Na quinta-feira, diversas opiniões sobre inteligência artificial foram expressas na Escola de Negócios da Universidade de Stanford. Cientistas, executivos, defensores dos direitos humanos e pesquisadores apresentaram seus pontos de vista sobre a IA.
Profissionais do governo e analistas de tecnologia compartilharam opiniões divergentes sobre o papel da IA. Alguns a consideraram uma oportunidade para aprimorar diversos setores, enquanto outros afirmaram que ela ameaça as indústrias criativas.
A agenda da conferência era promover a competição em IA (Inteligência Artificial). O Departamento de Justiça dos Estados Unidos e o Instituto de Pesquisa de Política Econômica de Stanford coorganizaram o evento.
Ativistas de direitos humanos têm crenças diferentes
Os pesquisadores afirmaram que a tecnologia de inteligência artificial traz novas possibilidades. Dito isso, ela também traz desafios complexos, visto que a tecnologia está em seus estágios iniciais de desenvolvimento e tem um impacto de longo alcance.
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A tecnologia de IA está se desenvolvendo a uma velocidade surpreendente, muito além do que os analistas previram inicialmente. O ativista de direitos humanos Duncan Crabtree-Ireland é diretor executivo e negociador do SAG-AFTRA (Sindicato dos Atores de Cinema). Crabtree-Ireland afirmou que a IA proporcionou a algumas empresas poderosas a oportunidade de se apropriarem do trabalho das pessoas sem o seu consentimento.
Crabtree-Ireland, que negociou o históricotracde TV/Cinema de 2023 do sindicato, afirmou que as empresas de IA lucram com o trabalho dos criadores sem lhes pagar a devida compensação. Ele disse:
“Não é correto usar o rosto, a voz ou a performance de alguém para criar algo sem a sua permissão. É preciso haver um equilíbrio entre as partes, respeitando os indivíduos e a criatividade humana.”
O diretor jurídico da Advance Publications, Michael Fricklas, afirmou que a inteligência artificial trouxe muitos problemas para o jornalismo. A Advance Publications é a empresa controladora da Condé Nast, uma empresa global de mídia com sede em Nova York. Fricklas disse que a situação atual é de que grandes quantidades de conteúdo são extraídas de jornais sem qualquer responsabilização.
Especialistas em tecnologia estão entusiasmados com a IA
Percy Liang, professor associado de ciência da computação em Stanford, afirmou que, desde o lançamento do ChatGPT, novos modos são lançados a cada semana. Essa rápida inovação traz problemas, como a precisão e o viés nos modelos de IA.

Alguns participantes tinham opiniões diferentes sobre a tecnologia. Afirmaram que governos e mercados deveriam encarar a IA de forma positiva e que ela tem o potencial de aprimorar diversos setores da indústria e dos serviços. O setor da saúde já utiliza inteligência artificial para avaliar relatórios de pacientes e até mesmo para desenvolver novos medicamentos.
David Kizner, diretor de privacidade da Viz.ai, afirmou que sua empresa desenvolveu um sistema para ajudar a equipe médica a agilizar o processo dedentdo tipo de AVC. Um AVC chamado oclusão de grandes vasos possui dois subtipos diferentes e pode ser fatal se não fordentcorretamente.
Kizner afirmou que a solução deles não parece ser "IA generativa empolgante; é algo mais tradicional de visão computacional", já que se destina mais à avaliação de tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas ou ultrassonografias para identificar condições suspeitas. Kizner enfatizou que essas soluções são cruciais em situações de vida ou morte e são baseadas em IA, apesar de serem um pouco tediosas para os participantes, por isso não entrará em muitos detalhes específicos.
O fundador da DeepLearning.AI, Andrew Ng, fez algumas observações sobre o posicionamento político de alguns políticos. Ele disse:
"Gostaria que os Estados Unidos continuassem firmemente a favor da concorrência e da tecnologia."
Ng se referia a Bernie Sanders. Ele disse que Sanders criticou duramente os empreendedores individuais. Ele mencionou especificamente Elon Musk e disse que Sanders o criticou nominalmente pelo pecado de ser bem-sucedido. Seu argumento era que os EUA deveriam ser uma sociedade pró-tecnologia.
Autoridade governamental expressa preocupação
Autoridades governamentais afirmaram que a regulamentação de parcerias em mercados de tecnologia e os direitos de informação são grandes preocupações. O procurador-geral adjunto do Departamento de Justiça dos EUA, Jonathan Kanter, disse que a aplicação eficaz das leis antitruste muitas vezes entra em conflito com grandes mudanças industriais e tecnológicas.
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Kanter mencionou a vitória no caso de 2001 contra a Microsoft por monopolização ilegal, que abriu caminho para o sucesso das empresas atuais. Ele destacou o benefício da aplicação das leis antitruste em momentos de evolução industrial que proporcionaram condições equitativas para o avanço da inovação. Ele afirmou ter observado tendências em IA que precisam ser abordadas. O procurador-geral observou que,
“A IA depende de quantidades massivas de dados e poder computacional, o que pode dar às empresas já dominantes uma vantagem substancial.”
A vice-dent da Comissão Europeia, Vera Jourová, afirmou que a UE regula a tecnologia com firmeza. Ela disse que, na Europa, as pessoas estão se esforçando para encontrar respostas para os desafios trazidos pela digitalização e adotando suas próprias abordagens. Jourová afirmou que a ideia é simples: a tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário.
“Não somos meros campos de dados para empresas de tecnologia explorarem e, em seguida, tomarem decisões por nós ou lucrarem com nossos pensamentos e medos.”
Jourová afirmou que a UE elabora leis para lidar com os riscos para as pessoas e abrir mercados que foram fechados por grandes empresas, que se tornaram grandes demais para competir. Ela disse que tanto a UE quanto os EUA enfrentam problemas semelhantes.
A vice-presidente afirmou que ainda temos a chance de moldar a revolução da IA. Aludindo aos desafios da concorrência, ela disse: "É difícil imaginar uma criança com visão de futuro desafiando a Microsoft e a OpenAI, ou o LlaMa 2 da Meta, ou o DeepMind do Google."
Reportagem Cryptopolitan por Aamir Sheikh

