Um tribunal de defesa do consumidor rejeitou as queixas de um grupo de investidores afetados pelo ataque hacker à WazirX. Segundo informações, a Comissão Nacional de Resolução de Disputas do Consumidor (NCDRC, na sigla em inglês) recusou-se a analisar o pedido dos investidores que perderam US$ 234 milhões após o ataque à corretora de criptomoedas.
Segundo relatos , a comissão informou aos reclamantes que a legalidade e a natureza das transações ainda não estão regulamentadas na medida exigida no país e, portanto, realizar uma investigação sobre as ilegalidades em suas denúncias "não parece ser da competência desta jurisdição".
Diante da repercussão, o advogado que representa os reclamantes, Aman Rehaan Khan, declarou à imprensa que os reclamantes levarão suas queixas ao Supremo Tribunal. "Planejamos levar este caso ao Supremo Tribunal e buscar a recuperação dos fundos perdidos, além de processos criminais contra as entidades e indivíduos envolvidos", afirmou Khan.
Tribunal do consumidor rejeita queixas de vítimas do WazirX; próximo passo: Supremo Tribunal?
Segundo o advogado, o veredicto da NCDRC foi decepcionante, mas ele mencionou que o moral da equipe não foi abalado. Ele comentou que, embora o revés seja algo a se considerar, houve alguns pontos positivos na decisão do órgão de defesa do consumidor. Ele mencionou que o órgão concordou que as criptomoedas são classificadas como bens de acordo com a Lei de Proteção ao Consumidor e também se enquadram na categoria de bens mencionada na Lei do Imposto de Renda.
A denúncia, apresentada em conjunto por cerca de 40 investidores, alega que eles perderam aproximadamente 12 crores (US$ 1,4 milhão) em ativos digitais no ataque hacker e subsequente roubo ocorrido na WazirX. Embora as criptomoedas não sejam consideradas moeda corrente na Índia, o governo cobra um imposto de 30% sobre os lucros obtidos com a negociação de ativos digitais. Além disso, o país exige que todas as corretoras de criptomoedas que operam em seu território sejam registradas na Unidade de Inteligência Financeira (FIU), uma divisão do Ministério das Finanças.
Em 2021, o governo mencionou que planejava discutir o Projeto de Lei sobre Criptomoedas e Regulamentação de Moedas Digitais Oficiais no Parlamento, mas acabou não dando prosseguimento ao projeto. Desde então, o projeto foi relegado a segundo plano e o setor de criptomoedas permanece em grande parte sem regulamentação.
Resta agora aguardar o veredicto do Supremo Tribunal, que suspendeu a proibição da negociação de criptomoedas em 2020, após o Banco Central da Índia (RBI) ter imposto uma proibição a essas atividades em 2018.
WazirX revela plano para reembolsar clientes
O Supremo Tribunal também esteve envolvido em outros casos no cenário das criptomoedas, tendo repreendido o governo central por não defiregras claras que orientem a negociação de criptomoedas na Índia e por não defia agência responsável por investigar casos relacionados à falsificação de criptomoedas. Embora tudo isso seja passado, os investidores agora veem o Supremo Tribunal como a última esperança para apresentar suas queixas e obter um veredicto favorável.
Entretanto, a corretora de criptomoedas WazirX, liderada por Nischal Shetty, anunciou que está elaborando planos para reestruturar suas operações e ajudar seus usuários a recuperar parte dos fundos perdidos durante o ataque hacker. De acordo com o plano de reestruturação, a plataforma pretende emitir ativos líquidos no valor de US$ 284 milhões, adicionando tokens de recuperação aos usuários afetados. Após o rebalanceamento dos passivos, os ativos líquidos reequilibrados serão distribuídos em forma de tokens para alguns credores.
O plano também inclui a reativação da plataforma , com a exchange planejando lançar uma exchange descentralizada com novas funcionalidades. Os lucros gerados nos primeiros três anos de sua reativação seriam usados para financiar a compra de tokens de recuperação.
A corretora obteve aprovação de um tribunal de Singapura para iniciar o plano de reestruturação há dois meses. No mês passado, concluiu o rebalanceamento de seus ativos líquidos, em conformidade com o plano. Se o plano for implementado conforme o esperado, os usuários poderão reivindicar seus ativos roubados até abril.

