O Google reverteu seus planos de licenciar todas as carteiras de criptomoedas na Play Store, incluindo carteiras não custodiadas. Essa ação ocorre após críticas e confusão no setor em relação ao alcance da política.
Em uma declaração atualizada, o Google esclareceu: “Carteiras não custodiadas não estão abrangidas pela Política de Exchanges de Criptomoedas e Carteiras de Software do Google Play. Estamos atualizando a Central de Ajuda para deixar isso claro.”
Obrigado por nos avisar. Carteiras não custodiadas não estão abrangidas pela Política de Exchanges de Criptomoedas e Carteiras de Software do Google Play. Estamos atualizando a Central de Ajuda para deixar isso mais claro.
— Notícias do Google (@NewsFromGoogle) 13 de agosto de 2025
O Google havia declarado anteriormente que os novos requisitos da Play Store exigiriam que os desenvolvedores de carteiras digitais obtivessem licenças oficiais de serviços financeiros antes da publicação de seus aplicativos. As regulamentações, que abrangiam 15 jurisdições, como os EUA e a UE, não faziam distinção entre carteiras com e sem custódia, o que gera preocupação entre desenvolvedores e advogados.
Nova política da Google Play Store impõe AML/KYC (Antilavagem de Dinheiro/Conheça Seu Cliente) a carteiras não custodiadas nos EUA, efetivamente banindo desenvolvedores de carteiras não custodiadas da Play Store na UE.
— A Raiva (@theragetech) 13 de agosto de 2025
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Nos EUA, a política exigiria o registro na Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN) como uma Empresa de Serviços Monetários (MSB, na sigla em inglês) e uma licença estadual para transferência de dinheiro. Tais precauções são comuns em serviços de custódia, mas, tecnicamente, não são legalmente obrigatórias em carteiras não custodiadas, de acordo com as diretrizes da FinCEN de 2019.
O advogado da Consensys, Bill Hughes, expressou preocupação com a falta de clareza na política. Ele explicou que o Google os informou sobre a atualização em 10 de julho, sem defi o que constitui uma "carteira de software".
Hughes enfatizou que o registro de empresas de serviços monetários (MSB, na sigla em inglês) não é algo que a FinCEN tenha exigido expressa e explicitamente, e que, portanto, a regra representaria uma mudança incomum em comparação com a política regulatória vigente nos EUA. Ele também mencionou a política mais geral do Google de que as atividades relacionadas a criptomoedas devem ser realizadas por serviços certificados em jurisdições regulamentadas. No entanto, a certificação não é necessariamente um requisito legal.
Hughes classificou a política como "um tanto confusa" e alertou que as grandes plataformas de tecnologia, em vez de agências governamentais, poderiam ser as principais responsáveis pela distribuição de aplicativos de criptomoedas.
Na União Europeia, a política original do Google teria exigido que os desenvolvedores de carteiras digitais obtivessem licenças de Provedor de Serviços de Criptoativos (CASP) de acordo com o regulamento Mercados de Criptoativos (MiCA). Isso teria impedido muitos desenvolvedoresdent que não enjlicenças CASP de listar seus aplicativos na Play Store, já que não são carteiras custodiantes. A proposta assemelhava-se a alguns aspectos das ideias do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) para ampliar a fiscalização dos provedores de serviços de ativos virtuais.
A reversão demonstra a influência da indústria
A decisão do Google de retirar as carteiras não custodiadas devido à exigência de licenciamento é resultado da crescente oposição entre especialistas jurídicos, organizações de defesa das criptomoedas e líderes do setor.
Justin Slaughter, vice-dent de assuntos regulatórios da Paradigm, condenou a medida por considerá-la muito restritiva, especialmente considerando os processos antitruste que o Google enfrenta. Ele afirmou ser "surpreendente" que a empresa implementasse essas regras neste momento, classificando-as como "limitações draconianas" para desenvolvedores de carteiras não custodiadas.
Uma decisão surpreendente do Google, especialmente em meio aos seus processos antitruste, de impor repentinamente restrições draconianas a pessoas que disponibilizam carteiras não custodiadas na App Store.
— Justin Slaughter (@JBSDC) 13 de agosto de 2025
Como vemos com a BCRA no rascunho do CLARITY/SBC, a programação pura não deveria exigir uma licença federal. https://t.co/ZbFk2DK18s
Slaughter citou propostas pendentes no Congresso que declaram que "a programação pura não deve exigir uma licença federal", sugerindo que a política pode ser incompatível com a futura diretriz do Congresso.

