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As stablecoins se popularizam na América Latina, com um aumento de US$ 324 bilhões sinalizando uma mudança financeira

PorNélio IreneNélio Irene
Tempo de leitura: 3 minutos
A Boundary Labs captou US$ 2 milhões para desenvolver a stablecoin verificável USBD para o mercado institucional
  • As stablecoins evoluíram e se tornaram ferramentas do dia a dia na América Latina.
  • Em 2025, o volume on-chain de stablecoins atingiu US$ 324 bilhões. 
  • As fintechs impulsionaram o surgimento das stablecoins.

Segundo a OpenTrade, as stablecoins evoluíram para ferramentas essenciais do dia a dia, que protegem o poder de compra, facilitam, asseguram e tornam instantâneas as remessas, além de oferecerem um porto seguro digital para as poupanças na América Latina.

A empresa explicou que, em meio à contínua instabilidade financeira e às pressões inflacionárias, esses ativos se tornaram um método preferencial para transações cotidianas e internacionais.

Atualmente, as stablecoins estão conquistando uma fatia cada vez maior da atividade cripto na América Latina. A GO Markets mostra que o volume on-chain da região cresceu 60% no ano passado, ultrapassando US$ 730 bilhões, impulsionado pelo crescimento das stablecoins.

Do total de US$ 730 bilhões em 2025, US$ 324 bilhões vieram de transações com stablecoins, um aumento de 89% em relação ao ano anterior. Os moradores locais estão usando esses ativos como reserva de valor, para pagamentos, remessas e para tokenizar ativos do mundo real.  

Essa mudança reflete uma crescente preferência por ativos digitais denominados em dólares como proteção contra a desvalorização da moeda local. As stablecoins também são cada vez mais preferidas em relação ao Bitcoin para usos práticos, como pagamentos e transferências, em vez de especulação.

Analistas afirmam que a escala de adoção aponta para uma mudança mais ampla, com as stablecoins deixando de ser uma ferramenta de negociação para se tornarem uma camada paralela da infraestrutura financeira.

No Brasil, mais de 90% do volume de criptomoedas está ligado a stablecoins

Entre os países da América Latina, o Brasil e a Argentina se destacam pelos seus impressionantes níveis de atividade com stablecoins. Mais de 90% dos fluxos de criptomoedas no Brasil estão atrelados a stablecoins. Na Argentina, esse número chega a pelo menos 60%.

A atividade com stablecoins, no entanto, não está associada exclusivamente às corretoras de criptomoedas. De modo geral, a América Latina também domina os pagamentos com stablecoins no mundo real. 

De acordo com um relatório da Fireblocks, aproximadamente 7 em cada 10 pessoas na região usam stablecoins para transferências internacionais porque estão cansadas de perder uma grande parte de seus salários com taxas bancárias.

No corredor EUA-México, a Bitso processa US$ 6,5 bilhões em remessas anuais, cerca de 10% de todas as remessas enviadas para casa. Os cidadãos locais estão, essencialmente, optando por evitar a volatilidade de sua moeda nacional para preservar seu valor.

Entretanto, o uso de moedas digitais para pagamentos no varejo também está crescendo na região. A Venezuela possui a maior penetração de stablecoins em pagamentos no varejo em toda a América Latina, abrangendo atualmente 34% da atividade varejista, a maior participação regional. 

Ao falar sobre a adoção de stablecoins, Leandro Davo, Líder do Ecossistema da Avalanchena Argentina, observou que os criptoativos deixaram de ser uma fase passageira e se tornaram uma tendência consistente na região.

Felipe Galvis, que supervisiona o desenvolvimento de negócios para a América Latina na OpenTrade, também vê as stablecoins como altamente transformadoras. Ele argumentou que as stablecoins podem ajudar a preservar o valor das economias dos cidadãos em moedas locais, acrescentando que a maioria dos períodos de hiperinflação drena o poder de compra das pessoas. 

Além disso, Ben Reid, da Juno, observou: "As stablecoins locais, quando conectadas a rampas de acesso locais, são uma maneira incrivelmentetracde entrar em mercados como o México ou o Brasil sem precisar se tornar um banco regulamentado."

Antes, apenas os trabalhadores freelancers da América Latina lucravam com stablecoins, mas, mais recentemente, as empresas também entraram nesse mercado. Leandro chegou a comentar: "Estamos vendo de tudo, desde aplicativos locais de remessas até carteiras de poupança em dólares e empresas que emitem linhas de crédito garantidas por stablecoins."

Será que as fintechs abriram caminho para o crescimento das stablecoins?

Um dos principais fatores por trás da adoção de stablecoins na América Latina é o crescimento do setor fintech. O ecossistema latino-americano abriga mais de 20 unicórnios.

o Nubank atingiu a marca de 118 milhões de clientes, alcançando mais de 60% dos adultos no Brasil e expandindo-se para o México e a Colômbia, com planos de entrada nos EUA. 

Na era pré-fintech, o setor bancário na América Latina era altamente concentrado, caro para os usuários, extremamente lucrativo para as instituições tradicionais e, muitas vezes, frustrante para os clientes. A partir de 2018, e ganhando impulso durante e após a pandemia de COVID-19, o crescimento das fintechs disparou em toda a região.

A América Latina e o Caribe agora contam com mais de 3.000 empresas de tecnologia financeira (fintechs), e espera-se que o setor cresça a uma taxa composta anual de 27% entre 2022 e 2028.

 O crescimento do setor abriu caminho para mais stablecoins. Sthefano Batista, chefe de desenvolvimento de negócios da América Latina, chegou a afirmar que o acesso às plataformas fintech proporciona às moedas digitais um conjunto imediato de usuários em potencial. Leandro também argumentou: “As fintechs estão preenchendo a lacuna entre as stablecoins e o cotidiano – o usuário nem precisa saber que está usando blockchain.”

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Nélio Irene

Nélio Irene

Nellius é formada em Administração de Empresas e TI, com cinco anos de experiência no setor de criptomoedas. Ela também é graduada pela Bitcoin Dada. Nellius já contribuiu para importantes publicações de mídia, incluindo BanklessTimes, Cryptobasic e Riseup Media.

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