Os principais executivos de tecnologia estão investindo bilhões em acordos com Trump para evitar serem esmagados pela onda de novas tarifas que sairá da Casa Branca em 2025.
Apple, Nvidia e AMD são as primeiras a investir cash no problema, cada uma adotando estratégias diferentes para evitar penalidades e continuar fazendo negócios com a China.
A medida maismatic veio da Nvidia e da AMD. Ambas as fabricantes de chips receberam autorização da Casa Branca para continuar vendendo seus chips avançados para a China, mas somente se repassarem 15% da receita das vendas na China para o governo dos EUA.
O acordo foi anunciado no início desta semana, e os detalhes ainda estão indefinidos. Uma porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse na terça-feira que a estrutura legal e a forma de arrecadação do dinheiro ainda estavam sendo definidas. Ela também afirmou que o mesmo acordo poderia afetar outras empresas no futuro.
A Apple promete investir US$ 600 bilhões para evitar tarifas
Tim Cook, CEO da Apple, fez sua própria oferta para evitar a tarifa de 100% imposta por Trump sobre chips importados. Ele confirmou que a Apple investiria US$ 600 bilhões em operações nos EUA nos próximos quatro anos, o que lhe garantiu uma isenção das futuras tarifas sobre chips importados, especialmente da China.
A Apple utiliza centenas de chips diferentes em seus dispositivos, e a empresa já havia perdido US$ 800 milhões em custos de tarifas apenas no trimestre de junho.
A estratégia de Cook parece ser uma forma de ganhar fôlego. E funcionou, pelo menos por enquanto. A CNBC citou o analista de tecnologia Paolo Pescatore, da PP Foresight, que afirmou que toda essa onda repentina de fusões e aquisições se resumia a uma coisa: proteção.
“A onda de negociações é uma tentativa de garantir um tratamento mais brando em relação às tarifas”, disse Paolo em um e-mail. Ele também afirmou que todas as grandes empresas de tecnologia já sentiram o impacto. “Elas não podem se dar ao luxo de desembolsar milhões de dólares em taxas extras”, disse ele.
Paolo também afirmou que o enorme investimento da Apple provavelmente desencadeará um "efeito dominó", incentivando outras empresas a fazerem o mesmo: investir pesado internamente para garantir a segurança de suas operações globais. O risco para a Apple é especialmente alto, visto que a empresa depende fortemente da China tanto para componentes quanto para acesso ao mercado.
Imposto sobre chips gera reação negativa de executivos de tecnologia
O acordo entre a Nvidia e a AMD está sendo amplamente debatido em fóruns de TV e tecnologia, em meio à crescente confusão. O programa Squawk Box, da CNBC, entrevistou Ray Wang, fundador da Constellation Research, que afirmou ser "bizarro" que ainda não haja clareza sobre se os chips envolvidos estão ou não ligados à segurança nacional.
“Se a resposta for não, tudo bem. O governo vai ficar com uma parte”, disse Ray na segunda-feira. Ele acrescentou ainda que tanto Jensen Huang, da Nvidia, quanto Lisa Su, da AMD, pareciam concordar com o pagamento de 15% como uma solução alternativa, apenas para manter seus contratos na China em andamento.
Mas nem todos veem isso como um acordo limpo. Algumas vozes da indústria o chamam de "extorsão" e até questionam sua constitucionalidade. O acordo se assemelha mais a um imposto sobre exportações do que a uma política comercial normal. E abre caminho para acordos semelhantes cashem troca de acesso com outras empresas que dependem da China.
A reação do mercado não foi totalmente negativa. As ações da Nvidia e da AMD registraram uma breve alta, com os investidores apostando na continuidade do acesso ao mercado chinês. Mas o otimismo se dissipou rapidamente à medida que cresceram as preocupações sobre se o governo Trump estenderia o mesmo modelo a outros setores.
Os investidores também estão preocupados com a falta de regras. Dan Niles, que administra a Niles Investment Management, disse ao programa "Closing Bell: Overtime" da CNBC que sua preocupação não era se os negócios são bons ou ruins, mas sim a incerteza. "Será que você tem uma política em uma semana e ela muda completamente na semana seguinte?", questionou Dan. "No momento, é isso que me preocupa um pouco mais."

