O fundador do Telegram, Pavel Durov, foi interrogado por investigadores na França como parte da investigação em curso sobre o suposto papel de seu aplicativo na disseminação de conteúdo ilegal.
Sua mais recente intimação a comparecer a um tribunal em Paris sinaliza que o judiciário francês não está aliviando a pressão sobre o empreendedor de tecnologia, apesar de admitir que a plataforma melhorou a cooperação com as autoridades.
Durov comparece em tribunal francês para mais interrogatórios
O fundador e diretor executivo do Telegram, Pavel Durov, foi interrogado novamente por magistrados de instrução em Paris esta semana, informaram o portal francês de criptomoedas Journal du Coin e a agência de notícias AFP, citando fontes confiáveis.
O russo de 40 anos foi acusado de cumplicidade em atividade criminosa por administrar um aplicativo de mensagens que permitia o compartilhamento de conteúdo ilegal, incluindo pornografia infantil, e transações ilícitas. Este é o seu terceiro interrogatório desde que foi indiciado por múltiplas violações nesse sentido.
Durov já rejeitou essas alegações. Na segunda-feira, ele compareceu a um tribunal em Paris acompanhado de quatro de seus advogados, que posteriormente revelaram que ele havia fornecido explicações adicionais "demonstrando a inanidade dos fatos que são objeto da investigação"
No entanto, embora afirme que nunca teve a intenção o Telegram para fins ilícitos, Durov já reconheceu o aumento da atividade criminosa na plataforma e concordou em reforçar a moderação.
Desde então, as autoridades francesas notaram uma melhora na cooperação do Telegram, de acordo com fontes policiais citadas pela Agence France-Presse.
A saga francesa de Pavel Durov continua
O bilionário nascido na Rússia, que também possui cidadania francesa, foi preso em agosto de 2024 e interrogado pela primeira vez em dezembro. Inicialmente, ele foi proibido de deixar o país, mas, no início de julho, foi autorizado a visitar os Emirados Árabes Unidos, onde fica a sede do Telegram, em Dubai.
Apesar de ter atendido às preocupações expressas pelo governo francês, inclusive com o recente lançamento de uma ferramenta no Telegram que facilita a denúncia de conteúdo ilegal por usuários, ele ainda não está livre de problemas na França, observou o Journal du Coin, comentando:
“O sistema judicial francês parece determinado a não deixar Pavel Durov impune, apesar de ele ter se esforçado para melhorar a moderação de sua plataforma.”
Após seu último encontro com juízes de instrução em Paris, os advogados emitiram um comunicado denunciando as “numerosas ações investigativas” contra Durov “em defiàs leis nacionais e europeias” e declararam:
“Contestamos veementemente a legalidade da acusação contra nosso cliente.”
Os advogados também apresentaram um recurso alegando que o processo contra Pavel Durov é inconstitucional na França e solicitaram uma decisão prejudicial do Tribunal de Justiça da União Europeia ( TJUE ), com sede em Luxemburgo.
Em entrevista ao Le Point no mês passado, Durov discutiu suas relações com os governos e indicou que não está inclinado a ceder à pressão deles.
O empresário do ramo da tecnologia já teve problemas no passado com as autoridades em sua Rússia natal, onde as agências de aplicação da lei queriam que o Telegram compartilhasse a correspondência de usuários suspeitos de crimes ou terrorismo.
Pavel Durov havia se recusado anteriormente a censurar contas do VK de manifestantes antigovernamentais na Rússia e a entregar informações pessoais de manifestantes ucranianos durante o Euromaidan ao FSB, o Serviço Federal de Segurança da Rússia.
Lançado como Vkontakte, o VK é a rede social russa mais popular, cofundada por Durov em 2006. Ele deixou a Rússia após vender sua participação restante na empresa em 2014, depois de ser demitido do cargo de CEO, sob a alegação de que o VK havia sido tomado por aliados dodent russo Vladimir Putin.
Mais recentemente, o empresário negou as notícias veiculadas pela mídia de que o Telegram estaria se preparando para abrir um escritório na Rússia para cumprir as regulamentações locais e também rejeitou as notícias de que o aplicativo estaria deixando o mercado russo, descrevendo-as como parte de uma “campanha direcionada para desacreditar o Telegram”.

