O primeiro-ministro Keir Starmer afirma que sua estreita relação com odent Donald Trump garantirá um acordo comercial há muito desejado entre os Estados Unidos e o Reino Unido.
Em entrevista ao Financial Times durante uma visita a Kiev, Starmer rejeitou as críticas contundentes de Elon Musk à sua liderança e enfatizou que a presidência de Trump representava uma oportunidade, não um desafio.
“O que importa para mim é a minha relação com os EUA e a minha relação com odenteleito Trump”, disse Starmer. Ele minimizou os rumores de que Musk teria tentado removê-lo do cargo, chamando-os de “bobagens” e insistindo que seu foco continua sendo o fortalecimento dos laços entre o Reino Unido e os EUA.
Trump, que assume o cargo na segunda-feira, já incumbiu Musk de reduzir drasticamente a burocracia nos EUA. Starmer prometeu ser igualmente “implacável com os cortes” no Reino Unido para cumprir as regras fiscais do Partido Trabalhista.
De um jantar na Trump Tower a possíveis tarifas
A confiança de Starmer em sua relação com Trump se deve ao encontro que tiveram em setembro na Trump Tower, em Nova York, onde o presidentedentofereceu um jantar privado ao primeiro-ministro. "Ele se esforçou muito", disse Starmer, relembrando a noite.
“Ele veio a Nova York para jantar comigo, e eu fiquei muito grato por isso. Tarifas não interessam a ninguém”, disse o primeiro-ministro. Embora líderes britânicos anteriores não tenham conseguido fechar um acordo desse tipo desde o Brexit, Starmer não vê motivo para escolher entre um acordo com Trump ou com a União Europeia.
“Nossa ambição é fechar algum tipo de acordo com os EUA”, disse ele, acrescentando que uma parceria comercial com a maior economia do mundo é inegociável.
No entanto, os laços de Trump com o rival político de Starmer, Nigel Farage, e as acusações da campanha de Trump em outubro passado de que o Partido Trabalhista interferiu nas eleições americanas complicam a situação.
Ilhas Chagos e comércio entre o Reino Unido e a China sob escrutínio
Starmer enfrenta novos desafios com os EUA em relação às Ilhas Chagos, onde se encontra a estratégica base militar de Diego Garcia, operada em conjunto pelo Reino Unido e pelos EUA. O primeiro-ministro havia planejado transferir a soberania das ilhas para Maurício, mas adiou o acordo devido a preocupações da equipe de Trump.
Temem que a transferência possa abrir caminho para uma maior influência chinesa na região. "Acho correto que ele examine isso com atenção", disse Starmer sobre o pedido de Trump para revisar o acordo. No entanto, ele insistiu que o acordo garantiria a segurança da base a longo prazo.
Ao mesmo tempo, os esforços de Starmer para expandir o comércio entre o Reino Unido e a China podem testar seu relacionamento com Trump. Quando questionado se Trump apoiaria isso, Starmer disse: “Vamos ver. Os EUA são nosso aliado mais próximo. Geralmente é melhor não nos precipitarmos.”
Estagflação e os desafios econômicos do setor trabalhista
Entretanto, a meta de inflação de 2% do Reino Unido ainda está fora de alcance, enquanto a economia cresceu apenas 0,1% em novembro, ficando abaixo das previsões.
Starmer enfrenta crescente pressão para demonstrar que os planos fiscais do Partido Trabalhista, liderados pela Ministra da Fazenda Rachel Reeves, estão funcionando. Os críticos têm atacado o orçamento de outubro de Reeves, que introduziu um aumento de impostos de 40 bilhões de libras, argumentando que ele onerou desproporcionalmente as empresas.
Starmer defendeu o orçamento, afirmando que ele lançou as bases para a estabilidade e o crescimento. Os custos dos empréstimos também têm sido motivo de controvérsia. O rendimento dos títulos do governo britânico a 10 anos atingiu o pico de 15 anos, chegando a 4,93% na semana passada, antes de cair para 4,65%. Starmer reconheceu a volatilidade, mas reiterou seu compromisso com as regras fiscais do Partido Trabalhista.

