Os preços da gasolina dispararam no Centro-Oeste americano depois que a refinaria de Whiting, em Indiana, a maior instalação de processamento de petróleo bruto do interior dos EUA, desligou unidades importantes na última terça-feira.
A interrupção no fornecimento de energia ocorreu após dias de fortes chuvas e enchentes repentinas na região. O impacto? Motoristas em Michigan, Ohio e Wisconsin começaram a semana se deparando com preços da gasolina até 27 centavos mais altos em comparação com a segunda-feira passada.
Esses dados vieram da Associação Automobilística Americana (AAA), que também mostrou que, em nível nacional, os preços da gasolina praticamente não se alteraram, subindo apenas 2 centavos, o que demonstra o quão isolado e regional é o impacto.
A BP conseguiu reativar uma de suas duas unidades primárias de processamento na segunda-feira. Mas a retomada parcial não aliviou a pressão. Simplesmente não há folga suficiente no sistema.
Com o feriado do Dia do Trabalho começando em poucos dias e a expectativa de um aumento na demanda por viagens, os motoristas da região provavelmente continuarão arcando com custos elevados até pelo menos meados de setembro.
A paralisação da refinaria de Whiting impacta o Meio-Oeste americano, enquanto a refinaria de Canton permanece inativa
A instalação de Whiting, pertencente à BP, tem capacidade para processar 435.000 barris por dia, e quando para de funcionar, o abastecimento da região é afetado rapidamente. E desta vez, a situação é ainda mais crítica porque a refinaria da Marathon Petroleum em Canton, Ohio, também está inoperante.
Essa fábrica, que processa 100 mil barris por dia, está passando por manutenção programada que começou no início deste mês. A previsão é de que a parada completa se estenda até o início ou meados de setembro. Assim, agora, as duas fábricas regionais mais importantes estão paradas ou operando abaixo da capacidade normal simultaneamente.
Além disso, de gasolina já estão baixos. Estão abaixo dos níveis do ano passado e da média sazonal dos últimos cinco anos. Isso piorou tudo, e nem mesmo a retomada total das operações em Whiting teria resolvido o problema a tempo do Dia do Trabalho. É tarde demais. A gasolina que já está no sistema é tudo o que temos por enquanto.
Enquanto isso, os contratos futuros de petróleo continuam subindo. O petróleo Brent fechou a segunda-feira a US$ 68,80, alta de US$ 1,07 ou 1,58%. O petróleo West Texas Intermediate encerrou o pregão a US$ 64,80, com alta de US$ 1,14, ou 1,79%.
A alta dos preços vem se intensificando desde a semana passada e não mostra sinais de desaceleração. O motivo é o crescente risco de interrupção no fornecimento de produtos russos, à medida que a guerra na Ucrânia continua a se agravar.
Sanções, ataques com drones e tarifas aumentam a pressão sobre os preços do petróleo
As tensões na Europa Oriental voltaram a afetar diretamente os mercados de petróleo. Odent dos EUA, Donald Trump, afirmou na sexta-feira que, se as negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia não produzirem resultados em duas semanas, Washington imporá mais sanções a Moscou.
Ele também alertou que a Índia poderia enfrentar novas tarifas por continuar comprando petróleo bruto russo. A abordagem de Trump aumentou a pressão sobre um mercado já frágil, que ainda reage aos ataques físicos à infraestrutura energética russa.
Durante o fim de semana, o vice-dent dos EUA, JD Vance, afirmou que a Rússia fez "concessões significativas" para um acordo. Mas, na prática, isso não impediu a Ucrânia de intensificar seus ataques com drones. No domingo, um ataque com drone causou um grande incêndio no terminal de combustíveis de Ust-Luga.
Autoridades russas confirmaram o incêndio. Em outro incidente, um incêndio na refinaria de Novoshakhtinsk, também ligado à atividade de drones, ainda estava ativo no domingo. Essa instalação normalmente processa cerca de 100.000 barris por dia para exportação.
Mesmo com essas interrupções, Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank, afirmou que o impacto delas na oferta está sendo equilibrado pela OPEP+. O grupo vem revertendo gradualmente os cortes de produção anteriores e agora está adicionando barris de volta ao mercado.
Os oito membros da OPEP+ se reúnem em 7 de setembro e a expectativa é de que aprovem mais um aumento na produção. Esse não é o único evento que pode impactar o mercado. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, sinalizou na sexta-feira que o Fed pode cortar as taxas de juros em setembro.
Isso aumentou o apetite dos investidores por risco. Mas nem todos estão otimistas. Priyanka Sachdeva, analista sênior de mercado da Phillip Nova, afirmou que ambos os índices de referência do petróleo ainda parecem estáveis. Ela acrescentou que os mercados acreditam que as tarifas de Trump acabarão prejudicando o crescimento global, o que poderia desacelerar a demanda por combustíveis.

