Narendra Modi não está recuando em seus laços com a Rússia, não importa o quanto Donald Trump grite sobre isso. Na sexta-feira, o primeiro-ministro indiano disse ter tido uma “conversa muito boa e detalhada” com Vladimir Putin e confirmou que o líder russo visitará a Índia ainda este ano.
Modi escreveu no X que agradeceu a Putin por compartilhar os “últimos desenvolvimentos sobre a Ucrânia”, analisou o progresso em sua agenda bilateral e reafirmou a chamada “Parceria Estratégica Especial e Privilegiada”. Em seguida, veio a frase que certamente irritará Washington: “Aguardo com expectativa a visita do Presidente dent à Índia ainda este ano”.
A mensagem surgiu poucos dias depois de Trump ter imposto à Índia um aumento tarifário tão significativo que causou grande impacto. Na quarta-feira, odent americano aplicou uma taxa adicional de 25% sobre produtos indianos, elevando o total para 50%, muito superior às tarifas impostas a outros países da região Ásia-Pacífico. O motivo? As contínuas compras de petróleo russo por Nova Déli, algo sobre o qual Trump afirma ter alertado repetidamente.
Trump dobra tarifas e revida contra a Rússia
Dias antes do aumento das tarifas, Trump disse:
“Não me importo com o que a Índia faça com a Rússia. Que levem suas economias falidas à ruína juntas, para mim tanto faz. Fizemos muito pouco negócio com a Índia – suas tarifas são muito altas, estão entre as mais altas do mundo. Da mesma forma, a Rússia e os EUA quase não fazem negócios juntos.”
Os números não são pequenos. Uma taxa de 50% significa que a Índia agora enfrenta uma das maiores barreiras tarifárias em seu comércio com os EUA, e analistas dizem que isso terá consequências negativas.
A agência de classificação de risco Moody's alertou na sexta-feira que o crescimento real do PIB da Índia pode cair cerca de 0,3 ponto percentual em relação à previsão atual de 6,3% para o ano fiscal que termina em março de 2026.
A agência de classificação de risco afirmou que a grande diferença tarifária com outros países da região Ásia-Pacífico provavelmente irá desacelerar os planos de produção da Índia, especialmente em setores de alto valor agregado, como o detron.
A Moody's também salientou que a redução das importações de petróleo russo para evitar as sanções poderia deixar a Índia em dificuldades para obter petróleo bruto suficiente em outros lugares. Custos mais elevados aumentariam a fatura de importação, ampliariam o defiem conta corrente e tornariam o país menos competitivo para o investimento global.
Trump adia prazo para a Ucrânia enquanto considera sanções mais severas
A disputa tarifária é apenas parte da campanha de pressão de Trump. Frustrado com Moscou, ele agora ameaça impor "tarifas secundárias" de cerca de 100% aos parceiros comerciais da Rússia caso a guerra na Ucrânia não termine em breve.
O prazo inicial de 50 dias que ele havia estipulado para Putin foi posteriormente reduzido, e a Bloomberg News informou na sexta-feira que autoridades americanas e russas estão trabalhando em um acordo que poderia interromper os combates e permitir que a Rússia mantenha o território já conquistado.
Trump fez do fim da guerra uma das principais metas de sua política externa em seu segundo mandato, após tentar, inicialmente, estreitar laços com Moscou. Mas as negociações não avançaram. Putin continua exigindo que a Ucrânia abandone os planos de adesão à OTAN e que Moscou mantenha quatro regiões ucranianas anexadas. A Rússia também exigiu novas eleições na Ucrânia antes de um acordo de paz definitivo.
No início desta semana, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, reuniu-se com Putin em uma conversa que Trump classificou como "altamente produtiva". "Todos concordam que esta guerra precisa terminar, e trabalharemos para isso nos próximos dias e semanas", disse Trump na quarta-feira. Na quinta-feira, seu otimismo já havia se dissipado: "Vamos ver o que ele tem a dizer. Vai depender dele. Estou muito decepcionado."
As exportações de petróleo da Rússia continuam sendo sua principal fonte de cash, mesmo com os países do G7 proibindo compras por via marítima. Compradores de fora do G7 ainda podem usar frete e seguros ocidentais, desde que respeitem um teto de preços. Perder esses compradores seria mais um golpe para uma economia que, segundo o Banco Mundial, crescerá apenas 1,4% este ano, abaixo dos 4,3% previstos para 2024.
Entretanto, a tensão comercial global já está deixando os investidores apreensivos. Investidores estrangeiros em carteira retiraram US$ 900 milhões de ações indianas somente em agosto, após saídas de US$ 2 bilhões em julho.

