O Fed enfrenta um confronto direto com a Casa Branca e se prepara para uma batalha judicial depois que a governadora Lisa Cook entrou com um processo contra odent Donald Trump, que alegou na segunda-feira tê-la demitido devido a alegações de fraude hipotecária.
O banco central afirmou na terça-feira que acatará qualquer decisão proferida pelos tribunais e deixou claro que apoia Cook em seu processo contra a destituição do cargo.
Essa batalha legal, que pode chegar tanto ao Congresso quanto à Suprema Corte, agora gira em torno da questão de se Trump tem ou não o poder de demitir um membro do Conselho de Governadores do Fed confirmado pelo Senado.
A declaração oficial do banco central afirmou que Lisa, por meio de seu advogado, contestaria prontamente a tentativa de Trump na justiça e buscaria uma decisão que confirmasse seu direito de permanecer no cargo. O processo já está em andamento.
O conselho do Fed confirma que Lisa permanecerá no cargo enquanto o tribunal decide seu destino
O Fed quebrou o silêncio na terça-feira com um lembrete enfático de que somente o Congresso, por meio da Lei da Reserva Federal, determina como e quando um membro do Conselho de Governadores pode ser destituído. Os membros do Conselho cumprem mandatos longos e fixos e só podem ser removidos do cargo "por justa causa"
O banco central não disse se a alegação de Trump se enquadra nos critérios, mas alertou que essas proteções existem por um motivo: impedir que a política monetária seja politizada.
“Mandatos longos e proteções contra destituição para os governadores servem como uma salvaguarda vital”, disse o Fed, “garantindo que as decisões de política monetária sejam baseadas em dados, análises econômicas e nos interesses de longo prazo do povo americano”
O banco central também reiterou seu compromisso de permanecerdent e cumprir suas obrigações "conforme estabelecido por lei". Isso inclui promover o emprego, manter a estabilidade de preços e garantir o funcionamento do sistema financeiro.
Trump, falando na Casa Branca, disse a repórteres que está pronto para deixar que os tribunais resolvam a questão. "Eu acato as decisões do tribunal, sim, eu acato as decisões do tribunal", disse ele. Mas ele também previu que a remoção de Lisa lhe permitiria virar o conselho a seu favor.
“O conselho do Fed em breve será composto por uma maioria de pessoas indicadas por mim”, disse ele. Isso lhe daria mais poder de negociação para reduzir as taxas de juros, algo que ele vem exigindo repetidamente desde que reassumiu o cargo.
Lisa não renunciou. Ela afirmou na noite de segunda-feira que continuaria exercendo suas funções no Fed, apesar do anúncio de Trump. Questionada sobre se ela estava trabalhando na sede em Washington ou remotamente, o Fed não respondeu.
Trump alega "causa", advogado de Lisa diz "nenhuma autoridade"
O advogado de Lisa, Abbe Lowell, reagiu com veemência. "Trump não tem autoridade para demitir Cook", afirmou. "Sua tentativa de demiti-la, baseada unicamente em uma carta de recomendação, carece de qualquer fundamento fático ou jurídico." Lowell confirmou que um processo está sendo aberto para contestar o que ele chamou de ação ilegal.
Entretanto, a Casa Branca insiste que Trump agiu dentro da lei. Em uma declaração por escrito, Kush Desai, porta-voz do governo, afirmou que odent tinha o direito legal de agir de acordo com o artigo 242 do Título 12 do Código dos Estados Unidos, uma lei federal que rege o Conselho do Sistema de Reserva Federal.
“Odent exerceu sua autoridade legal para destituir um governador”, disse Desai, acrescentando que Lisa foi “acusada de forma crível de mentir em documentos financeiros, ocupando um cargo altamente sensível de supervisão de instituições financeiras”
A disputa pela posição de Lisa não se resume mais a um emprego. Trata-se de poder, controle do Conselho do Fed e dos limites da autoridade executiva. Os principais dirigentes do Fed, incluindo o presidente Jerome Powell, não se manifestaram individualmente, como quase sempre fazem.

