O Google, da Alphabet, lançou um novo plano para atrair empresas e afastá-las do Microsoft 365, apresentando dois produtos desenvolvidos para manter as operações em funcionamento quando os serviços em nuvem da Microsoft apresentarem falhas.
A divisão Workspace da empresa anunciou o lançamento na quinta-feira, alegando que se trata de uma decisão para proteger as empresas dos riscos de dependência associados às frequentes interrupções dos serviços da Microsoft.
O lançamento ocorre em um momento de crescente frustração entre os usuários corporativos que dependem das ferramentas da Microsoft para manter suas operações diárias online.
A primeira ferramenta sincroniza continuamente e-mails e arquivos, permitindo que as empresas migrem instantaneamente para o Gmail e o Drive sempre que os serviços da Microsoft falharem. Já a segunda é uma configuração de migração que inclui parcerias com a Okta e a JumpCloud, duas provedoras de gerenciamento dedentque ajudam as empresas a fazer a transição com segurança para fora do ecossistema da Microsoft, afirmou o Google.
Ganesh Chilakapati, diretor de gerenciamento de produtos do Google Workspace, afirma que ambas as novas ferramentas foram projetadas para corrigir a "fragilidade arquitetônica" da Microsoft.
O Google mira na frustração corporativa com as interrupções da Microsoft
Durante décadas, a Microsoft dominou o mercado de software para o ambiente de trabalho, mas agora o Google aposta que as empresas mudarão de plataforma quando perceberem a vulnerabilidade da infraestrutura da Microsoft em caso de interrupções.
O Google possui o terceiro maior negócio de nuvem globalmente, atrás da Amazon e da Microsoft, mas está posicionando seus produtos como mais eficientes para cargas de trabalho de IA. O Google argumenta que o tempo de inatividade não é mais um mero inconveniente.
Em um ambiente baseado em inteligência artificial, uma interrupção não apenas congela planilhas, mas pode interromper sistemas automatizados de tomada de decisão e custar milhões às empresas em fluxos de trabalho paralisados.
Esse é o ponto de pressão que o Google está explorando para conquistar os clientes da Microsoft que não podem se dar ao luxo de ficar um minuto sequer sem acesso aos seus serviços em operações de alta frequência.
Ganesh afirmou que o lançamento mais recente representa o compromisso do Google em oferecer às empresas um "espaço de trabalho de IA resiliente e seguro" que possa continuar funcionando mesmo quando as redes dos concorrentes entrarem em colapso. A empresa acredita que essa resiliência defia próxima fase da computação empresarial.
O Google aprofunda parcerias em IA para economias emergentes
Além de competir com a Microsoft, o Google também está expandindo sua presença global por meio de uma parceria com o Grupo Banco Mundial. As duas organizações estão desenvolvendo infraestrutura digital baseada em inteligência artificial para ajudar os mercados emergentes a modernizar os serviços públicos.
A iniciativa concentra-se na construção de Open Network Stacks, sistemas projetados para conectar setores como saúde, agricultura e educação em plataformas interoperáveis. O objetivo é disponibilizar serviços essenciais em mais de 40 idiomas, inclusive para cidadãos que utilizam dispositivos básicos.
Um teste piloto em Uttar Pradesh, na Índia, demonstrou como a estrutura poderia transformar as economias locais. Agricultores que utilizaram ferramentas baseadas em IA aumentaram sua produtividade e renda, comprovando que o acesso digital pode melhorar diretamente os meios de subsistência.
Para impulsionar ainda mais esse esforço, o Google.org está financiando uma nova organização sem fins lucrativos chamada Networks for Humanity, que construirá infraestrutura digital universal, criará laboratórios regionais de inovação e testará aplicativos de impacto social em regiões em desenvolvimento.
Segundo a Bloomberg, o Google vê sua estratégia dupla (estabilizar os ambientes de trabalho corporativos e fortalecer os sistemas públicos) como sua resposta a um mundo cada vez mais regido por inteligência automatizada.
No início desta semana, a empresa demitiu funcionários das equipes de "pesquisa quantitativa de experiência do usuário" e de "experiência de plataforma e serviço" da unidade de nuvem, bem como de algumas equipes adjacentes, de acordo com uma reportagem da CNBC.
Em agosto, o CEO do Google, Sundar Pichai, disse aos funcionários que a empresa precisaria "ser mais eficiente à medida que crescemos, para que não resolvamos tudo apenas com o aumento do número de funcionários"

