O dólar americano perdeu ainda mais valor na quinta-feira, desvalorizando-se em relação a uma ampla gama de moedas, enquanto Bitcoin ultrapassou os US$ 111.000 pela primeira vez na história.
A queda do dólar ocorreu após o caos político em Washington, um leilão de títulos fracassado e dúvidas renovadas sobre se os investidores estrangeiros ainda estão dispostos a financiar a dívida americana.
Segundo dados da Bloomberg , a pressão imediata veio de uma fraca venda de títulos do Tesouro de 20 anos, que teve um preço muito acima do esperado pelo mercado, forçando os rendimentos a dispararem e a confiança a cair.
O Tesouro vendeu US$ 16 bilhões em títulos de 20 anos com um rendimento de 5,047%, consideravelmente superior ao que os investidores previam. Ao final do leilão, os rendimentos desses títulos subiram ainda mais, para 5,127%, o maior nível desde novembro de 2023, demonstrando a acentuada queda na demanda.
Isso afetou duramente o dólar. O euro subiu 0,4%, para US$ 1,1334, atingindo a maior cotação em duas semanas, enquanto o iene acompanhou com ganhos semelhantes. O fracasso do leilão sinalizou que os compradores estão exigindo retornos maiores para manter títulos da dívida americana e que a incerteza sobre as finanças de Washington está se espalhando.
Disputas internas no Partido Republicano paralisam projeto de lei tributária enquanto capital estrangeiro recua
O leilão de títulos fracassou justamente quando odent Donald Trump não conseguiu apoio dos republicanos para um projeto de lei tributária controverso. Trump se reuniu com republicanos da Câmara na terça-feira, tentando aprovar uma legislação destinada a reduzir impostos, mas não convenceu os dissidentes.
O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, afirmou que os radicais ainda se recusam a apoiar o plano, argumentando que ele não reduz os gastos do governo o suficiente para justificar o aumento do defi. Analistas apartidários estimam que o projeto de lei adicionaria entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões à dívida nacional.
Investidores estrangeiros estão observando o desenrolar dos acontecimentos e recuando. Os operadores agora se perguntam se as autoridades americanas estão deliberadamente deixando o dólar cair para apoiar as negociações comerciais que ocorrem à margem das reuniões do G7 no Canadá.
Ao mesmo tempo, a campanha global de tarifas de Trump silenciou abruptamente. A pausa temporária de 90 dias na imposição de novas barreiras comerciais está quase no fim, e não há novos acordos. Esse silêncio gerou mais perguntas do que respostas sobre o futuro da política comercial dos EUA, deixando os mercados nervosos com o tempo se esgotando.
Bitcoin dispara e ultrapassa recorde histórico com a entrada maciça de fluxos de caixa em ETFs
Enquanto o dólar despencava, Bitcoin disparava. O criptoativo ultrapassou os US$ 111.000, dando continuidade a uma alta iniciada apenas 48 horas antes. Na segunda-feira, Bitcoin já havia ultrapassado os US$ 106.000, encontrado suporte em torno de US$ 105.200 e, em seguida, decolado novamente, superando sua máxima histórica anterior de US$ 109.588, registrada em 20 de janeiro.
Analistas apontaram pressões macroeconômicas, como o fraco desempenho do dólar, o aumento dos rendimentos dos títulos e a incerteza política, como razões principais para o crescente tracdas criptomoedas.
Os fluxos de ETFs corroboraram essa tendência. Em 21 de maio, os ETFs spot Bitcoin registraram entradas líquidas de US$ 609 milhões, o sexto dia consecutivo de fluxos positivos. Ethereum também ganhou força, com os ETFs spot atraindo US$ 587.100 em quatro dias.
Wall Street também está começando a se reposicionar. O Morgan Stanley acaba de elevar sua perspectiva para a maioria dos ativos americanos, passando para "acima da média do mercado" tanto em ações quanto em títulos do Tesouro. Seus analistas apontaram para a queda nos riscos de recessão e a possibilidade de cortes nas taxas de juros.
Mas eles destacaram o dólar como exceção. Em uma nota enviada na noite de terça-feira, a empresa escreveu que espera que o dólar continue se desvalorizando, citando “uma convergência nas taxas de juros e no crescimento dos EUA com os de seus pares”. A mensagem era clara: os investimentos nos EUA podem ter um desempenho superior, mas não o dólar.
O banco também reduziu sua previsão de crescimento do PIB global. Agora, espera-se que a produção desacelere de 3,5% em 2024 para 2,5% até o final de 2025. Mesmo sem uma recessão declarada, esse tipo de desaceleração é suficiente para movimentar capital, especialmente em direção às criptomoedas, que muitos investidores agora veem como uma proteção contra a instabilidade das moedas fiduciárias.
Se Bitcoin continuar subindo, sua próxima meta já está no radar: US$ 120.000. Não há grandes níveis de resistência à vista e, com o aumento dos fluxos de entrada e a instabilidade dos mercados tradicionais, mais compradores estão entrando na fila.

