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Pavel Durov, do Telegram, é interrogado em Paris enquanto seus advogados contestam a acusação

PorLubomir TassevLubomir Tassev
Tempo de leitura: 3 minutos
Pavel Durov, do Telegram, é interrogado em Paris enquanto seus advogados contestam a acusação
  • Pavel Durov foi submetido a mais uma rodada de interrogatórios na França por conta do Telegram.
  • O empreendedor tecnológico nascido na Rússia compareceu ao tribunal francês acompanhado de quatro advogados.
  • Os advogados de Pavel Durov estão contestando a legalidade da investigação e de sua acusação.

O fundador do Telegram, Pavel Durov, foi interrogado por investigadores na França como parte da investigação em curso sobre o suposto papel de seu aplicativo na disseminação de conteúdo ilegal.

Sua mais recente intimação a comparecer a um tribunal em Paris sinaliza que o judiciário francês não está aliviando a pressão sobre o empreendedor de tecnologia, apesar de admitir que a plataforma melhorou a cooperação com as autoridades.

Durov comparece em tribunal francês para mais interrogatórios

O fundador e diretor executivo do Telegram, Pavel Durov, foi interrogado novamente por magistrados de instrução em Paris esta semana, informaram o portal francês de criptomoedas Journal du Coin e a agência de notícias AFP, citando fontes confiáveis.

O russo de 40 anos foi acusado de cumplicidade em atividade criminosa por administrar um aplicativo de mensagens que permitia o compartilhamento de conteúdo ilegal, incluindo pornografia infantil, e transações ilícitas. Este é o seu terceiro interrogatório desde que foi indiciado por múltiplas violações nesse sentido.

Durov já rejeitou essas alegações. Na segunda-feira, ele compareceu a um tribunal em Paris acompanhado de quatro de seus advogados, que posteriormente revelaram que ele havia fornecido explicações adicionais "demonstrando a inanidade dos fatos que são objeto da investigação"

No entanto, embora afirme que nunca teve a intenção o Telegram para fins ilícitos, Durov já reconheceu o aumento da atividade criminosa na plataforma e concordou em reforçar a moderação.

Desde então, as autoridades francesas notaram uma melhora na cooperação do Telegram, de acordo com fontes policiais citadas pela Agence France-Presse.

A saga francesa de Pavel Durov continua

O bilionário nascido na Rússia, que também possui cidadania francesa, foi preso em agosto de 2024 e interrogado pela primeira vez em dezembro. Inicialmente, ele foi proibido de deixar o país, mas, no início de julho, foi autorizado a visitar os Emirados Árabes Unidos, onde fica a sede do Telegram, em Dubai.

Apesar de ter atendido às preocupações expressas pelo governo francês, inclusive com o recente lançamento de uma ferramenta no Telegram que facilita a denúncia de conteúdo ilegal por usuários, ele ainda não está livre de problemas na França, observou o Journal du Coin, comentando:

“O sistema judicial francês parece determinado a não deixar Pavel Durov impune, apesar de ele ter se esforçado para melhorar a moderação de sua plataforma.”

Após seu último encontro com juízes de instrução em Paris, os advogados emitiram um comunicado denunciando as “numerosas ações investigativas” contra Durov “em defiàs leis nacionais e europeias” e declararam:

“Contestamos veementemente a legalidade da acusação contra nosso cliente.”

Os advogados também apresentaram um recurso alegando que o processo contra Pavel Durov é inconstitucional na França e solicitaram uma decisão prejudicial do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), com sede em Luxemburgo.

Em entrevista ao Le Point no mês passado, Durov discutiu suas relações com os governos e indicou que não está inclinado a ceder à pressão deles.

O empresário do ramo da tecnologia já teve problemas no passado com as autoridades em sua Rússia natal, onde as agências de aplicação da lei queriam que o Telegram compartilhasse a correspondência de usuários suspeitos de crimes ou terrorismo.

Pavel Durov havia se recusado anteriormente a censurar contas do VK de manifestantes antigovernamentais na Rússia e a entregar informações pessoais de manifestantes ucranianos durante o Euromaidan ao FSB, o Serviço Federal de Segurança da Rússia.

Lançado como Vkontakte, o VK é a rede social russa mais popular, cofundada por Durov em 2006. Ele deixou a Rússia após vender sua participação restante na empresa em 2014, depois de ser demitido do cargo de CEO, sob a alegação de que o VK havia sido tomado por aliados dodent russo Vladimir Putin.

Mais recentemente, o empresário negou as notícias veiculadas pela mídia de que o Telegram estaria se preparando para abrir um escritório na Rússia para cumprir as regulamentações locais e também rejeitou as notícias de que o aplicativo estaria deixando o mercado russo, descrevendo-as como parte de uma “campanha direcionada para desacreditar o Telegram”.

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