Hong Kong mantém regras de criptomoedas baseadas em risco em meio à promoção da tokenização

- Hong Kong regula as empresas com base no risco, e não na tecnologia que elas utilizam.
- A cidade está utilizando tokenização e stablecoins para acelerar e melhorar a eficiência das transações financeiras.
- A região está trabalhando com outros países, como o Brasil, para testar a tecnologia blockchain em pagamentos internacionais.
O secretário de Finanças de Hong Kong, Paul Chan, falando em um fórum global na Suíça, disse que a cidade está elaborando regulamentações inteligentes projetadas para proteger os usuários e, ao mesmo tempo, incentivar a inovação em ferramentas digitais.
Chan explicou que a região segue o princípio de “mesma atividade, mesmo risco, mesma regulamentação”, o que significa que as empresas são regulamentadas com base nos riscos de suas atividades, e não na tecnologia que utilizam. Em outras palavras, atividades com riscos semelhantes — sejam elas realizadas por meio de aplicativos, computadores ou blockchain — devem estar sujeitas a regras semelhantes.
Além de licenciar plataformas de negociação, Paul Chan afirmou que a cidade está testando novas abordagens em parceria com a Autoridade Monetária de Hong Kong (HKMA), o principal órgão regulador financeiro.
Um desses testes envolve depósitos tokenizados ou ativos digitais, nos quais o dinheiro fiduciário pode ser convertido em tokens digitais que podem ser enviados para qualquer lugar online de forma rápida e segura. Isso poderia ajudar pessoas e empresas a realizar transações com mais rapidez e eficiência. É provável que Hong Kong também emita licenças para stablecoins nos próximos meses. Stablecoins são uma forma de moeda digital atrelada a um valor estável, geralmente uma moeda fiduciária como o dólar americano.
O licenciamento de stablecoins exige que esses emissores atendam a padrões de segurança e transparência para proteger os fundos dos usuários. A cidade também está investindo na emissão de títulos verdes tokenizados. Desde 2023, a cidade vendeu três lotes de títulos verdes no valor aproximado de US$ 2,1 bilhões, permitindo que os investidores apoiem iniciativas sustentáveis enquanto utilizam plataformas digitais, como blockchains, para registrar e negociar seus títulos.
Hong Kong utiliza a tokenização para melhorar as finanças
Os líderes de Hong Kong acreditam que a tokenização pode ajudar a impulsionar a economia da cidade. Em vez de esperar dias para que dinheiro ou ativos sejam enviados de um local para outro, a tokenização pode tornar essas transferências praticamente instantâneas.
Isso pode reduzir custos, aumentar a velocidade das transações e tornar os serviços financeiros mais acessíveis a um público mais amplo. A tokenização também teve destaque em outubro do ano passado, depois que uma filial do China Merchants Bank (CMB) em Hong Kong transformou um dos maiores fundos do mercado monetário da região, avaliado em US$ 3,8 bilhões, em tokens digitais na blockchain BNB Chain.
Isso significava que o que o fundo detinha estava materializado em tokens digitais que podiam ser negociados na internet, mas que, mesmo assim, possuíam valor financeiro real. Esse conceito, chamado DART (Digital Asset and Registered Token), engloba mais de 40 iniciativas para aprimorar a funcionalidade e a eficiência do ecossistema de tokenização de Hong Kong para empresas e consumidores ao longo de cinco anos.
Hong Kong colabora com outros países em finanças digitais
O trabalho de Hong Kong não ocorre isoladamente. Em novembro de 2022, o banco digital brasileiro Banco Inter concluiu um teste de tecnologia blockchain para pagamentos e financiamento comercial entre Hong Kong e o Brasil. O experimento envolveu Chainlink, o Banco Central do Brasil e a Autoridade Monetária de Hong Kong.
O projeto piloto testou novos métodos para aprimorar transações internacionais usando tokens digitais e tecnologia blockchain. No contexto dos negócios globais, o financiamento do comércio exterior auxilia empresas na compra e venda segura de mercadorias além-fronteiras. O teste entre Brasil e Hong Kong demonstrou que a tokenização e o blockchain podem acelerar e aumentar a eficiência das liquidações financeiras internacionais.
As relações comerciais entre o Brasil e Hong Kong são extensas; os dois países são membros do bloco BRICS, um grupo de países em desenvolvimento que facilita o comércio e a cooperação. A colaboração entre os dois países em projetos de finanças digitais ilustra como a tokenização pode beneficiar muitos países e cidades em todo o mundo.
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Nélio Irene
Nellius é formada em Administração de Empresas e TI, com cinco anos de experiência no setor de criptomoedas. Ela também é graduada pela Bitcoin Dada. Nellius já contribuiu para importantes publicações de mídia, incluindo BanklessTimes, Cryptobasic e Riseup Media.
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