Etiópia registra aumento nas preocupações com o fornecimento de energia, apesar do boom da mineração de criptomoedas

- A Etiópia tem sofrido com problemas de energia relacionados ao crescimento da indústria de mineração de criptomoedas.
- Prevê-se que o país destine um terço do seu fornecimento de eletricidade à indústria mineira, que consome muita energia.
- Os críticos têm instado o governo a considerar as compensações entre o crescimento da infraestrutura digital e os serviços essenciais.
A Etiópia tem enfrentado crescentes preocupações com o fornecimento de energia, atribuídas às atividades de mineração de criptomoedas em meio ao boom do setor no país. Segundo relatos, a indústria de mineração de criptomoedas e data centers deverá consumir um terço da energia elétrica do país em 2025.
Essa previsão levantou questões sobre a distribuição de energia em um país onde metade da população ainda não tem acesso a um fornecimento de energia confiável.
De acordo com o recém-divulgado Panorama Energético da Etiópia para 2025, a demanda por eletricidade de data centers relacionados a criptomoedas ultrapassará oito terawatts-hora (TWh) este ano, o que equivale a cerca de 30% da demanda nacional total. O relatório foi elaborado por empresas estatais e pela Autoridade de Petróleo e Energia do país, questionando se tal uso é apropriado.
O relatório sobre as perspectivas energéticas da Etiópia para 2025 levanta preocupações
Embora a mineração seja vista como uma fonte de divisas e infraestrutura digital, a enorme pegada energética que gera tem suscitado debates sobre equidade e eficiência. Além disso, o progresso na eletrificação da Etiópia tem sido mais lento, apesar das inúmeras metas e dos grandes programas de infraestrutura implementados no país.
“Como o equilíbrio entre oferta e demanda é apertado, permanece em aberto a questão de se a energia não poderia ser melhor utilizada para exportação, eletrificação geral ou outros usos produtivos, como bombeamento de água nos setores hídrico e agrícola, onde geradores a diesel são amplamente utilizados”, diz o texto.
Segundo o relatório, no âmbito do Programa Nacional de Eletrificação (NEF), cerca de 2,2 milhões de domicílios foram conectados à rede elétrica nos últimos cinco anos, até 2024. No entanto, quase 50% da população ainda não tem acesso a energia elétrica confiável, e apenas 22% possuem ligações à rede elétrica com medidores registrados.
O relatório também alerta que a lenta expansão do acesso à eletricidade tem sido um dos fatores que dificultam o desenvolvimento econômico, reduzindo os benefícios potenciais de outras reformas do setor. "Abordar essa questão exige maiores investimentos em infraestrutura e soluções inovadoras para ampliar o acesso à energia em áreas carentes. Espera-se que as respectivas reformas tarifárias e cambiais aliviem a falta de materiais para a eletrificação, uma das principais barreiras ao seu progresso", afirma o relatório.
Embora a distribuição atual cubra apenas 25% do território da Etiópia, cerca de 68% da população reside a menos de cinco quilômetros da rede elétrica. “Isso destaca o potencial para triplicar o número de conexões domiciliares dentro da área de cobertura da rede existente. A implementação de tarifas que reflitam os custos proporcionará à EEU (Etiópia Unificada da Etiópia) recursos para novas conexões, tornando a eletrificação em larga escala mais viável”, afirma o relatório.
Críticos instam o governo a reconsiderar os serviços essenciais
O relatório também mencionou que, embora Addis Abeba enjuma taxa de eletrificação de cerca de 93%, regiões como Afar e Somali permanecem abaixo de 12%. Também houve discussões sobre o aumento das tarifas de eletricidade em até 400% até 2028, sob o novo regime de preços que reflete os custos, previsto na NEP 3.0.
Analistas preveem que o aumento de preço reduzirá as atividades de mineração de criptomoedas, que atualmente se beneficiam de tarifas de energia abaixo do mercado e regulamentações fiscais favoráveis.
Embora a mineração de criptomoedas ofereça oportunidades diretas de investimento estrangeiro e aproveite os 98% de energia renovável da Etiópia, críticos argumentam que sua expansão durante a crise nacional de eletrificação pode afetar metas de desenvolvimento mais amplas. Segundo o relatório, cerca de 15 milhões de famílias ainda aguardam sua primeira conexão à rede elétrica.
A Etiópia passou a adotar Bitcoin depois que o Banco Nacional da Etiópia (NBE) proibiu a negociação de criptomoedas em 2022. No ano seguinte, o governo começou a registrar discretamente empresas de mineração por meio de sua agência de segurança cibernética, a INSA, demonstrando uma tendência em direção à monetização da infraestrutura digital.
Segundo os críticos, um país que enfrenta dificuldades para fornecer eletricidade confiável a clínicas e onde os agricultoresdent de bombas a diesel para irrigação deveria reavaliar a alocação de energia. Eles também instaram os formuladores de políticas a considerarem o equilíbrio entre o crescimento da infraestrutura digital e os serviços essenciais.
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Owotunse Adebayo
Adebayo é um escritor com quatro anos de experiência no universo das criptomoedas. Ele se formou na Universidade de Lagos, onde estudou Planejamento Urbano e Regional. Adebayo trabalhou na Tokenhell e na CryptoTicker, escrevendo notícias sobre criptomoedas e fintechs. Atualmente, ele é colaborador do Cryptopolitan.
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