Os Estados-membros da UE, ainda dependentes do gás, petróleo e combustível nuclear russos, têm se esforçado para impedir que Bruxelas proíba as importações de energia, alimentando a agressão de Moscou contra a Ucrânia.
A oposição ao plano de rejeitar o fornecimento russo surge em meio a um conflito crescente entre o Irã e Israel, que deverá aumentar os preços da energia. Os opositores afirmam que a medida agravará ainda mais os custos para os consumidores europeus.
Hungria e Eslováquia reduzem o ritmo de seus planos de cortar importações de energia da Rússia
Os ministros da União Europeia responsáveis pela energia reuniram-se na segunda-feira para discutir a iniciativa da Comissão Europeia de eliminar gradualmente as importações russas de combustíveis fósseis, em resposta à contínua invasão da Ucrânia por Moscovo, vista como uma ameaça à segurança da própria Europa.
A Hungria e a Eslováquia vetaram uma resolução do Conselho de Energia da UE que teria instado o órgão executivo da UE a avançar com o seu plano em junho, anunciou o Ministro dos Negócios Estrangeiros e do Comércio da Hungria, Péter Szijjártó, após a reunião no Luxemburgo.
Em declarações à imprensa, Szijjártó afirmou que a UE está empenhada em cumprir o plano acordado pela presidente da Comissãodent Ursula von der Leyen, e pelo seu colega ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, que visa "cortar as fontes baratas de gás natural e petróleo, aumentando assim os custos operacionais a níveis exorbitantes, especialmente na Europa Central"
Durante a conferência de imprensa transmitida pelo Facebook, o funcionário insistiu que Bruxelas quer impossibilitar as importações de energia da Rússia, levando o seu país à dependência de nações como a Croácia e aumentando as despesas com serviços públicos das famílias húngaras.
“Por isso, os governos húngaro e eslovaco vetaram a decisão de instar o processo a avançar”, explicou o primeiro diplomata da Hungria, citado pela agência de notícias MTI. Ele admitiu, no entanto, que serão necessários mais esforços para cancelar a iniciativa por completo.
“A luta continua”, comentou o ministro, alegando, segundo uma reportagem da Tass, que o plano “prejudicará a economia de toda a União Europeia” e é “absolutamente inaceitável no contexto do conflito militar entre Israel e Irã”, que ameaça a segurança energética global.
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Budapeste poderá cortar o fornecimento de eletricidade à Ucrânia caso fique sem energia russa
Péter Szijjártó alertou ainda que a Hungria poderá cortar o fornecimento de eletricidade à Ucrânia caso a Comissão Europeia proíba as importações de petróleo, gás e combustível nuclear russos. O seu país é atualmente responsável por cerca de 40 a 42% da energia importada pela Ucrânia.
Durante a coletiva de imprensa, que também foi transmitida pelo canal de televisão húngaro M1, Szijjártó disse:
“A Hungria desempenha um papel fundamental no fornecimento de eletricidade para a Ucrânia. Mas se o fornecimento de energia da Hungria estiver ameaçado, se se tornar instável, isso poderá afetar seriamente o nosso fornecimento para a Ucrânia.”
Enquanto a Eslováquia se posiciona ao lado da Hungria, declarando que "discorda fundamentalmente" do plano da Comissão Europeia, outra nação sem litoral pertencente à UE edent da energia russa adota uma abordagem menos confrontativa, mas, ainda assim, bastante semelhante em relação ao assunto.
A Áustria está atenta ao “impacto nos preços”, afirmou a secretária de Energia do país, Elisabeth Zehetner, em Luxemburgo, citada pela Euractiv. “É óbvio que, uma vez terminada a guerra, isso terá de ser levado em consideração”, insistiu, indicando que Viena poderá apoiar a retomada das importações de energia russa após o conflito.
O governo austríaco parou de comprar gás russo há meses, enquanto a Hungria e a Eslováquia continuam importando combustível da gigante estatal russa Gazprom, e as compras de gás natural liquefeito (GNL) russo pela UE aumentaram desde o ataque de Moscou à Ucrânia em 2022.
Bruxelas prepara-se para oferecer concessões a Budapeste e Bratislava
Na terça-feira, o poder executivo em Bruxelas deverá propor ao Parlamento Europeu medidas para rescindir ostracde curto prazo para o fornecimento de gás russo em 2026 e eliminar gradualmente ostracde longo prazo até janeiro de 2028.
Segundo uma minuta consultada pelo Financial Times, a Comissão pretende proibir as empresas de assinarem novos contratos trac base na legislação comercial, a fim de contornar um possível veto da Hungria e da Eslováquia.
Os dois últimos, bem como outros países sem litoral, receberão uma isenção para rescindir seustracde gás de curto prazo vigentes com a Rússia até 2027.
Entretanto, um plano da UE para impor tarifas sobre as importações de combustível nuclear russo foi suspenso por enquanto, uma vez que vários países europeus, como a Finlândia e a Bulgária , ainda não garantiram alternativas ao urânio enriquecido fornecido pela Rosatom, a empresa estatal russa que detém o monopólio.
“A energia nuclear é complexa porque precisamos ter muita certeza de que não estamos colocando os países em situações em que não tenham segurança de abastecimento”, afirmou o Comissário de Energia, Dan Jørgensen. Ele acrescentou que os funcionários da UE estão “trabalhando o mais rápido possível para incluir isso na proposta”

