas à medida que os riscos relacionados aos veículos elétricos aumentam
Yanoshik não parou por aí. Ele apontou para os possíveis riscos vindos de Washington, dizendo:
“Observamos riscos ainda maiores de rebaixamentos associados a uma possível revogação dos créditos para veículos limpos previstos na Lei de Redução da Inflação (IRA) dos EUA.”
Se esses créditos federais desaparecerem, os compradores da Tesla podem perder um importante desconto, o que poderia prejudicar ainda mais a demanda já instável. Redburn prevê um preço-alvo de US$ 160, o que representa uma queda de 44% em relação ao fechamento de segunda-feira, de US$ 285,88.
Isso limita drasticamente o otimismo que impulsionou as ações em 18% após resultados desastrosos. Os investidores estão negociando essas ações como se fossem uma piada. Elas não estão se valorizando com base no desempenho, mas sim em ilusões.
Yanoshik também afirmou que a nova versão atualizada do Model Y, cujas entregas começaram em março, não trará grandes mudanças. "Embora o objetivo seja reativar as vendas, consideramos apenas um aumento modesto no volume líquido", disse ele.
Também haverá um modelo mais barato em junho, mas a empresa ainda não o apresentou, não divulgou seu nome nem revelou quais serão suas diferenças. A única informação disponível é que ele será lançado. Isso não é um plano definitivo, apenas uma previsão.
Os números reais de desempenho são péssimos. Nos últimos quatro anos, a Tesla ficou 15 pontos percentuais abaixo do índice S&P 500. Os acionistas sofreram grandes prejuízos com as oscilações bruscas das ações.
E nada de concreto saiu da empresa desde o SUV Model Y, lançado em 2019. Esse foi o último grande lançamento. Nenhuma inovação real em mais de cinco anos.
As ações da Tesla continuam extremamente sobrevalorizadas, enquanto os investidores ignoram os números
Vamos falar sobre avaliação. A S&P CapitalIQ afirma que a relação preço/lucro da Tesla é de 164x. Isso significa que os compradores estão pagando 164 vezes o lucro da empresa por cada ação. A relação preço/vendas é de 9,51x, o que ainda indica que a empresa está sobrevalorizada.
Para contextualizar, a maioria das empresas sólidas negocia a cerca de 2 a 3 vezes o valor das vendas. Se você está pagando quase 10 dólares para cada 1 dólar de receita, é melhor ter certeza de que a empresa vai triplicar seus negócios. Mas a Tesla não está dando sinais de que sequer conseguirá crescer.
O ex-CEO da Sun Microsystems, Scott McNealy, disse certa vez: "Com um múltiplo de 10 vezes a receita, para garantir um retorno de 10 anos, eu teria que pagar 100% da receita em dividendos por 10 anos consecutivos." Em seguida, ele fez a única pergunta que importa: "O que vocês estavam pensando?" Os cálculos não mudaram. Os investidores é que estão ignorando.
Os sonhos que as pessoas estão comprando não são sobre carros. Vitaliy Katsenelson, um gestor de fundos de investimento baseado em Denver, explicou da seguinte forma: dos US$ 900 bilhões de valor de mercado da Tesla, apenas US$ 100 a US$ 180 bilhões vêm do negócio de carros em si.
O resto? Tudo isso está ligado a ideias que Elon Musk apresentou — como robotáxis, robôs e software para direção autônoma — nenhuma das quais se tornou um negócio real ainda. Os acionistas estão basicamente apostando em coisas que ainda não aconteceram.
Mesmo o software de direção autônoma completa, que está em versão beta há uma eternidade, ainda não está finalizado. Ninguém sabe quando ele realmente funcionará. E o conselho da Tesla não édent o suficiente para fazer perguntas ou questionar os cronogramas. Eles simplesmente estão acompanhando o processo.
Antes das eleições de 2024, a empresa já enfrentava problemas sérios. As montadoras tradicionais estavam lançando veículos elétricos melhores, e o carregamento ainda era um pesadelo para os clientes.
A ansiedade em relação à autonomia ainda é real. O Model 3 e o Model Y já têm mais de cinco anos. A Cybertruck é cara demais e está se deteriorando. A direção autônoma completa mal funciona. E robôs? Ninguém além de Elon Musk acredita que eles chegarão tão cedo.

