A Hermès aumentará os preços de suas bolsas e lenços nos Estados Unidos a partir de 1º de maio, atribuindo a decisão às tarifas impostas pelodent Donald Trump sobre produtos chineses, de acordo com a CNBC.
O diretor financeiro da empresa, Eric du Halgouët, confirmou o aumento durante uma teleconferência com analistas na quinta-feira, afirmando que o reajuste afeta apenas os consumidores americanos. Não haverá alterações de preços na Europa ou na Ásia. As tarifas que motivaram esse aumento são as taxas universais de 10% impostas pela Casa Branca no início de abril.
Eric disse: "O aumento de preço que vamos implementar será apenas para os EUA, já que visa compensar as tarifas que se aplicam somente ao mercado americano, portanto não haverá aumentos de preço em outras regiões."
Isso significa que pessoas em Nova York e Los Angeles pagarão mais pelas mesmas bolsas Birkin que alguém em Paris ou Tóquio pode comprar pelo preço antigo. A medida surge em um momento em que a marca de luxo tenta absorver totalmente o impacto financeiro causado pelas novas taxas de importação de Washington.
A nova tarifa de 10% já está afetando uma ampla gama de produtos —tron, roupas, veículos e até imóveis. Portanto, não é surpresa que itens de luxo como bolsas e lenços também estejam sendo afetados. E, diferentemente da União Europeia, que teve um prazo de 90 dias para negociar melhores condições comerciais, os EUA foram atingidos pelo custo total imediatamente. É por isso que a Hermès está agindo agora.
A Hermès desacelera enquanto a LVMH tropeça
As vendas da Hermès nas Américas cresceram 11% no primeiro trimestre, representando cerca de 17% da receita total da empresa de janeiro a março. No entanto, o crescimento global total ficou em apenas 7%, abaixo da faixa esperada de 8% a 9%, conforme apontado pelos analistas do Deutsche Bank. Em comparação, o crescimento da empresa no quarto trimestre de 2024 havia atingido 17,6%, demonstrando uma clara desaceleração.
O Deutsche Bank ainda classificou os resultados como "sólidos", mas apontou pontos fracos nos segmentos de relógios e perfumes. O Citi também não foi muito severo, descrevendo-os como "um resultado respeitável". Mas, apesar dessas classificações, as ações ainda caíram. Na manhã de quinta-feira, as ações da Hermès caíram 1,3%, o que reduziu o valor de mercado da empresa para € 244,5 bilhões (US$ 278,2 bilhões). Esse valor a colocou logo abaixo da LVMH, que estava avaliada em € 245,7 bilhões.
Embora a Hermès agora rivalize com a LVMH em tamanho de mercado, a diferença real em termos de receita é enorme. A LVMH, pertencente à família Arnault, administra marcas como Louis Vuitton, Dior, Moët Hennessy, Tiffany e Sephora. Ela tem alcance em diversos segmentos, como bebidas alcoólicas, moda e beleza, enquanto a Hermès permanece mais focada em nichos específicos. E há uma década, a LVMH chegou a tentar comprar a Hermès, mas não obteve sucesso.
Agora, ambas as empresas enfrentam dificuldades. A LVMH reportou uma queda inesperada nas vendas do primeiro trimestre, especialmente em seu segmento de moda e artigos de couro, o mais lucrativo. É uma das raras ocasiões em que ambas as gigantes estão em declínio simultaneamente.
Alguns analistas acreditam que empresas de luxo como a Hermès e a LVMH podem sobreviver a esse tipo de oscilação de preços melhor do que as lojas comuns. Isso porque elas vendem para clientes ricos que não se incomodam com custos mais altos. Mas há um porém. Se o crescimento econômico global cair ou os temores de recessão aumentarem, até mesmo os clientes mais ricos podem começar a reduzir seus gastos.
Enquanto isso, os fabricantes chineses estão tentando reagir. Esta semana, uma onda de fornecedores chineses inundou as redes sociais americanas com vídeos dizendo aos americanos para evitarem completamente as lojas. Um usuário do TikTok chamado Wang Sen, que afirma ser um fabricante de equipamento original (OEM) para marcas de renome, postou vídeos em que aparece em frente a uma parede de bolsas Birkin.
Basicamente, ele estava dizendo aos americanos para ignorarem a Hermès, comprarem diretamente da fábrica chinesa e evitarem as tarifas de 245% impostas por Trump à China.
Enquanto isso, a DHgate, uma plataforma chinesa de atacado conhecida por vender produtos de luxo falsificados, saltou repentinamente para o 2º lugar na App Store da Apple nos EUA. Outro aplicativo chinês, o Taobao, subiu para o 7º lugar. Essas plataformas permitem que os americanos comprem réplicas por uma fração do preço — a maioria delas afirma até mesmo oferecer a mesma qualidade.
