O colapso da FTX abalou profundamente o mercado de criptomoedas. A queda foi tão intensa e repentina que ninguém na empresa sabia qual seria a solução. Em poucas semanas, a empresa entrou com pedido de falência após seus investidores retirarem US$ 6 bilhões em apenas 72 horas. A situação se agravou ainda mais quando Binance desistiu de um possível acordo de resgate, e a FTX mergulhou em um buraco sem fundo, do qual não há retorno.
Para melhorar a situação, Sam Bankman-Fried escolheu as Bahamas para a reorganização, já que o país caribenho é considerado um dos melhores em termos de regulamentação da negociação de criptomoedas. Quando as coisas não estavam indo como planejado, SMF optou por renunciar e J. Ray III foi nomeado o novo CEO da empresa. No entanto, a situação piorou ainda mais a partir daí. Como?
Bahamas, FTX e J. Ray III
No domingo, 27 de novembro de 2022, a Bloomberg noticiou que “As autoridades das Bahamas criticaram duramente o indivíduo responsável pela reestruturação da corretora de criptomoedas FTX”. Segundo o Procurador-Geral das Bahamas, Ryan Pinder, as alegações de J. Ray III são distorcidas e “extremamente lamentáveis”. Após a acusação de J. Ray III na semana passada de que as Bahamas apreenderam indevidamente ativos da FTX, o Procurador-Geral das Bahamas se manifestou.
No domingo, Pinder dirigiu-se à nação e criticou duramente as autoridades da empresa por deturparem os fatos. Ele afirmou que a alta direção da empresa "distorceu a ação oportuna tomada pela Comissão de Valores Mobiliários e usou alegações imprecisas apresentadas no pedido de transferência que haviam protocolado para fazê-lo". Além disso, o Procurador-Geral instou a multinacional de criptomoedas FTX a ter "prudência e precisão em todos os seus futuros registros"
Que futuro reserva para a FTX?
Ninguém sabe o que o futuro reserva, mas, pelo que se vê, o futuro da FTX é sombrio e incerto. Estima-se que pelo menos US$ 1 bilhão em fundos de clientes — e provavelmente muito mais — ainda estejam desaparecidos de mais de 100 afiliadas da FTX que entraram com pedido de recuperação judicial. Como resultado do intenso escrutínio legal e regulatório, o ex-CEO pode enfrentar pena de prisão após revelações de que transferiu US$ 10 bilhões em fundos de clientes para a Alameda Research, empresa irmã da plataforma e corretora de criptomoedas, que desde então encerrou suas atividades.
Segundo funcionários da FTX, Bankman-Fried administrava a empresa como se fosse seu "feudo pessoal". O ex-CEO é acusado de desviar recursos da empresa para financiar uma onda de gastos que incluiu a compra de US$ 300 milhões em imóveis de luxo.
A situação não está nada bem, nem mesmo entre os próprios executivos da empresa. O novo CEO, J. Ray III, acusa os principais executivos da empresa de tamanha falha e devastação corporativa. Ele criticou publicamente tanto o antigo CEO quanto os executivos de alto escalão. Em um documento judicial, J. Ray III afirmou: "Nunca em minha carreira vi uma falha tão completa nos controles corporativos e uma ausência tão total de informações financeiras confiáveis como a que ocorreu aqui."
FTX e investigação das Bahamas
Sempre que as coisas se desenrolam, a situação piora para a empresa. No domingo, Ryan Pinder afirmou ainda que estão focados nos "assuntos da FTX Digital Markets" e que a empresa está sob escrutínio tanto das "autoridades civis quanto criminais". Além disso, ele confirmou que estão se esforçando para trazer a empresa à mesa de negociações e, para isso, estão trabalhando com "diversos especialistas e continuarão a fazê-lo conforme a necessidade"
Além disso, ele acrescentou que foi iniciada uma investigação contra a empresa "em relação à crise de insolvência da FTX e a quaisquer possíveis violações da lei das Bahamas"
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