O BCE afirma que restaurar o papel do cashexige um euro digital

- O BCE afirma que o euro digital é necessário para complementar cash físico em uma economia cada vez mais digital.
- Atualmente, os pagamentos Cash representam apenas 24% do valor das transações diárias na zona do euro.
- Os pagamentos europeus enfrentam desafios em termos de autonomia estratégica, competitividade e experiência do usuário.
O Banco Central Europeu (BCE) sublinhou a necessidade de um euro digital para preservar o papel central do cashna crescente economia digital.
Conforme discurso de Piero Cipollone, membro do Conselho Executivo do BCE, no Fórum de Pagamentos da França, ele argumentou que, com o aumento da adesão de indivíduos aos pagamentos digitais e dos negócios online, o uso do cash como instrumento de pagamento universal está diminuindo. O BCE considera o euro digital um passo crucial para substituir cash por uma versão digital.
O atual setor de pagamentos europeu apresenta dependências críticas
O sistema de pagamentos europeu enfrenta atualmente diversos desafios. O BCE mencionou a dependência generalizada de prestadores de serviços de pagamento não europeus. Cipollone estimou que cerca de dois terços dos pagamentos com cartão na zona euro são processados por empresas não europeias. No entanto, 13 países da zona euro dependem inteiramente de bandeiras de cartões internacionais ou plataformas móveis para transações em pontos de venda.
Mesmo em países com sistemas de cartões nacionais, estes precisam ser co-brandados com sistemas de cartões internacionais para permitir compras transfronteiriças na zona do euro ou transações online. Empresas estrangeiras como PayPal, Apple Pay e Alipay são líderes em soluções de pagamento digital e provavelmente colaborarão com sistemas de cartões internacionais numa tentativa de aumentar sua participação de mercado.
Cipollone citou que "o PayPal afirmou que começará a aceitar pagamentos sem contato na Alemanha, com a tecnologia da Mastercard". Essa dependência se estende ao futuro. O BCE também estava preocupado com os usos futuros de stablecoins estrangeiras.
O banco central lista três desafios principais que o sistema de pagamentos europeu enfrenta. São eles: ter autonomia estratégica e soberania monetária em um período de crescentes tensões geopolíticas; superar a lacuna de competitividade e inovação que é responsável pela ausência de um sistema internacional de cartões de pagamento com sede na Europa; e aprimorar a experiência do usuário para os europeus, que se encontram em uma região com sistemas de pagamento dispersos.
O design do euro digital visa complementar cash em espécie
O BCE enfatizou que o euro digital é um complemento direto ao cashfísico. Segundo Cipollone, o euro digital terá curso legal. Isso garantirá sua aceitação em todos os locais onde os pagamentos digitais estão disponíveis.
Uma característica fundamental do euro digital proposto seria a funcionalidade offline. Isso oferece aos usuários privacidade semelhante à dos pagamentos cash e permite transações mesmo sem conexão à internet. O BCE enfatiza que o euro digital proporcionaria aos consumidores europeus uma opção de pagamento digital simples e segura, gratuita para uso básico e que atenderia a todas as necessidades de pagamento em toda a zona do euro.
O interesse público em um euro digital parece estar crescendo. Cipollone observou que “pesquisas mostram que quase metade dosdentprovavelmente usaria o euro digital – um número que aumentou significativamente ao longo do tempo”. Essa tendência foi confirmada por diversas pesquisas realizadas por bancos centrais nacionais.
O BCE enfatiza que o euro digital será construído sobre umatroncolaboração público-privada. Isso permitiria que projetos privados fossem ampliados em toda a zona do euro, com os sistemas de pagamento com cartão nacionais potencialmente adotando a marca conjunta do euro digital para ampliar seu alcance. Os bancos poderiam incorporar o euro digital em suas carteiras digitais e serviços de internet banking como um mecanismo de pagamento alternativo aprovado em toda a zona do euro.
Cerca de 70 comerciantes, empresas fintech, startups, bancos e outros prestadores de serviços de pagamento já se uniram ao BCE para explorar o potencial do euro digital por meio de parcerias de inovação.
Dinheiro do banco central necessário para transações DLT
Além dos pagamentos a retalho, o BCE também está a avançar no seu trabalho de facilitação de transações financeiras a nível de atacado, utilizando a tecnologia de registo distribuído (DLT) e a tokenização. Cipollone destacou que o banco central já oferece moeda digital do banco central para transações a nível de atacado através dos seus Serviços TARGET.
O BCE considera a tecnologia de registro distribuído (DLT) e a tokenização como abordagens que permitem a emissão ou representação de ativos na forma de tokens digitais, em vez de melhorias incrementais. Isso possibilitaria aos participantes do mercado gerenciar negociação, liquidação e custódia em uma única plataforma disponível 24 horas por dia, todos os dias do ano. Também permitiria a sincronização dos processos de negociação e liquidação, bem como a criação de novos modelos de negócios por meio de transações condicionais automatizadas.
Os bancos europeus também estão analisando ativamente esse mercado, com mais de 60% considerando ou já utilizando DLT e 22% com aplicações de DLT implementadas. Cipollone observou emissões de títulos cada vez mais substanciais em plataformas de DLT.
Ao longo do último ano, o Eurosistema considerou a utilização da tecnologia de registo distribuído (DLT) para liquidar transações de grande valor em moeda do banco central. Cipollone sublinhou que disponibilizar moeda do banco central a estas novas tecnologias é crucial para evitar a entrada de ativos de liquidação alternativos, como stablecoins ou depósitos tokenizados. O BCE afirmou que irá disponibilizar, em breve, uma facilidade para liquidar transações em DLT utilizando moeda do banco central. Pretende também procurar soluções mais integradas no futuro.
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Vignesh Karunanidhi
Vignesh é redator de conteúdo sobre criptomoedas, jornalista especializado em criptomoedas, editor de conteúdo e gestor de redes sociais. Trabalhou com a Watcher.guru, BeInCrypto, CoinGape, Milkroad e Airdrops por mais de 6 anos. Suas habilidades em cobertura de notícias sobre tecnologia, robótica, negócios e inteligência artificial foram aprimoradas por meio de um mestrado em Comércio.
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