A OpenAI oficialmente deixou de fingir que pode funcionar como uma instituição de caridade. Na sexta-feira, a empresa anunciou que finalizou os planos para se tornar uma empresa de benefício público (PBC, na sigla em inglês) o mais breve possível no próximo ano, abandonando de vez a estrutura sem fins lucrativos que aparentemente a estava limitando.
“As centenas de bilhões de dólares que as grandes empresas estão investindo no desenvolvimento de IA mostram o que realmente será necessário para que a OpenAI continue a perseguir sua missão”, afirmou seu conselho. Eles acrescentaram,dent, que:
“Nosso plano resultaria em uma das organizações sem fins lucrativos mais bem financiadas da história. A participação significativa da organização sem fins lucrativos na empresa com fins lucrativos existente assumiria a forma de ações da PBC a um valor justo determinado por consultores financeirosdent . Isso multiplicaria muitas vezes os recursos que nossos doadores destinaram.”
A OpenAI está perdendo dinheiro — e rapidamente
A OpenAI está avaliada em US$ 157 bilhões, um valor impressionante para uma empresa que lançou o ChatGPT há apenas dois anos. O chatbot deu início a um enorme boom de IA generativa, e a OpenAI vem surfando nessa onda desde então. Mas grandes ambições vêm com contas ainda maiores.
Este ano, a empresa espera faturar US$ 3,7 bilhões. Parece ótimo, certo? Não quando você percebe que eles também preveem prejuízos de US$ 5 bilhões. A CNBC confirmou esses números em setembro, e a situação só piorou desde então.
Construir e executar modelos de IA massivos como o ChatGPT não é barato. A OpenAI depende muito de processadores da Nvidia e da infraestrutura de nuvem da Microsoft — ferramentas que não são exatamente baratas.
Em outubro, a OpenAI concluiu uma rodada de financiamento de US$ 6,6 bilhões. Espera-se que esse dinheiro ajude a empresa a se manter competitiva contra concorrentes como a xAI de Elon Musk, Google, Amazon e Anthropic.
Por quê? Porque o mercado de IA generativa deve atingir US$ 1 trilhão em receita dentro de uma década, e todos querem uma fatia desse bolo. Mas aqui está o ponto: os investidores não entregam dinheiro por pura bondade. A estrutura sem fins lucrativos da OpenAI era um problema, e eles sabiam disso.
Ao se tornar uma PBC (Public Business Corporation) sediada em Delaware, a OpenAI afirma que emitirá ações ordinárias. Isso permite que ela capte recursos como uma empresa tradicional, mantendo ao mesmo tempo um braço sem fins lucrativos. Esse braço sem fins lucrativos cuidará das questões sociais e sociais — como saúde, educação e ciência. Mas não se engane: o objetivo é transformar a OpenAI em uma máquina eficiente e lucrativa.
Elon Musk não está gostando nada disso
É claro que estamos falando da OpenAI, então sempre há espaço para polêmicas. E aí entra Elon Musk. O bilionário da Tesla e da SpaceX está em conflito com a OpenAI há meses, e esse plano de reestruturação só piorou a situação.
Elon chegou ao ponto de processar a OpenAI para impedir a mudança, chamando-a de "uma farsa completa" e afirmando que "a OpenAI é maligna". Isso não é apenas uma provocação típica do Twitter. Elon está levando essa briga aos tribunais.
Por que Elon está tão irritado? Porque, segundo a OpenAI, ele propôs uma estrutura semelhante, com fins lucrativos, em 2017. Eles alegam que ele era totalmente a favor da ideia até que ela se tornou inconveniente para ele. Elon, previsivelmente, nega isso e acusa a OpenAI de trair sua missão original.
Enquanto isso, a liderança da OpenAI não está se contendo. O conselho insiste que essa mudança é necessária para sobreviver em um mercado onde todos os concorrentes têm recursos financeiros abundantes e menos restrições.
A polêmica envolvendo Elon Musk não para por aí. Ele tem criticado veementemente o foco da OpenAI em produtos chamativos e comercializáveis, como o ChatGPT. E ele não é o único. Críticos dentro e fora da empresa argumentam que a segurança e a ética foram relegadas a segundo plano em prol do lucro. As alegações de Elon também encontraram tracentre ex-funcionários da OpenAI.
O êxodo de talentos levanta questões
Entretanto, a liderança da OpenAI passou por alguns meses difíceis. No final de setembro, a diretora de tecnologia, Mira Murati, anunciou sua saída após seis anos e meio na empresa. No mesmo dia, outros dois nomes importantes — o chefe de pesquisa, Bob McGrew, e o vice-presidente, Barret Zoph — também deixaram a empresa.
Um mês antes, o cofundador John Schulman havia se juntado à concorrente Anthropic. E não podemos esquecer de maio, quando a OpenAI perdeu mais duas figuras importantes: o cofundador Ilya Sutskever e Jan Leike, ex-líder de segurança que também se juntou à Anthropic.
Então, o que está acontecendo, você pergunta? Bem, o CEO Sam Altman diz que é tudo mera coincidência. Em uma entrevista em setembro, ele minimizou as preocupações, afirmando que as demissões não tinham relação com o plano de reestruturação. Mas nem todos acreditam nisso.
Jan Leike explicou sua decisão de sair. Em uma postagem direta nas redes sociais, ele disse: "Nos últimos anos, a cultura e os processos de segurança ficaram em segundo plano em relação a produtos chamativos". Que duro! Outro ex-funcionário ecoou esse sentimento, criticando a empresa por agir como uma organização com fins lucrativos enquanto finge ser uma organização sem fins lucrativos. "Não acreditem na OpenAI quando ela promete fazer a coisa certa mais tarde", disse ele.
Essas saídas — e os motivos por trás delas — destacam a crescente tensão entre a missão original da OpenAI e suas prioridades atuais. Em 2015, quando Altman, Elon e outros fundaram a OpenAI, o foco era pesquisa e inteligência artificial geral (AGI). Não era para ser sobre lucros.
Isso mudou em 2019, quando a OpenAI introduziu seu modelo de lucro limitado, permitindo que a organização sem fins lucrativos controlasse uma ala com fins lucrativos. Agora, até mesmo esse acordo parece estar se desfazendo.

