As autoridades indianas, por meio do Departamento de Execução, apreenderam criptomoedas no valor de 1.646 crore de rúpias (aproximadamente US$ 189 milhões) em conexão com um golpe de investimento em criptomoedas.
Segundo as autoridades, os fundos, que estavam em diversos ativos digitais, estavam ligados à fraude de criptomoedas da Bitconnect. A plataforma lesou inúmeros investidores, seduzindo-os com tentadoras oportunidades de investimento em títulos. Além dos fundos, o departamento também apreendeu cashem espécie, um SUV e diversos dispositivos digitais encontrados durante buscas realizadas em diferentes locais entre 11 e 15 de fevereiro.
Na declaração fornecida pelo Departamento de Fiscalização, a agência mencionou que investigou em conformidade com as disposições da Lei de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PMLA), de acordo com os boletins de ocorrência registrados pela Delegacia de Polícia Criminal (CID) em Surat.
Autoridades indianas detêm suspeitos ligados à Bitconnect
Segundo as autoridades indianas, os suspeitos realizaram suas atividades de novembro de 2016 a janeiro de 2018, arrecadando fundos de investidores na Índia e no exterior para fins de investimento. A declaração da polícia revelou que o fundador da plataforma de investimentos BitConnect, uma organização ilegal, pagava redes de promotores em todo o mundo para apresentar a plataforma a pessoas.
Em troca do recrutamento de investidores, os promotores recebem uma comissão correspondente. Os investidores foram induzidos a depositar fundos, em cash ou outros ativos digitais, na plataforma de empréstimo representada pela BitConnect. A plataforma informava aos investidores que, entre outras vantagens, utilizaria um robô de negociação de volatilidade, que, segundo eles, ajudaria os investidores a gerar retornos de até 40% ao mês.
As autoridades indianas também mencionaram que a plataforma de investimentos BitConnect anunciava retornos falsos, prometendo aos investidores rendimentos de até 1% ao dia ou 3700% ao ano. A agência afirmou que os acusados tinham pleno conhecimento dessas promessas e, mesmo assim, recrutaram pessoas para investir seus recursos na plataforma. As autoridades indianas alegaram que a plataforma não utilizava um robô de negociação, mas que os fundos dos investidores eram desviados e transferidos para carteiras sob seu controle.
Investigações revelam rastro de carteiras digitais
Segundo as autoridades indianas, os criminosos usaram os fundos em benefício próprio, desviando-os para a compra de artigos de luxo e ainda ficando com uma parte deles. A agência informou que a investigação sobre as carteiras digitais usadas nas operações revelou a existência de várias delas. O objetivo da investigação era tentar descobrir a origem e o destino dos fundos.
A agência destacou que a maioria das transações tracestava ligada à dark web, com os criminosos tentando, estrategicamente, torná-las impossíveis detrac. No entanto, como parte de sua inteligência de campo e expertise em trac, foi possível detectar as carteiras digitais que continham os ativos digitais, apreendendo-as dos criminosos. Em uma investigação anterior relacionada ao caso, as autoridades conseguiram apreender bens no valor de 489 milhões de rúpias dos criminosos.
Segundo algumas fontes, os investidores na plataforma eram cidadãos de diversos países do mundo. Enquanto as autoridades indianas prosseguem com as investigações, os responsáveis também estão sendo julgados nos Estados Unidos por autoridades federais. De acordo com uma decisão do tribunal distrital federal de San Diego, mais de US$ 17 milhões em restituição foram destinados a cerca de 800 vítimas do esquema em 40 países.
O criador da plataforma, Satish Kumbhani, foi indiciado em 2022, e seu promotor nos Estados Unidos, Glenn Arcaro, foi indiciado por conspiração para cometer fraude eletrônica. Esse esquema ressalta a necessidade de vigilância no setor de criptomoedas. Ao contrário do setor financeiro tradicional, onde as empresas podem se esforçar para recuperar fundos roubados, é difícil recuperar fundos perdidos no setor de criptomoedas.

