O destino da economia global, a desdolarização e a Rússia sob o segundo mandato de Trump

A economia global é um desastre complexo neste momento. No centro de tudo está a desdolarização, a Rússia e a possibilidade muito real de Trump retornar à Casa Branca.
Imagine a seguinte situação: um mundo que não se curva mais ao dólar americano. É isso que está em jogo, à medida que países da Rússia à China, passando por toda uma coalizão de nações do Sudeste Asiático, começam a se desvencilhar da hegemonia da moeda americana.
Trump 2.0? Ele está pronto para impor tarifas e restrições como nunca antes, caso esses países continuem negociando em suas próprias moedas. Essa situação tem enormes implicações, não apenas para os Estados Unidos e seu império financeiro, mas também para a inflação global, a dívida e — sejamos francos — quem manda nas finanças globais.
Desvalorizando o dólar um pouco
A Rússia está liderando o movimento. Assim que as sanções começaram a cair sobre eles após suas ações na Ucrânia, eles deram uma olhada no dólar e disseram: "É, chega disso". Agora, Rússia e China estão fazendo quase todos os seus pagamentos uma para a outra em suas próprias moedas — mais de 90% deles, na verdade.
Os BRICS estão se mobilizando e pressionando por um mundo onde o dólar não mande as regras. Sua estratégia? Criar um ambiente financeiro sem a autoridade do dólar.
As negociações do BRICS giram em torno da criação de uma moeda comum, talvez até mesmo lastreada em algo sólido como ouro ou commodities. Trata-se, na verdade, de segurança. Chega de controle de um único país sobre a oferta monetária dos demais. E se isso se concretizar, poderá reescrever as regras do comércio global.
Agora, Trump está observando tudo isso e, digamos, está pronto para implementar seu plano "América Primeiro" com toda a força. Ele está determinado a manter o dólar onde acredita que ele deve estar, não importa o custo para as relações comerciais ou a diplomacia internacional.
A estratégia econômica de Trump: tarifas, sanções e alguns truques novos
Dentro do círculo de Trump, um plano estratégico sério está sendo elaborado. Seus assessores estão analisando diretamente alternativas como o Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços da China (CIPS) e o Sistema de Mensagens Financeiras da Rússia (SPFS). Esses sistemas, construídos especificamente para contornar o SWIFT e o dólar, colocaram os assessores de Trump em alerta máximo.
Segundo pessoas próximas à sua equipe, eles estão explorando todas as possibilidades para impedir que outras moedas ganhem destaque, e não hesitarão em punir qualquer instituição financeira que se alinhe a essa nova tendência de desdolarização.
Isso pode ter consequências ainda mais graves. Os EUA podem sofrer algumas repercussões negativas em seus próprios mercados. Por exemplo, se a demanda por dólares cair, esses dólares começarão a retornar em massa para o país, aumentando a inflação. E a dívida? O custo do pagamento pode disparar se ninguém mais estiver disposto a comprar títulos do Tesouro americano.
Economistas já estão soando o alarme sobre o que acontecerá se todos começarem a abandonar o dólar. E com a postura agressiva de Trump, esse temor não vai desaparecer tão cedo.
Neste momento, a Fox News está noticiando que Trump está na liderança com 230 votos eleitorais contra 179 de Kamala Harris. Grandes veículos de mídia que apoiam o Partido Democrata, como o The New York Times, estão até mesmo apostando em Trump, dando a ele 88% de chances de vencer esta eleição.
Analistas do Times afirmam que Harris precisaria de uma vitória completa em estados como Pensilvânia, Michigan e Wisconsin para ter alguma chance, mas Trump também parece estar em uma posição sólida nesses locais.
Essa reviravolta está deixando Wall Street em polvorosa. Moedas de mercados emergentes? Estão despencando. Muitos investidores estão comprando dólares por precaução, caso Trump vença. Aliás, um índice de moedas de países em desenvolvimento já caiu 0,6%, liderado por uma queda de 2,5% do peso mexicano — que está em seu menor nível em dois anos.
É isso que uma vitória de Trump poderia fazer. Enquanto isso, os mercados chineses haviam se acalmado um pouco, na expectativa de uma disputa acirrada, mas agora? Estão sentindo a pressão, e muito.
O yuan offshore desvalorizou-se 1% em relação ao dólar hoje, a maior queda em mais de um ano. As ações de Hong Kong despencaram, com o índice Hang Seng caindo mais de 3%, enquanto as ações da China continental permaneceram relativamente estáveis, impulsionadas pela expectativa de um pacote de estímulo.
O banco central da China está empenhado em estabilizar o yuan, intervindo com uma venda maciça de dólares no mercado interno para manter a moeda estável. E se as políticas comerciais de Trump entrarem em vigor, as autoridades chinesas intensificarão seus esforços, com bancos estatais sustentando o yuan nos mercados locais e o banco central ajustando a taxa de câmbio diariamente para manter a moeda estável.
Há quem diga que Pequim poderia até mesmo deixar o yuan se desvalorizar para impulsionar suas exportações caso Trump imponha tarifas mais altas, mas muitos acreditam que o governo manterá um controle rígido sobre o yuan para administrar a volatilidade.
Putin e Trump
Agora vamos falar sobre o verdadeiro elefante na sala. Vladimir Putin e a Rússia. O homem não está esperando que Trump se torne seu herói. O relacionamento entre eles é complicado, para dizer o mínimo, e Moscou tem um longo histórico de desconfiança em promessas — especialmente nas de Trump.
Oito anos atrás, quando assumiu o cargo, Moscou celebrou sua vitória, na esperança de que ele aliviasse as sanções que pesavam desde a anexação da Crimeia. Mas Trump não cumpriu sua promessa. Ele tinha certa simpatia por Putin, sem dúvida, mas quando se tratava de ação? A Rússia não conseguiu o que queria.
Avançando para os dias de hoje, Moscou mantém suas esperanças baixas. Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, publicou no Telegram que não espera que a eleição traga qualquer benefício para a Rússia. "A eleição não mudará nada para a Rússia", escreveu, afirmando que ambos os candidatos americanos representam o mesmo "consenso" de que a Rússia deve ser "derrotada".
Medvedev criticou duramente as afirmações de Trump sobre seu bom relacionamento com a Rússia, chamando-as de "banalidades" e sugerindo que, se Trump ao menos tentasse tirar a Rússia da guerra, ele seria "o novo JFK"
O ministro das Relações Exteriores, Sergey Lavrov, também não está se deixando levar pela propaganda em torno de Trump. "Quem quer que vença a eleição, não vemos nenhuma perspectiva de que os Estados Unidos mudem seu curso russófobo", disse ele anteriormente.
E o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, ficou furioso quando Trump afirmou recentemente que esteve perto de um acordo de desarmamento nuclear com a Rússia e a China durante seu primeiro mandato. "Não, isso não corresponde à realidade", rebateu Ryabkov.
E depois temos Kamala Harris, que conseguiu tirar proveito da brincadeira de Putin sobre o apoio a Harris. Assim que Biden desistiu da corrida presidencial, Putin alfinetou dizendo que seguiria o conselho de Biden e "apoiaria" Harris.
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Jai Hamid
Jai Hamid é uma escritora de finanças com seis anos de experiência cobrindo criptomoedas, mercados de ações, tecnologia, economia global e eventos geopolíticos que afetam os mercados. Ela trabalhou com publicações focadas em blockchain, incluindo AMB Crypto, Coin Edition e CryptoTale, cobrindo análises de mercado, grandes empresas, regulamentação e tendências macroeconômicas. Ela estudou na London School of Journalism e já participou três vezes de programas em uma das principais redes de TV da África para compartilhar insights sobre o mercado de criptomoedas.
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