A ignorância da mídia pode prejudicar o universo das criptomoedas tanto quanto golpes e fraudes

A ignorância da mídia está prejudicando a criptosfera
Todas as nações livres têm quatro pilares da democracia: o legislativo, o executivo, o judiciário e a mídia. Ao longo das décadas, o comercialismo se instaurou. Lutando para sobreviver, a mídia foi sugada pelos prós e contras dessa batalha pela sobrevivência. O resultado: uma indústria forçada a aceitar o bom, o ruim e o feio com base em seu valor comercial, em vez de integridade profissional.
É compreensível que os jornalistas não queiram apenas noticiar os fatos, mas sim participar ativamente e influenciar as políticas públicas. Como disse um observador, a mídia é atraída pela “superficialidade, pelo sensacionalismo, pelo escândalo e pela sordidez”. Isso acaba dificultando muito a construção de consenso — a tarefa fundamental do processo democrático.
Reportagens ruins e sensacionalistas são práticas que contrariam a ética jornalística para atrair atenção. Mas com que propósito?
Hoje, nos encontramos divididos por opiniões na mídia. Para alguns, os tempos em que a caneta era mais poderosa que a espada já se foram, enquanto para outros, a mídia ainda é o meio de combater o mal e a aberração em suas respectivas áreas. Como resultado, a zona cinzenta está se ampliando, criando um abismo onde a ignorância prevalece em sua essência. Esse é o caso das esferas de criptomoedas e blockchain, entidades relativamente novas e emergentes.
O espaço blockchain se baseia na harmonia comunitária e, apesar da divergência de opiniões, sua essência se fundamenta em princípios semelhantes à ética essencial do jornalismo. Contudo, essa esfera tem apenas uma década de vida e precisa de cuidados especiais na formação de valores. Há golpistas e farsantes atacando a integridade do sistema por meio de suas operações ilegais. Nesse cenário, a ignorância por parte dos jornalistas pode causar sérios danos não apenas a uma plataforma específica, mas ao próprio setor.
#MetaHash é um caso semelhante, que foi analisado por um jornalista, e então um profissional da área simplesmente levantou uma questão séria. A tecnologia blockchain está resolvendo problemas sérios em todo o mundo, mas será que nós, jornalistas, estamos preparados para fazer justiça a ela?
A especialista do setor, Karnika Yashwant, criticou o jornalista de criptomoedas Andrew Cronje por sua falha em honrar a integridade da profissão jornalística ao ignorar um convite para participar de uma sessão ao vivo destinada a esclarecer sua interpretação confusa da plataforma blockchain #MetaHash. Cronje disse: “Estou tentando entender como o gráfico e a cadeia interagem… pois não vejo a correlação”. Quando, na verdade, deveria ter comparecido e aprendido se realmente queria “ver as correlações”.
Este não é um caso isolado; empreendedores têm se queixado repetidamente de que jornalistas que escrevem para grandes plataformas – como o Crypto Briefing, no caso de Cronje – não apenas não estão devidamente capacitados para desempenhar suas funções, como também comprometem sua própria integridade profissional.
E tudo isso com que propósito? Por um lado, o universo blockchain e das criptomoedas precisa lidar com golpistas e maus elementos do setor e, por outro, exige esforços financeiros e de recursos humanos adicionais para suprir a ignorância de profissionais pouco preparados na indústria da mídia.
Odent é perigoso se não for controlado, mas a mensagem importante aqui é garantir que os profissionais e os leitores entendam que nem todas as avaliações são justas ou imparciais. Aqui está uma lista de verificação rápida para checar cada avaliação que você ler.
- A análise aborda os dois lados da história ou simplesmente apresenta apenas uma perspectiva, sem dar oportunidade ao acusado de se pronunciar?
- Afinal, jornalistas são humanos e cometem erros honestos, então acompanhe o assunto por um tempo antes de formar uma opinião.
- Em casos raros, jornalistas e plataformas são forçados a tomar uma decisão; por exemplo, Binance se encontra numa situação delicada, entre expulsar usuários iranianos ou perder sua base de clientes nos Estados Unidos, com consequências imprevistas. Portanto, é preciso tentar compreender as motivações ocultas.
- Mantenha a mente aberta em relação a todas as avaliações. Como investidores, todos valorizamos nossos investimentos, mas casos isolados de informações incorretas não significam o fim do mundo.
Jornalistas curiosos e céticos que apontam inconsistências, chamam a atenção para erros, denunciam declarações enganosas e identificamdentdescaradas podem servir a um propósito maior, mas quando fomentam confusão e ignoram esclarecimentos, qual seria o propósito real que estão servindo?
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Saad B. Murtaza
Jornalista, escritor, editor, pesquisador e estrategista com mais de 10 anos de experiência nas áreas digital, impressa e de relações públicas, Saad trabalha com o mantra da criatividade, qualidade e pontualidade. Em seus últimos anos de vida, ele promete construir um instituto autossustentável que ofereça educação gratuita. Com um portfólio diversificado, ele estudou e escreveu sobre temas relacionados a crimes cibernéticos, golpes, blockchain e criptomoedas.
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