Os títulos japoneses sofreram mais uma forte queda, e desta vez os números são alarmantes. Na segunda-feira, os títulos do governo japonês de longo prazo despencaram, com os rendimentos agora se aproximando de suas máximas históricas.
Segundo a Bloomberg, os investidores retiraram seus investimentos em massa, à medida que o risco político e a incerteza fiscal ganharam destaque antes da eleição para a câmara alta do Senado em 20 de julho. Os investidores estão se desfazendo rapidamente de títulos de longo prazo, e ninguém está tomando o lugar deles.
O rendimento dos títulos com vencimento em 30 anos subiu 12,5 pontos-base, para 3,165%, ficando pouco abaixo do recorde de 3,185% registrado em maio. Já o rendimento dos títulos com vencimento em 20 anos disparou 12 pontos-base, para 2,620%, atingindo um patamar não visto desde o ano 2000.

O rendimento dos títulos com vencimento em 40 anos foi o que mais subiu — 17 pontos-base, atingindo 3,495%. Nem mesmo o título de curto prazo, com vencimento em 10 anos, ficou seguro, subindo 7 pontos-base para 1,57%. Isso está acontecendo dias antes da eleição, e os investidores já estão se desfazendo rapidamente desses ativos.
Investidores fogem de títulos japoneses antes das eleições e da onda de gastos globais
A pressão vem de dois lados. Primeiro, há a eleição para a câmara alta do Japão em 20 de julho, onde as pesquisas locais indicam que o bloco governista pode perder a maioria.
Os políticos têm tentado conquistar votos com promessas de mais gastos e cortes de impostos, mas os mercados veem isso como uma ameaça crescente à já enorme dívida do Japão. O governo está prestes a intensificar ainda mais a expansão fiscal, e os detentores de títulos não querem nada com isso.
“Há uma tendência de redução de risco no mercado de títulos antes da eleição para a câmara alta”, disse Miki Den, estrategista sênior de taxas de juros da SMBC Nikko Securities. “Com poucos compradores esperados antes da eleição e fluxos de venda contínuos, os títulos de longo prazo estão sofrendo grandes flutuações de preço e estão sendo vendidos.”
Mas não é só o Japão. No mesmo dia, o rendimento dos títulos alemães com vencimento em 3 anos subiu 3 pontos base, para 3,25%, o nível mais alto desde 2023. Se ultrapassar os 3,263%, será otronmais alto desde 2011. A razão é quasedent: governos injetando mais gastos na economia e investidores respondendo com a venda de dívidas de longo prazo.
No caso da Alemanha, o mercado reagiu ao anúncio dodent Donald Trump sobre uma tarifa de 30% sobre produtos da União Europeia, que ocorreu pouco antes da venda de títulos da UE com vencimento em 2054. Isso levou os investidores a adotarem uma postura defensiva, elevando os rendimentos em toda a Europa. Todos temem manter posições em títulos de longo prazo quando a inflação, a dívida e o risco político estão em ascensão.

A Alemanha já havia aprovado um pacote de gastos gigantesco em março. Esse plano liberou centenas de bilhões de euros para projetos militares e de infraestrutura.
Mas agora, o plano de empréstimos está ficando ainda maior. No mês passado, a agência financeira alemã confirmou que irá contrair empréstimos cerca de 20% a mais do que o planejado nos próximos meses para continuar financiando essa onda de gastos. Os investidores claramente não gostaram disso.
Agora, aplique essa lógica ao Japão. A situação fiscal do país já é frágil. Some-se a isso as promessas eleitorais de mais isenções fiscais e gastos, e o mercado de títulos tem todos os motivos para entrar em colapso.
A atual onda de vendas não parece ser um soluço passageiro — parece ser um aviso. Os investidores não querem ficar presos a dívidas que podem se agravar caso haja uma mudança no controle político ou um aumento ainda maior nos gastos.

